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Software Craftsmen são Egocêntricos?

por Eder Ignatowicz em 27 Mar 2013 |

Em um recente post em seu blog, Ted Neward apontou um lado negro no movimento Software Craftsmanship. De acordo com Neward, a comunidade dos "artesãos de software" (software craftsmen) impõe uma segregação à comunidade de desenvolvimento, separando-a entre os craftsmen, que buscam com afinco o aprimoramento do seu estilo de programação, dos trabalhadores comuns, que encaram o software apenas como uma profissão a ser executada durante o horário comercial.

Segundo Neward, o mundo precisa tanto dos artesãos quanto dos trabalhadores comuns. No entanto, ainda segundo o autor, o grupo de artesãos denominado "Software Craftspeople" constantemente age de forma egocêntrica, criticando indiscriminadamente quem não busca a perfeição no seu trabalho diário.

O post teve como origem a reação que Heather Arthur obteve após publicar no github o código de uma ferramenta de "Search and Replace" escrita em JavaScript. O trabalho de Arthur foi bastante criticado no twitter, dando origem aos questionamentos de Ted Neward.

Neward aponta sinais de narcisismo no movimento, pois muitos Craftsman agem com egocentrismo, buscando e evangelizando o código elegante e compromisso profissional somente com o objetivo de demonstrar sua superioridade.

O autor ainda aponta a dificuldade de se julgar o código alheio:

Se retirarmos o autor e contexto de um código fonte, um julgamento que defina o que é código elegante e o que é código de hack é uma tarefa complexa sem as restrições no qual o software estava inserido.

Por fim, Neward afirma que existe no mundo lugar para apaixonados por desenvolvimento de software e para os que encaram software apenas como uma profissão. O ponto fundamental segundo o autor é o respeito mútuo da comunidade, tanto no âmbito pessoal quanto profissional.

O post, gerou uma reação do Uncle Bob no blog da 8thlight. Denominado "The Humble Crafstman" (O artesão humilde), Uncle Bob afirma que, apesar de concordar que existam Craftsmen que agem com arrogância, a dicotomia apontada por Neward não existe e o movimento não cria uma elite de desenvolvimento teoricamente superior à massa de desenvolvedores.

Bob segue afirmando que o caminho mais comum para se tornar um artesão de software é baseado na tentativa e erro.

Em nossa indústria, a melhor e provavelmente a única forma de aprimoramento profissional é através de uma série de erros e ciclo de aprendizado contínuo.

Esse processo, muitas vezes, é realizado através da exposição de código fonte de projetos. Devemos ser gratos a essas pessoas por compartilharem seus erros, fornecendo um aprendizado de muito valor à comunidade de desenvolvimento.

Contudo, ainda segundo Uncle Bob, a melhor maneira de demonstrar respeito e honrar um código fonte é através da crítica, pois nenhum código é perfeito e ausente de pontos de melhoria. A revisão de código por parte de um colega é a maior honra que um desenvolvedor pode receber.

Bob ainda afirma que se você chama um código fonte de estúpido, lembre-se que você está utilizando uma palavra que na verdade o descreve como desenvolvedor, pois a única maneira de avaliar algo como estúpido é ter cometido a estupidez no passado.

Outra reação adversa ao post de Neward é apresentada por Chad McCallum em seu post "It's Okay to Love Your Job". O autor, um apaixonado pelo desenvolvimento de software, entende que nem toda a comunidade de desenvolvimento partilha da mesma paixão com que ele encara o desenvolvimento de software. Contudo, ele pede respeito aos Craftsmen afirmando que nem todos são egocêntricos e narcisistas, apenas amam a sua profissão e buscam a perfeição com afinco.

Após uma acalorada reação da comunidade, Ted Neward publicou em seu blog algumas considerações referentes ao seu post anterior. Contudo, apesar de considerar o movimento Craftsmanship válido quando ligado a uma meta pessoal de um desenvolvedor, ele reafirma que muitas vezes, o movimento é utilizado como uma forma de atacar e denegrir a imagem de desenvolvedores que escolheram não investir tempo e energia significativos no estudo de programação e aprimoramento profissional.

Apesar da dicotomia apresentada por Ted Neward ser um pouco exagerada e discriminatória, ambos os estilos profissionais devem ser respeitados. Vale retormar o texto escrito por Edsger Dijkstra em 1972, denominado "The Humble Programmer". Nele, Dijsktra afirma que grande parte da arte de programação baseia-se na tentativa de compensar o tamanho limitado de nossos crânios. Os melhores desenvolvedores são aqueles que conhecem suas limitações em relação aos problemas e reconhecem o tamanho pequeno dos seus cérebros. Segundo Dijikstra, este é o desenvolvedor humilde.

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