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Lidando com a Síndrome do Impostor

| por Ben Linders , traduzido por Bárbara Niens em 03 dez 2016. Tempo estimado de leitura: 4 minutos |

A síndrome do impostor se refere a pessoas que tem medo de serem expostas como uma "fraude". Elas acham que não pertencem ao lugar onde estão, não merecem o sucesso que alcançaram e não são tão inteligentes quanto as outras pessoas pensam. De acordo com a agile coach Gitte Klitgaard, muitas pessoas de alto desempenho sofrem da síndrome do impostor. Isso prejudica as pessoas em seus trabalhos e as impede de seguirem seus sonhos.

Klitgaard vai falar sobre a síndrome do impostor em Berlin 2016. O InfoQ vai cobrir essa conferência com perguntas, e respostas, sumários e artigos.

O InfoQ entrevistou Kiltgaard sobre o que é a síndrome do impostor e a importância dela, como é possível reconhecer pessoas que se consideram "fraudes", o que pode ser feito quando se suspeita que alguém tem a síndrome do impostor, os aspectos positivos dessa síndrome e como usá-la de maneira benéfica.

InfoQ: O que é a síndrome do impostor?


Gitte Klitgaard: A síndrome do impostor ou síndrome da fraude é a sensação de que você é um impostor e que você será descoberto em breve. Mais precisamente, são pessoas inteligentes que não conseguem interiorizar seu sucesso independente da evidência dele.

Minha melhor descrição é que é a sensação de que, um dia, alguém virá dar um tapinha no seu ombro e dizer "Desculpe, Gitte, você não deveria nunca ter sido uma palestrante; isso foi um engano, você não é boa o suficiente para fazer isso".

InfoQ: Por que isso é tão importante?

Klitgaard: Para mim é um assunto importante porque me ajudou muito a descobrir que eu não era a única me sentindo desta forma. Perceber que é uma sensação normal me ajudou a reconhecer o meu valor.

Pesquisas estimam que mais de 70% da população ocidental irá sofrer disso em algum momento na vida. Esse é um grande número de pessoas que pode ser ajudada.

Eu também acho importante saber disso no nosso ramo; nós precisamos de pessoas que se sintam bem a respeito delas mesmas, que possam assumir papéis ativos em times, pessoas que não se depreciam.

InfoQ: Como é possível reconhecer pessoas que se consideram "fraudes" e que sentem não merecer o sucesso que alcançaram?

Klitgaard: Elas são pessoas inteligentes e constantemente irão minimizar o próprio sucesso: "Isso não foi nada", "Eu só estava no lugar certo, na hora certa", "Eu tive sorte". Eu não acho que seja sempre fácil identificá-las, mas estar ciente de que essa síndrome é real é um bom começo.

Para mim, só o fato de descobrir que a síndrome do impostor existe e que eu não era a única no mundo me sentindo desse jeito, significou muito. Eu continuava tendo a sensação de que a única coisa na qual eu era boa era enganar as pessoas ao fazê-las acreditar que eu era boa no meu trabalho; nas minhas provas; eu justificaria conseguir a maior nota em física na universidade com "eu sabia que haveriam quatro tipos de questões, então eu memorizei o padrão e as fórmulas, por isso a prova escrita foi fácil". Quando as pessoas dissessem que eu fui bem, eu diria "Isso não foi nada demais" ou "Isso é algo bem simples". E eu iria me esforçar pra caramba pra manter as aparências.

Por sorte um dos meus instrutores me deixou ciente disse em uma das nossas sessões, e daquele momento em diante, eu pude começar a trabalhar nisso. :)

InfoQ: O que fazer quando há a suspeita de que alguém tem a síndrome do impostor?

Klitgaard: Converse com a pessoa - e a escute. Isso é algo que eu considero sempre importante fazer. Pergunte o que ela sabe sobre a síndrome; deixe-a se aprofundar no assunto.

Não diga coisas como "mas você sabe que você é bom ou boa nisso" etc., porque essa é questão - apesar das evidências, a pessoa não vai acreditar e ela pode se martirizar por não acreditar nisso. Dar suporte e ouvir ajuda.

InfoQ: O que é positivo sobre a síndrome do impostor?

Klitgaard: Bom, alguns podem dizer que é algo bom porque isso faz as pessoas se esforçarem mais para não serem caracterizadas como fraudes, mas eu não concordo com isso. Isso pode levar as pessoas ao esgotamento e à aflição.

Eu não diria que é essencialmente bom; entretanto se tornar consciente de que você sofre da síndrome do impostor, permite trabalhar com isso, com você mesmo, para ter uma vida melhor e uma sensação melhor sobre si mesmo.

InfoQ: Se as pessoas quiserem aprender mais sobre a síndrome do impostor, onde podem aprender?

Klitgaard: Há uma descrição da síndrome do impostor na Wikipédia. Elas podem ver a palestra que eu dei no London lean kanban day sobre a síndrome do impostor. E esse é um post interessante sobre como usar a síndrome do impostor a seu favor.

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