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MVPs no mundo real: o caso do EasyTaxi

| por Paulo Caroli Seguir 2 Seguidores em 29 set 2015. Tempo estimado de leitura: 5 minutos |

No QCon Rio 2015, o CTO Global do EasyTaxi, Vinícius Gracia, contou a história da criação do serviço de táxis (hoje um dos maiores do mundo), tratando desde estratégias para mudar o mercado, até técnicas para product development. Um aspecto importante da trajetória do serviço foi o uso frequente de MVPs. Veja nesse artigo um resumo sobre o conceito de MVPs e as formas como foi aplicada a técnica na criação do EasyTaxi.

O que é um Produto Mínimo Viável

Um MVP - Minimum Viable Product ou Produto Mínimo Viável - é a versão mais simples de um produto que pode ser disponibilizada para validar um conjunto de hipóteses sobre o negócio. Não queremos desperdiçar tempo, dinheiro e esforço construindo um produto que não vai atender às suas expectativas ou às dos clientes. Para isso, é preciso entender e validar hipóteses - e o MVP ajuda nessa investigação da forma mais rápida possível.

Diferentemente de produtos criados da forma tradicional, o objetivo do MVP é somente a validação do primeiro passo - do produto mínimo - que é bem menos elaborado do que a versão final. Embora seja mínimo, o produto deve ser viável para que de fato verifique se o direcionamento está correto; assim deve conter o conjunto necessário inicial de funcionalidades para o processo de validação.

Com o lançamento do MVP, você vai começar a coletar dados sobre as funcionalidades recém liberadas no seu produto. Estes dados fornecem o feedback necessário para validar as hipóteses do negócio.

http://www.caroli.org/wp-content/uploads/2015/08/build-measure-learn-mvp.jpg

Com base nas validações, você poderá verificar se sua ideia realmente faz sentido. Dependendo do aprendizado, são definidos os próximos passos: mudar de direção (pivotar), cancelar, ou fazer algo diferente para viabilizar o produto.

MVPs no EasyTaxi: Concierge

O EasyTaxi começou com um MVP "Concierge". A equipe de fundadores disponibilizava uma página web para que usuários entrassem manualmente o endereço onde estavam - e um Submit gerava um e-mail para os sócios. Estes, assim que recebiam uma mensagem, ligavam eles mesmos para as cooperativas pedindo um táxi para o endereço.

Bingo! Com isso, tudo começou. Os fundadores haviam validado uma hipótese básica: muitas pessoas estavam dispostas a usar um serviço que chamaria táxis para elas.

M de mínimo

A próxima versão do produto demorou muito a ser lançada. Segundo Vinícius o segundo MVP tinha elementos demais; não era um real MVP. Durante essa demora, já surgiram concorrentes, e algumas das funcionalidades criadas não geraram os resultados esperados. Ficou o aprendizado de que mínimo era um aspecto fundamental.

Pivotar

Porém uma coisa era certa: o interesse geral pelo serviço. A EasyTaxi passou então a focar nas cooperativas de táxi, e tratou de validar outras hipóteses. Uma primeira hipótese era a de que as cooperativas usariam o serviço para enviar seus táxis até os passageiros da EasyTaxi. Com base nela, criaram um sistema para as cooperativas. Mas a hipótese era falha! As cooperativas não usaram o serviço; não queriam estar no mesmo sistema que as concorrentes.

O resultado foi que o EasyTaxi precisou "pivotar". Decidiram focar nos passageiros e nos taxistas sem cooperativas; ou seja, nos usuários finais.

V de viável

A empresa lançou uma versão básica para os motoristas de táxi. A nova hipótese: muitos taxistas usariam um app gratuito de celular para ganhar mais corridas. Disponibilizaram o app, mas o produto não era viável para os taxistas naquele momento. À época do lançamento, a maioria ainda não tinha smartphones, devido especialmente aos custos. Mas sem smartphones o EasyTaxi não podia ser usado!

Solução: a EasyTaxi comprou mil aparelhos com plano 3G e distribuiu para os taxistas no Rio de Janeiro (cidade natal de Vinícius). Daí sim, depois de alguns atropelos, o produto ficou viável pra os taxistas. Com isso a EasyTaxi pôde validar sua nova hipótese: sim, muitos taxistas usariam um app gratuito para ganharem mais corridas.

De MVP em MVP

O uso de MVPs não significa que o produto não vá evoluir e incrementar suas funcionalidades. Muito pelo contrário, a ideia por trás de MVP é o incremento validado e guiado pelos resultados iniciais. A correção ou a confirmação do curso é que vai guiar os incrementos a seguir.

Os incrementos geram os próximos MVPs: novos produtos mínimos adicionados aos produtos mínimos já validados. Mínimos, porém viáveis para fazer verificações novas sobre o direcionamento. O produto agora é mais elaborado, talvez com base maior de usuários, permitindo validar novas hipóteses, ainda mais sofisticadas.

Assim foi o caso da EasyTaxi. De MVP em MVP o produto evoluiu. Mas percebemos, com essas idas e vindas, que a evolução baseada em MVPs não garante que cada uma das hipóteses vai ser verdadeira. Mas ajuda muito a fundamentar decisões sobre o seu negócio.

Moral da história: pare de gastar tempo e dinheiro criando o produto errado!

Sobre o Autor

paulo caroli84x100.jpgPaulo Caroli é M.S. em Engenharia de Software pela PUC-Rio, e Agile Coach da Thoughtworks Brazil. Possui duas décadas de experiência em desenvolvimento de software com passagem em várias empresas no Brasil, India e EUA. Desde 2000 tem focado sua experiência em processos e práticas de Gestão e Desenvolvimento Ágil usando XP, Scrum, Kanban e outros. É palestrante convidado em vários eventos grandes no Brasil e no exterior, assim com autor de muitos artigos. Foi um dos criadores do Agile Brazil, um dos maiores eventos de desenvolvimento de software da América Latina. Autor dos livros "Direto ao ponto; criando produtos de forma enxuta", e "Fun Retrospectives; activities and ideas for making agile retrospectives more engaging". Leia mais em www.caroli.org

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