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Adoção de Agile X Diferenças entre as Gerações

Postado por Thiago Ferreira em 29 Abr 2010 |

[Errata 30.04.2010] Logo em seguida, chegando atualmente ao mercado de trabalho, temos a Geração X e agora os recém chegados "Y", ambos trazendo seu extremo dinamismo, espírito empreendedor e inovador, e sua vontade de mudar e evoluir constantemente, como características comportamentais naturais, sem medo de romper com dogmas metodológicos, inovando e apoiando-se em novas tecnologias com desenvoltura.

Uma área bastante interessante da sociologia é aquela que estuda as diferenças entre as gerações, desde os "Baby Boomers" até a recém chegada Geração Z.

Compreender as diferenças e semelhanças entre estas gerações, torna-se pré-requisito para qualquer profissional que deseje estar preparado para adaptar-se a quaisquer realidades que se apresentem, ao longo de sua jornada no mercado de trabalho, passando por toda sorte de ambientes que as empresas podem possuir.

Os Baby Boomers

Relativa aos nascidos entre 1946 e 1964, esta geração foi batizada devido à explosão demográfica que o mundo observou no período pós-guerra, e presenciou acontecimentos históricos que marcaram o século XX, como os assassinatos de JFK, Robert Kennedy e Martin Luther King, a chegada do homem à Lua, a Guerra do Vietnã, a liberdade sexual, o movimento pelos direitos civis, Watergate, a renúncia de Nixon, o embargo do petróleo, inflação elevada e escassez de gasolina.

Porém, há um fator cultural extremamente marcante nesta geração, que consiste no surgimento e popularização da televisão. Os Baby Boomers foram a primeira geração que cresceu em frente à TV, e por isso puderam compartilhar eventos culturais e marcos com todos de sua faixa etária, independentemente de suas localizações geográficas.

Todos eles assistiram aos primeiros seriados para a TV, e puderam ver a Guerra do Vietnã, a chegada do homem à Lua, Woodstock, o Rock and Roll, Olimpíadas e Copas do Mundo nas suas salas de estar, conforme cresciam. Esses momentos compartilhados ajudaram a estabelecer um vínculo entre os pertencentes a esta geração sem precedentes.

Neste artigo do HowStuffWorks, podemos encontrar a seguinte passagem, que diz respeito às características sociais desta geração:

[...] Em vez disso, os Baby Boomers passaram a confiar em si mesmos. Eles foram chamados de "Geração Eu" porque foi a primeira geração a fazer um intervalo entre a infância e a idade adulta, e a explorar o fato de ser jovem. Eles se casaram e tiveram filhos mais tarde, e gastaram bastante com si mesmos.
De modo controverso, eles também são uma das gerações mais ativas e menos egoístas de todos os tempos. Sua luta contínua contra a injustiça criou o movimento das mulheres, o movimento pelos direitos civis, os protestos contra a Guerra do Vietnã e muito mais.

Nas empresas e corporações atuais, os Baby Boomers ocupam, em geral, altos cargos como presidentes, conselheiros e diretores.

A Geração X

Esta geração diz respeito aos nascidos entre1965 e 1981, e é considerada por muitos como uma "geração perdida", devido ao fato de ter sido criada num novo mundo fora de perspectivas utópicas, conformando-se com um padrão de vida mais realista e consumista, em pleno período da Guerra Fria. Dentro desta geração há inclusive um grupo marcado por sentimentos como a depressão excessiva e a apatia, os Slackers.

Segundo Janelle Wilson, socióloga americana, esta geração é considerada mais cínica se comparada aos Baby Boomers, pois cresceu dentro de uma nova realidade social. Muitos eram filhos de pais separados, viviam em lares nos quais os pais trabalhavam fora, características advindas da grande mudança de paradigma, resultante da evolução de uma sociedade patriarcal para uma sociedade mais justa e igualitária, herança das lutas pelos direitos civis e do início de movimentos feministas dos Baby Boomers.

Por isso costuma-se dizer que esta geração assistiu ao início da decadência de antigos e ultrapassados padrões sociais, e não tinha medo de jogá-los para o alto, inovando e buscando um mundo mais igual e "humano". Além disso, tiveram contato com novas tecnologias, como as fitas cassete, os aparelhos de som, o VHS, aparelhos de FAX. A maioria nasceu depois da chegada do homem à Lua (1969), e foi criada num mundo no qual a televisão já era um ítem mais acessível às famílias de classe média, além de ter presenciado o surgimento dos computadores de uso pessoal.

Em geral, os representantes desta geração, devido a sua faixa etária, são os gerentes, coordenadores e líderes de equipes de TI.

A Geração Y

Também referida como Geração Millennials ou Geração da Internet, consiste dos nascidos entre 1982 e 1999, e desenvolveu-se numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica.

Seus pais, não querendo repetir o abandono das gerações anteriores, encheram-nos de presentes, atenções e atividades, fomentando sua auto-estima e fazendo-os crescer sempre em ação, estimulados por múltiplas tarefas e obrigações. Acostumados a conseguirem o que querem, não se sujeitam à tarefas subalternas de início de carreira, e lutam por salários ambiciosos desde cedo.

São extremamente antenados, sendo atualmente o público-alvo do consumo de novos serviços e na difusão de novas tecnologias. As empresas desses segmentos visam atender esta nova geração de consumidores que se constitui um público exigente e ávido por inovações e, nesta realidade, os aparelhos celulares multitarefa são uma importante característica que os difere das gerações anteriores.

Preocupados com o meio ambiente e causas sociais, essa nova geração tem um ponto de vista diferente das gerações anteriores que viveram épocas de guerras e desemprego, vivendo num mundo praticamente estável e mais comodo à liberdade de expressão, e conseguindo se preocupar com valores esquecidos, como vida pessoal, bem-estar e enriquecimento pessoal.

Por estas razões, esta geração valoriza muito a qualidade de vida, dificilmente permanecendo num mesmo ambiente ou realidade por muito tempo. Desta forma, é uma geração que passa a valorizar muito menos a fidelidade, prezando o dinamismo e o empreendedorismo, fortes características que ditam não apenas suas rotinas, mas também suas relações interpessoais.

De acordo com este recente artigo da Livraria da Folha, baseado nas opiniões do consultor empresarial Sidnei Oliveira, os "Y" tendem a demonstrar maior produtividade quando colocados em desafios que demandem alta criatividade. São multitarefas, buscam a satisfação imediata e o acesso irrestrito a qualquer tipo de informação.

Oliveira esclarece que eles precisam da experiência e da paciência das gerações anteriores -- Baby Boomer (nascidos após a Segunda Guerra) e Geração X (entre 30 e 45 anos) --, porque assumirão empregos que ainda não existem e utilizarão tecnologias que ainda não foram criadas.

A Geração Z

A mais nova geração dentre todas as estudadas pela sociologia, consiste dos nascidos a partir de 2000, e tem como mais forte característica o extremo dinamismo, indo da internet para o telefone, do telefone para a TV, passando pelo celular e voltando novamente à internet. Da mesma forma, mudam sua visão de mundo constante e rapidamente, na vida.

Garotas e garotos da Geração Z, em sua maioria, nunca conceberam o planeta sem computador, celulares e vídeogames ultra modernos. Por isso, são menos deslumbrados com novos avanços tecnológicos, sendo bastante influenciados em sua forma de pensar e agir por um mundo cada vez mais complexo e veloz, engendrado pela tecnologia. São desapegados das fronteiras geográficas, tendo nascido num mundo já globalizado, no qual a informação é abundante e as notícias são ransmitidas praticamente em tempo real.

A Metodologia Ágil e a Empatia

Descartes, pai do racionalismo moderno, inicia assim sua obra mais célebre O discurso do método: "O bom senso é a coisa mais bem distribuída do mundo".

Desta forma, compreender as dificuldades (ou facilidades) que podem existir com relação à inserção de metodologias ágeis de desenvolvimento de software nas empresas, nada mais é do que analisar cada caso como um mini-mundo particular, no qual coexistem as mais diversas e variadas formas de pensar e agir, representadas pelas diferentes gerações citadas anteriormente.

Temos nos mais altos escalões os Baby Boomers, valorizando muito a fidelidade, a paciência e metodologias tradicionais, com as quais já trabalham há décadas; em seguida na escala hierárquica, encontram-se os representantes da Geração X, essencialmente humanos e mais acostumados com novas tecnologias e inovações, ainda que inicialmente sujeitos a métodos legados.

[Vide errata 30.04.2010] Logo em seguida, chegando atualmente ao mercado de trabalho, temos a Geração Y e agora os recém chegados "Z", ambos trazendo seu extremo dinamismo, espírito empreendedor e inovador, e sua vontade de mudar e evoluir constantemente, como características comportamentais naturais, sem medo de romper com dogmas metodológicos, inovando e apoiando-se em novas tecnologias com desenvoltura.

Neste ponto é preciso aplicar o conceito de empatia, de forma a notar que, num sistema tão complexo quanto um ambiente empresarial no qual convive toda sorte de gerações, ao tentarmos adotar uma metodologia ágil de desenvolvimento de software, precisamos romper com paradigmas que engessam o processo produtivo, colocando-nos no lugar de nossos superiores na escala hierárquica, e passando e compreender suas formas de pensar, agir e lidar com mudanças, com base numa atenta análise das características básicas de suas respectivas gerações, tomando sempre como norte o tão bem distribuído bom senso, tal qual citado por Descartes.

Referências

  • Guedj, Denis (1998). O Teorema do Papagaio. Cia. das Letras.
  • Livraria da Folha (Reportagem de 16/04/2010). Link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/ult10082u721742.shtml
  • Neilsen, David (Traduzido pela How Stuff Works). Link: http://pessoas.hsw.uol.com.br/baby-boomers9.htm
  • Wikipédia, a Enciclopédia Livre. Links:
    • http://pt.wikipedia.org/wiki/Gera%C3%A7%C3%A3o_X
    • http://en.wikipedia.org/wiki/Generation_Y
    • http://pt.wikipedia.org/wiki/Gera%C3%A7%C3%A3o_Z
    • http://pt.wikipedia.org/wiki/Empatia#Conceito_de_empatia

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Radicalismo by Edvandro Santos

Olá Thiago, quero dizer que acompanho seus artigos e gosto da maneira que você expõe os fatos, sensacional. Gerações à parte, incrível como encontramos, na sociologia, explicação para a dificuldade de romper barreiras, viver o novo. Sem dúvida, o ser humano teme aquilo que não conhece. Isso não é diferente quando falamos de mercado de trabalho, aqui com foco em Informática. Baby Boomers, Geração X, Y ou Z, uma coisa é certa: cada um, na sua época, quebrou um paradigma, burlou regras sociais, tomou atituddes julgadas "radicais" para o momento em que viveram. Se foi assim que aconteceu nos momentos de cada uma das gerações, porque não simplesmente buscar a adaptação e aprender a lidar com o novo ou até mesmo aceitá-lo?

Abraços.

Re: Radicalismo by Thiago M. Ferreira

Obrigado pelo comentário Edvandro.

De fato estas comparações entre as diferentes gerações, que a Sociologia nos apresenta, explicita não só a importância de cada uma delas no que diz respeito ao rompimento de barreiras e paradigmas, mas também nos ajuda a compreender o porquê de suas diferenças.
Como você muito bem colocou, é próprio do ser humano buscar segurança atendo-se à rotina e permanecendo em "portos seguros", mas conhecendo melhor estas questões que moldaram as formas de pensar e agir das diferentes gerações, ajuda muito quando tentamos buscar meios de melhorar métodos engessados, "burrocráticos" e antiquados.

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