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O talento está supervalorizado? Consistência e foco podem valer mais.

por Mário Henrique Trentim em 30 Set 2011 |

Steven List comenta, no seu blog sobre Agile, as ideias de Geoff Colvin, no seu livro Talent is Overrated: What Really Separates World-Class Performers from Everybody Else ("O talento está supervalorizado: O que realmente diferencia os melhores dos demais"). Logo no início do post, List chama a atenção para o seguinte trecho do livro de Colvin:

Dizemos aos nossos filhos que eles se sairão bem se forem esforçados, assim como as outras pessoas dedicadas. Porém, eles não necessariamente irão se tornar profissionais excelentes apenas repetindo e persistindo em alguma atividade.

List usa o esporte como metáfora. Não basta jogar tênis todos os dias com os amigos para se tornar um atleta mundial. É preciso treinamento, foco e melhoria contínua. Não basta apenas repetição, bate-bola e treinamento exaustivo. O jogador precisa trabalhar seus pontos fracos, ensaiar jogadas e progredir por meio de atividades direcionadas pelo seu técnico - alguém que conhece a atividade e tem capacidade de ensinar. Nesse ponto, aparece a importante figura do coach.

Trazendo o assunto para as organizações, afirma que é preciso criar ambientes em que os profissionais exercitem a "prática deliberada", isto é, atividades de desenvolvimento e melhoria das competências com o objetivo de atingir a excelência. Para isso, precisam saber em que devem melhorar e como podem melhorar.

List e Colvin concordam que a "prática deliberada" ao longo do tempo é fator determinante para o sucesso. Essa também é a conclusão de Malcom Gladwell no livro Fora de Série: Outliers. Para atingir a excelência é preciso perseverar em uma atividade de modo deliberado por tempo suficiente - cerca de 10 mil horas segundo Gladwell.

O autor enfatiza alguns elementos essenciais para a prática deliberada:

  • Deve ser uma atividade projetada especificamente para melhorar a performance, geralmente acompanhada por um mentor ou professor;
  • Deve ser repetida muitas vezes;
  • Deve ser exigido feedback sobre os resultados
  • Em geral, é uma atividade exaustiva, mental e fisicamente, e pode não ser tão divertida quanto parece.

Dentro das organizações, afirma List, devemos questionar quando não existem desafios, formas e incentivos ao aprendizado. Isto é, nas palavras de Randy Paush, professor de computação da Carnegie Mellon,

Quando as pessoas no seu ambiente de trabalho não incentivam nem cobram de você os melhores resultados, você está em um péssimo lugar para trabalhar.

Colvin e List defendem que, embora existam pessoas mais talentosas que outras, o desempenho profissional não depende apenas de habilidades e capacidades, mas também de motivação e direcionamento. List ressalta que as organizações deveriam em vez de "pessoas talentosas", buscar "pessoas que entendam a importância da prática deliberada", ou seja profissionais que procuram se desenvolver de maneira consistente.

Sobre o aspecto da motivação, List cita Daniel H. Pink e seu livro Drive. Pink defende que a verdadeira motivação é intrínseca e que as pessoas se satisfazem mais nos níveis superiores da pirâmide de Maslow. Ou seja, incentivos financeiros têm pouca duração e eficácia duvidosa sobre a motivação; o incentivo ao aprendizado, a presença de desafios e o bom relacionamento entre os profissionais da empresa são fatores muito mais poderosos sobre a motivação. A conclusão de List é a que as empresas devem instituir práticas de mentoring e coaching.

É triste ver sendo subaproveitadas pessoas com grande potencial para serem líderes, gerentes efetivos e grandes profissionais. O potencial é perdido porque os níveis mais altos não se preocupam em ensinar, direcionar e dar exemplos para aproveitar o potencial dessas pessoas. O resultado é que as gerações dentro da organização vão sendo mal formadas e subaproveitadas, gerando desmotivação e criando um círculo vicioso para as gerações seguintes.

Ele aconselha que profissionais procurem empresas que invistam no crescimento e desenvolvimento das pessoas. Essas empresas estão frequentemente no topo das listas de melhores empresas para se trabalhar. Porém, se você se encontra na situação de subaproveitamento extremo descrita acima, diz List, você tem três alternativas:

  • Faça alguma coisa - transforme sua empresa
  • Fique quieto e aceite a situação - mas faça isso conscientemente, sabendo que não é um lugar em que você irá se desenvolver
  • Abandone a organização - transforme as suas próprias circunstâncias, busque um local melhor para trabalhar

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