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Amazon Silk: arquitetura particionada na nuvem para otimizar a navegação

por Abel Avram , traduzido por Leonardo Galvão em 30 Set 2011 |

A Amazon lançou nesta semana, juntamente com vários novos modelos do Kindle, o browser Silk. Baseado em Webkit, o Silk utiliza SPDY para manter uma conexão única com serviços hospedados no serviço de nuvem da Amazon (AWS), onde páginas web são pré-carregadas e preparadas para envio ao dispositivo. O resultado: navegação mais rápida, menor consumo de energia (devido à redução de processamento local) e segurança melhorada.

O Silk é o navegador padrão do Kindle Fire, o novo tablet baseado em Android da Amazon, e introduz uma abordagem diferente à navegação na web. A execução dos subsistemas do browser (acesso à rede, processamento de HTML, CSS, JavaScript, renderização) é dividida entre o tablet e a nuvem. O browser decide dinamicamente o que executar no AWS e o que fazer localmente, e o AWS funciona como um "cache ilimitado", armazenando imagens, JavaScript e arquivos CSS para as páginas que serão carregadas com o Silk; "não é usado um byte sequer de armazenamento no dispositivo", diz acordo com Jon Jenkins, Diretor de Desenvolvimento do projeto. Essa arquitetura permite otimizar a quantidade de armanezamento necessária, e tem impacto positivo sobre o uso da memória interna do Kindle Fire (menor que a média, com 8Gb).

Os serviços do AWS que fornecem as páginas web ao Silk preparam o conteúdo antes da sua entrega. Por exemplo, imagens são automaticamente reduzidas para adequação à resolução do dispositivo, aumentando a velocidade de carregamento. E o browser mantém uma única conexão aos servidores da Amazon, que permanece pronta para requisitar mais conteúdo quando necessário. Além disso, o Silk não precisa esperar o carregamento de toda a página HTML, para identificar o restante do conteúdo a ser solicitado, pois os servidores indexam as páginas, e já "conhecerão" o conteúdo a ser entregue juntamente com o código HTML. O Silk é capaz até mesmo de executar código JavaScript no AWS e compilar esse código para a arquitetura ARM (usada no Fire), de acordo com o site Ars Technica.

A Amazon não detalhou outros aspectos técnicos do browser, mas ofertas de emprego indicam que o Silk é baseado no engine Webkit (usado no Chrome e no Safari) e que usa o protocolo SPDY do Google. O SPDY é executado sobre SSL e objetiva reduzir latências geradas pelo uso do protocolo HTTP.

Outras características do Silk, como a agregação de padrões de comportamento dos usuários e o precarregamento de páginas de acordo com hábitos dos usuários, levantaram preocupações sobre privacidade. A Amazon, no entanto, afirma que todos os dados são coletados anonimamente.

Outras empresas e projetos tentaram abordagem similar à do Silk, mas sem dispor dos recursos computacionais da Amazon ou do alcance da sua solução. Um exemplo é o Opera Mini, um navegador para smartphones que carrega páginas atráves de servidores da empresa norueguesa Opera. Os proxies comprimem páginas, reduzindo o tempo de carga por um fator de 2 a 3 vezes, além de diminuir a quantidade de dados trafegados. (Mais recentemente o Opera para desktop também passou a fazer o preprocessamento de páginas, com o Opera Turbo.)

A abordagem da Amazon com relação à navegação na web, além de trazer impacto positivo sobre o tempo de carregamento da páginas e o consumo de energia e memória, provavelmente trará maior segurança, já que todo o conteúdo poderá ser analisado e filtrado por software nos servidores da Amazon, antes da transferência para o dispositivo. E para a Amazon, como já mencionado, entre os principais benefícios estarão as oportunidades de mineração de dados. O Google realizou tentativa similar, muito mais modesta, ofererecendo o serviço Page Speed, que otimiza o site dos provedores através de servidores do Google, com pouco sucesso. Será interessante aguardar se serão implementadas técnicas semelhantes no Chrome OS.

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