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O Frenesi do Lean Startup

por Christopher Goldsbury , traduzido por Fernando Ultremare em 06 Jan 2012 |

Oliver Milman escreveu recentemente um artigo sobre o movimento "Lean Startup" publicado no site australiano especializado em empreendedorismo, Startup Smart. Indiretamente, o artigo traz uma importante pergunta: Seria a metodologia Lean Startup apenas um modismo ou uma maneira efetiva de se gerar valor aos investidores.

O início do artigo introduz o debate:

Os empreendedores devem permanecer naturalmente cautelosos com relação a modismos e tendências. Devem analisar para determinar se são genuínos, sustentáveis ou até mesmo úteis. A grande maioria das startups se precipitam em utilizar "a próxima moda", para logo em seguida se arrependerem. Contudo, de tempos em tempos uma nova forma de trabalho emerge e apresenta resultados tangíveis.

O artigo prossegue apresentando um resumo da teoria de Eric Ries, ao passo que também sugere que tais ideias talvez não sejam novas. De fato, outros escritores publicaram livros contendo teorias similares, que também seriam baseadas na redução de custos e na busca por feedback contínuo. Entre elas, as de Steve Blank e Ash Maurya.

Tradicionalmente, o sucesso de uma empresa é medido com base no retorno sobre o investimento para os sócios ao longo do tempo. E com o modelo Lean Startup é relativamente novo e as empresas que o adotam também o são, será necessário esperar para se ter uma verdadeira avaliação de seu valor.

De qualquer forma, tal fato não impede uma discussão sobre o assunto, conforme o ocorrido no site Quora.com em 2010, onde William Pietri defende um dos lados:

O termo "Lean" em Lean Startups possui dois significados. Por aqui tem-se utilizado principalmente o significado mais comum, "sem gordura". Mas quero manter o foco em outro significado: "Lean" como Manufatura Lean.

Na verdade, ninguém ainda sabe ao certo se o modelo Lean Startup terá sucesso, mas existem razões teóricas para pensar que sim. Há uma série de fatores que diferenciam o conceito Lean tradicional daquele que é aplicado nas práticas ocidentais. Irei me concentrar em quatro desses fatores:

1. Eficiência do capital: Este realmente é um dos resultados do foco do Lean na redução de desperdício. Como exemplo, podemos utilizar a WebVan. Seus investidores gastaram algo em torno 1 bilhão de dólares para descobrir que os EUA não estavam prontos para o mercado de compras online. Teria sido possível realizar essa descoberta com menos recursos, através da realização de testes das principais hipóteses em uma escala menor? Certamente. E este é o objetivo da metodologia Lean Startup: testar pressupostos o mais rapidamente e com o menor custo possível.

2. Puxe, não empurre: Dentro da Manufatura Lean, busca-se começar a construir o produto apenas quando se é solicitado. Da mesma forma, a abordagem Lean Startup busca iniciar a construção apenas quando as necessidades dos clientes estão comprovadas, utilizando-as para "puxar" a solução da equipe. A diferença pode parecer sutil na explicação, mas é profunda na realidade. Acredito que assim se obtêm produtos muito melhores a um custo menor.

3. Melhoria contínua: A cultura empresarial ocidental tende a se concentrar em maximizar resultados, enquanto os praticantes do conceito Lean se concentram em melhorar o sistema que produz os resultados. Por exemplo, se seu objetivo é melhorar as vendas, uma resposta focada em resultados pode ser estabelecer uma meta de vendas trimestrais. Mas isso pode levar a problemas como a "sobrecarga do canal de vendas" (channel-stuffing). Por outro lado, o foco na melhoria do sistema que produz os resultados é especialmente útil para as startups: uma empresa que possui este hábito, provavelmente irá escalar seu negócio de forma mais sustentável.

4. Definição de valor centrada no cliente: Este conceito pode parecer óbvio, mas a diferença de como é aplicado no modelo Lean tradicional está principalmente na seriedade com que é perseguido. Por exemplo, suponha que alguém compre seu produto, mas nunca o utilize. Se for considerada apenas a venda realizada, pode-se ver uma vitória. Mas sob a análise Lean, seria uma perda: os recursos foram gastos, mas nenhum valor foi entregue. Este enfoque ajuda as startups a construir uma base de clientes satisfeitos e a descobrir um importante diferencial na criação do valor necessário para conquistar uma grande fatia de um mercado.

Josh McFarland apresenta uma visão contrária:

Reafirmando uma das ideias contidas na resposta de David King, os empreendedores que conheço que mais seguem religiosamente os princípios da metodologia Lean Startup são também os que produzem os produtos menos inspirados... conjuntos defasados de funcionalidades de outros produtos, projetadas por um comitê. Sim, eles realmente trabalham de maneira "enxuta" ao buscar um produto certo para um determinado mercado. Mas nos casos que acompanho, vejo apenas que falham lentamente.

Comparo esses discípulos com as pessoas que tiram um "certificado" de gerenciamento de produtos através de qualquer uma das incontáveis programas de certificação que existem -- Os gerentes de produto estão sempre atrás quando se trata de criar novas experiências ou inovações.

Enquanto a discussão sobre as ideias de Eric Ries devem continuar, o crescimento da máquina de marketing sobre Lean Startup e a venda de livros correlatos não param. Na verdade, o maior empreendimento de Eric Ries pode ser o movimento de Lean Startup em si.

Você trabalha para uma empresa que utiliza Lean Startup? Como é trabalhar seguindo esse modelo?

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