Oracle e Google planejam recorrer das decisões do julgamento Java-Android
Tanto a Oracle quanto a Google estão apelando da decisão do juri que estabeleceu que a Google infringiu direitos autorais mas não roubou patentes quando utilizou o Java como base para o Android.
Devido à sua complexidade, o caso original foi dividido em duas partes - a primeira parte lidando com os direitos autorais, que incluía, de maneira controversa, a suposição de que as APIs do Java deveriam estar sujeitas a direitos autorais, e depois se focando na violação de patente propriamente dita. O processo de direitos autorias da Oracle caiu por terra, para todos os efeitos, quando o juiz do caso, William Alsup, decidiu que as APIs não seriam passíveis de proteção por direitos autorais nas leis dos Estados Unidos.
A lei de direitos autorais não confere o direito sobre toda e qualquer maneira de se implementar uma funcionalidade ou especificação, não importando o quanto é criativa a implementação ou especificação. O ato confere propriedade somente sobre a maneira específica que o autor escreveu sua versão. Qualquer outra pessoa está livre para escrever sua própria implementação, para efetuar a mesma função; ou seja, ideias, conceitos e funcionalidades não podem ser monopolizadas por direitos autorais.
A decisão judicial está alinhada com uma decisão anterior, da Corte de Justiça da União Europeia, na qual nem a funcionalidade de um programa de computador, nem o formato de seus dados, são expressivos o bastante para justificar a proteção de direitos autorais.
Restaram somente algumas violações menores de direitos autorais, relacionadas com a utilização do código rangeCheck da classe TimSort.java e ComparableTimSort.java (cerca de 9 linhas no total), além de oito classes decompiladas encontradas no código do Android. O júri no julgamento original considerou que a Google realmente infringiu os direitos autorais da Oracle relacionados os itens citados, mas não conseguiu decidir se a cópia da Google poderia ser considerada "utilização justa" (fair use). No dia 23 de maio, o mesmo júri decidiu que a Google não infringiu os direitos sobre as patentes julgadas.
A Oracle está buscando uma compensação de 6 bilhões de dólares em danos por violações de direitos autorais, mas no final do julgamento o juiz William Alsup concedeu "zero dolares" pelos danos. No mês passado a Oracle foi condenada a pagar 1.3 dos 4 milhões de dólares que a Google gastou com o julgamento.
A Google, agora, deseja apelar da decisão do juiz Alsup, de não deixar de lado o veredito sobre direitos autorais. Já a Oracle está apelando o julgamento final do caso, dado em junho, e "todas e quaisquer outras ordens e julgamentos decididos contrarias à Oracle".
Durante o julgamento, o juiz Alsup mostrou preocupação com o fato de tanto a Google quanto a Oracle terem pago jornalistas para produzir artigos a seu favor, para tentar influenciar a corte. Alguns destes artigos pagos já eram conhecidos. Florian Mueller, um consultor de patentes que blogava muito sobre o julgamento, revelou voluntariamente que a Oracle "tinha se tornado recentemente um cliente da sua consultoria". A Google é conhecida por ter dado dinheiro à Electronic Frontier Foundation, que postou vários artigos durante o julgamento, por exemplo o post "Oracle vs Google mostra a loucura das leis de patentes Americanas" - apesar de a fundação negar ter escrito o artigo em favor da Google. De acordo com a BBC, a Google "pagou 1 milhão de dólares à Fundação, em 2011, depois de ter sido multada por violação de direitos autorais defendidos pela EFF". A revista Fortune reportou que os desenvolvedores do Android também tinham feito doações menores à EFF em 2010 e 2011. No entanto, ao mesmo momento que fez a Oracle arcar com os custos legais do processo, o juiz Alsup abandonou aquela investigação, escrevendo:
A côrte aproveita a oportunidade para declarar que não tomará mais nenhuma ação sobre os pagamentos de comentaristas e jornalistas pelos litigantes, e que volta a afirmar para ambas as partes que nenhum artigo influenciou as decisões da côrte, salvo e exceto por qualquer tratado ou artigo expressamente citado em uma ordem ou decisão.
Os recursos serão feitos no Tribunal de Apelação dos EUA para o Circuito Federal, em Washington, de acordo com os documentos. O julgamento em si foi realizado em San Francisco, Califórnia.
Conteúdo educacional
Lean na Globo.com
Bernardo Heynemann 24 Mai, 2013
Mobilidade: Frameworks, SOs e o Mercado
Ricardo Ogliari 23 Mai, 2013
Caminhos de uma estratégia mobile
Sérgio Lopes 23 Mai, 2013
Complexidade organizacional no Século 21
Alexandre Magno 16 Mai, 2013

Olá visitante
Você precisa cadastrar-se no InfoQ Brasil ou Login para enviar comentários. Há muitas vantagens em se cadastrar.Obtenha o máximo da experiência do InfoQ Brasil.
Dê sua opinião