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Dez anos depois: os clientes estão prontos para contratar projetos ágeis?

por Fernando Ultremare em 30 Mar 2012 |

Shweta Darbha, gerente de produtos da CA Technologies, publicou recentemente no blog da Scrum Alliance suas reflexões sobre o nível de preparação dos clientes para contratar projetos de desenvolvimento conduzidos através de metodologias ágeis. Dez anos após a publicação do Manifesto Ágil, Darbha acredita que ainda existe uma série de obstáculos a serem superados:

O método cascata (waterfall) tem sido praticado por tanto tempo, que as empresas de desenvolvimento de software e os seus clientes estão acostumados a este processo.

Darbha prossegue:

Em uma organização orientada a produtos, por bem ou por mal, os clientes (donos do produto) acabam tendo que aprender os conceitos de Agile e passam a atuar dentro daquilo que é esperado pelos métodos ágeis. Mas em uma organização orientada a projetos, onde os clientes (externos) são os donos dos requisitos, estes clientes já estariam prontos para Agile?

Segundo ele, ainda permanecem obstáculos que impedem que os clientes efetivamente aproveitem os benefícios oferecidos pela agilidade, dos quais destaca [em tradução livre]:

  • Modelo de contratação comercial: Os clientes estão acostumados ao modelo de escopo fechado, que se compatibiliza melhor aos processos cascata, devido ao levantamento inicial de requisitos mais detalhado. Para trabalharem efetivamente com Agile, os clientes devem se adaptar para o modelo de escopo aberto.
  • Grau de envolvimento do cliente: Em projetos ágeis, como se sabe, os clientes devem estar envolvidos ao longo de todo o projeto, para que seja possível ocorrer o detalhamento incremental dos requisitos. Já nos projetos tradicionais, os clientes estão acostumados a se envolver intensamente apenas no início, quando os requisitos são detalhados completamente.
  • Estimativas: Os projetos tradicionais são gerenciados através da realização de estimativas das atividades e do acompanhamento da conclusão das tarefas. Em projetos ágeis, os clientes precisam se acostumar ao sistema de pontuação de histórias dos usuários, que é realizado pela equipe.
  • Processo de homologação: Em projetos ágeis os clientes precisam se adaptar ao modelo de entregas frequentes e estar preparados para realizar a revisão das versões entregues a cada sprint. Por outro lado, em projetos tradicionais o processo de homologação geralmente ocorre apenas no final do projeto.

Como alternativa ao modelo de contração comercial, em um dos comentários realizados ao post de Darbha, está indicado um artigo de Mike Cohn, onde apresenta uma de suas técnicas para redução de riscos na elaboração de contratos de custo fixo e escopo fechado para projetos ágeis. Cohn estabelece um equilíbrio entre o levantamento completo inicial de requisitos e a elaboração de histórias de usuários que contenham critérios de aceitação relevantes às estimativas.

Quanto aos demais obstáculos, Darbha questiona se o esforço que a comunidade de TI tem despendido para "educar" os clientes em Agile tem sido proveitoso. Para ele, embora as empresas de TI tenham se empenhado na evolução de seus métodos, tal esforço pode ter sido em vão, caso os clientes não estejam preparados para contratar projetos ágeis.

Diante das observações de Shweta Darbha, podemos concluir que, embora grande parte dos clientes já reconheçam e até mesmo admirem os conceitos e vantagens do Agile, esses clientes ainda recuam diante da opção por um modelo menos conhecido. E revertem suas expectativas de sucesso para padrões conservadores, como o waterfall.

A mudança para uma mentalidade que aceite melhor os valores ágeis pode realmente demorar a acontecer para os clientes mais conservadores. Até lá, o que poderia ser feito para acelerar este processo? A educação constante e a experimentação com partes do Agile certamente são parte da resposta.

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