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Painel JCP: A comunidade pede por mais abertura e participação

por Dio Synodinos , traduzido por Flávia Castro de Oliveira em 27 Nov 2008 |

A QCon San Francisco 2008, organizou um painel sobre o desenvolvimento de Open Standards onde Patrick Curran, Presidente do JCP e ilustres membros da comunidade, compartilharam suas experiências práticas tanto em open standards como em desenvolvimento open source. Quase desde o início se tornou evidente que houveram duas grandes questões que dominaram o debate: Abertura e Facilidade da participação a nível de submissões para o JCP.

A discussão começou com Stephan Janssen, fundador do Belgian Java User Group (BeJUG), JavaPolis e Parleys. Pergutaram para Stephan por que razão o BeJUG é um dos dois Java User Groups que participam do JCP e ele explicou que é por causa de seu envolvimento com a proposta BGGA Closures. Ele também mencionou que é difícil para uma JUG participar por causa da taxa a ser paga. Patrick Curran rapidamente mencionou que embora o envolvimento JCP não seja gratuito, há um desconto para organizações não-lucrativas.

Michael Van Riper que lidera o Silicon Valley Web JUG e o Silicon Valley Google Technology User Group, continuou a falar e deixou claro que a partir de sua experiencia não existe nenhum sentimento verdadeiro de comunidade no JCP, pelo menos fora de JSRs específicos. Novamente ele argumentou que a taxa é um problema e falou sobre a proposta para um JUG USA como uma organização guarda-chuva.

O próximo a falar foi o Michael Ashley, Diretor de Desenvolvimento para o Cultural Heritage Imaging que enfatizou sobre a falta de abertura para o público. Isto outra vez foi enfatizado por Cay Horstmann da San Jose State University. Ele também realçou a importância da transparência para os processos de padronização e explicou como open standards são valiosos na educação.

Na sequência, Bill Venners da Artima, ponderou sobre a questão de quando é que tornam-se necessários padronizar uma linguagem e chegou a conclusão que multiplas implementações só adicionam valor. Na maioria dos outros casos é melhor ter apenas um kit de conformidade de linguagens

Lynne Rosenthal, do National Institute of Standards and Technology, comtemplou o que faz uma organização de padrões funcionar bem e concluiu que não passa de um trabalho básico de equipe. Também é muito importante ter alguém que conheça bem os procedimentos burocráticos e que pode gerenciar a burocracia. Finalmente ela explicou como os líderes fortes são um fator chave para o sucesso de um JSR.

Loretta Guarino Reid, um membro do time de Accessibility Engineering do Google, foi questionada em que medida a sua equipe tem trabalhado com pessoas com deficiências. Ela respondeu que eles tiveram as pessoas com deficiência trabalhando com eles e eles estão tentando fazer com que todos os documentos sejam acessíveis. Ela também mencionou que eles também gostariam de trabalhar especificamente com as pessoas com deficiência auditiva, algo que eles não tem feito até agora.

O último a ser abordado foi Rod Johnson, pai do Spring framework, que foi muito crítico no passado sobre como o JCP operava, e que foi eleito recentemente para atuar no comitê executivo do JCP. Perguntaram para ele o motivo que o fez participar de um processo do qual que ele já foi tão crítico e ele mencionou que ele viu sinais positivos de mudança. Ele também sentiu força para acrescentar mais transparência ao processo e fazer a comunidade se envolver – a “cidadania java”. Patrick Curran defendeu o processo JCP alegando que todos as minutas tornam-se públicas por padrão e mencionou que eles estão construindo ferramentas de grupo que serão lançadas na próxima versão do site, que promoverá mais abertura.  Rod Johnson foi questionado sobre o que ele entende por “cidadania java” e ele mencionou que como membros da comunidade Java, as pessoas tem direitos e privilégios e as pessoas precisam participar a fim de exercê-los.

Alguém da platéia mencionou que não é fácil para programadores comuns participarem, mas Patrick Curran argumentou que o processo realmente está aberto à todos e não há nenhuma barreira. Rod Johnson acrescentou que grupos open source não precisam explicar os mínimos detalhes, mas Cay Horstmann mencionou que é bastante difícil para uma pessoa comum participar diretamente no lado técnico das coisas. Stephan Janssen disse que está faltando transparência em todo o processo.

Neste pontoos participantes argumentaram que as especificações são difíceis de ler e sugeriram um repositório para o código open source, um issue tracker público e lista de e-mail pública. Rod Johnson comentou que um doc de especificação não pode dizer se a tecnologia vai fazer o que você quer que ela faça.

Depois de algumas de pessoas da público mencionarem que os líderes das especificações precisam sair e promover a sua comunidade, Floyd Marinescu - Editor Chefe do InfoQ, perguntou se a bancada do JCP já pensou em realizar pesquisas públicas para uma “abordagem mais democrática” na tomada de decisões. Patrick Curran respondeu que eles não tinham pensado nisso mas ele expressou a opinião de que com as novas ferramentas de colaboração que são desenvolvidas para a próxima versão do site do JCP, as pessoas terão mais formas de participar.

Houveram mais algumas pessoas da platéia que fizeram comentários negativos sobre a escolha da Modularidade Java sobre OSGi e como isso causa confusão. Patrick Curran defendeu a escolha da Modularidade Java dizendo que embora ele não seja um expert no assunto há diversas razões técnicas que levam a esta decisão.

Um líder de especificação que estava presenta no público descreveu as dificuldades que ele tem tido em contatar outros líderes de especificação e criticou o fato de que não existe um caminho real para as pessoas entre JSRs interagirem de uma maneira fácil e natural. Patrick Curran concordou que no processo “faltam algumas coisas” e Rod Johnson encontrou a oportunidade para repetir sua posição de que uma abertura maior ajudará com isto também. Cay Horstmann confirmou o problema. Quando o público insistiu no fato de que não há bons meios para comunicação entre líderes de especificação, Rod Johnson mencionou que há também um problema de escopo bem defenido entre o JSRs o que torna as coisas mais difíceis.

Depois disso houveram algumas pessoas do público que expressaram sentimentos negativos sobre quão complicada a papelada é e Patrick Curran explicou que o contrato dá garantias jurídicas para o JCP e que não serão problemas jurídicos no futuro. A discussão circulou em torno do mesmo assunto até o fim, com a platéia pedindo por participação mais fácil no JCP e menos burocracia e o presidente tentando justificar o status atual. Tanto o InfoWorld quanto o JavaWorld estavam cobrindo este aspecto do painel.

Com a Comunidade exigindo mais Abertura e Facilidade na Participação do JCP, será interessante ver como o processo irá evoluir.

Você pode encontrar mais informações sobre o JCP aqui no InfoQ.

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