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O valor das pessoas e da inovação nas empresas modernas

por Thiago M. Ferreira em 11 Mar 2010 |

Vivemos uma realidade repleta de conceitos oriundos de uma virada de milênio marcada pela globalização, e por uma evolução assombrosa na velocidade da disseminação de informações e conhecimentos. Porém, quando consideramos esta nova realidade, na qual tudo o que ocorre torna-se sabido praticamente em tempo real em qualquer ponto do planeta, torna-se inevitável pensar em como devem se comportar empresas e corporações nesta nova ordem mundial.

Waldez Luiz Ludwig, consultor de empresas e palestrante, em entrevista ao programa Sem Censura, discorre a respeito do valor das pessoas nas empresas do mundo moderno:

Hoje o que realmente importa na competitividade entre as empresas é a inovação. E inovação tem origem nas pessoas, e não nas máquinas. O ser humano é a chave das empresas e um empresário bacana sabe que seus funcionários são o que há de mais importante em sua empresa. Não adianta ter o melhor equipamento e esquecer que o funcionário deve estar em primeiro lugar.

Em seguida, Ludwig faz uma comparação entre os gerentes de empresas, e os capatazes da época dos senhores de engenho:

Os senhores de engenho (donos de empresas) detestam sujar as mãos. Por isso, contratam os capatazes (gerentes), cuja função é controlar os outros, e nada mais. Mas, se há espaço para os "capatazes", é porque ainda existe uma terceira raça, de pessoas que possuem vocação para escravidão.

Neste ponto Waldez chega a uma importante conclusão, relacionada ao fato de que devemos sempre trabalhar de forma espetacular, surpreendendo e nos dedicando o máximo possível, de forma a crescer e evoluir profissionalmente. Assim, nos tornamos empreendedores em nosso dia-a-dia, tornando obsoleto o modelo industrial, e eliminando a necessidade da presença de capatazes:

Aqui entra a questão do empreendedorismo. Não se pode mais ir ao mercado de trabalho como um escravo, ou seja, como uma pessoa que detesta trabalhar, que possui a síndrome do domingo de noite, confunde o salário completamente, achando sempre que ganha pouco, e esquecendo que as pessoas ganham por sua raridade e não pela sua importância. É um erro muito comum destas pessoas se acomodar e trabalhar mal pois ganham pouco. Nestas horas deve-se fazer um trabalho espetacular. Apenas assim o profissional poderá ser achado no mercado, podendo crescer profissionalmente. Desta forma, podemos ter o fim do modelo industrial ultrapassado, eliminando a necessidade do cargo de gerente, o capataz das empresas...

Ainda com relação à importância da inovação e da criatividade para o profissional moderno, Ludwig nos apresenta, num de seus quadros semanais para a Globo News, que idéias são patrimônio da humanidade, e não devemos nos martirizar por coisas que foram executadas por outras pessoas, mas que eram idéias que "nós havíamos tido". Devemos inovar sempre, e novamente nos deparamos com a vital importância das pessoas nas empresas modernas:

Inovação é transformar idéias em algo tangível, que entregue valor, e isto é o que diferencia, por exemplo, países subdesenvolvidos porém criativos como o Brasil, de nações desenvolvidas, que não são tradicionalmente criativas, mas sabem inovar. Para ter idéias, basta possuir alguma necessidade. Mas para inovar é preciso conhecimento (para transformar a idéia em algo real), espírito empreendedor (para acreditar na idéia e vender a inovação), diciplina, e muita educação, porém esta última não em quantidade apenas, mas principalmente em qualidade. Um líder moderno deve motivar o time, dedicar-se aos detalhes, desafiar a lógica, a tradição, a autoridade, favorecer um ambiente criativo e inovador, sem medo de errar.

Em contrapartida às colocações apresentadas até aqui, pode-se facilmente encontrar na internet publicações como a do Professor Henrique Freitas, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Neste artigo de 1996, Freitas afirma que o cargo de gerência nas organizações possui relevante importância dentro da sociedade, pois estes profissionais são responsáveis por controlar e determinar os caminhos das empresas. Para isto, eles utilizam os chamados processos decisórios, que consistem em determinar os rumos da corporação, através de decisões que suas equipes devem necessariamente seguir:

Além das limitações do gerente, o seu estilo de decisão também influenciará o processo e o resultado da decisão tomada. A forma com que ele considera a geração de alternativas e a quantidade de informação influenciará a decisão e também deverá ser considerada no momento da concepção do sistema de informações.
As organizações, notadamente após a revolução industrial, possuem um papel de relevada importância dentro da sociedade. Elas controlam praticamente todos os meios de produção, tanto dos produtos quanto dos serviços. Esta importância está diretamente vinculada aos indivíduos que controlam e determinam os caminhos a serem seguidos: os gerentes. A importância destes elementos para as organizações está na proporção da importância das organizações para a sociedade.

E você leitor, concorda com as afirmações de Waldez Luiz Ludwig, ou acredita que as colocações do Professor Henrique Freitas são mais condizentes com a realidade das empresas brasileiras? Todos sabemos que muita coisa mudou desde 1996, mais existem empresas que ainda tem o modo de pensar de 1996, o que você acha disso? O que podemos fazer para mudar esse paradigma?

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Melhorar sempre........ by Vinicius Maia

Como "escravo" nos devemos melhorar sempre, sempre fazer melhor que ontem, pensando no que melhor se pode fazer amanhã!

Amanhã você pode virar um "capataz" e agir de forma melhor ainda!

Pois, de fato, o pescoço e a cabeça guiam os membros. O Professor Henrique Freitas argumenta algo interessantissimo com respeito a tomada de decisão que os gerentes impõe (ou influênciam) sobre a cadeia de comando, processos e afins. Algo que realmente faz a diferença no dia a dia.

Porem se a cabeça e o pescoço te guiam contra um poste, o membros, normalmente, tem a reação de se esquivar.

Para que o corpo possa seguir tranquilamente, é bom que a cabeça olhe para os pés, pois muitas vezes nem estão calçados.

Pois bem, assim como os escravos tem que "labutar" com o proposito de gerar lucro, os capatazes e "senhores do engenho" precisam prover (correr atrás das) as condições "ideias". Tornando assim o "ambiente" propício as inovações, conhecimento, educação, enfim agregando lucro não só a empresa, mas a todo o corpo.

Re: Melhorar sempre........ by Thiago M. Ferreira

Ótimas observações e analogias Vinicius. De fato, pode ser possível encontrar um meio termo entre as opiniões de Ludwig e do Professor Freitas.
Ou seja, como o próprio Ludwig diz: "...quando estamos ganhando pouco e numa situação de "escravidão", não podemos nos acomodar. Devemos sim fazer um trabalho espetacular, para sejamos encontrados no mercado.".
Por outro lado, afirmar que o cargo de gerência tende a ser extinto pode ser realmente uma opinião bastante controversa. Talvez o mais correto seja dizer que o cargo de gerência, com as características apontadas por Freitas no artigo de 1996, tende a agregar características mais "modernas", adotando algumas das práticas que Ludwig enumera: "Um líder moderno deve motivar o time, dedicar-se aos detalhes, desafiar a lógica, a tradição, a autoridade, favorecer um ambiente criativo e inovador, sem medo de errar."

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