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O futuro do trabalho é feminino

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Agnieszka Walorska, fundadora da Creative Construction, falou sobre como as mulheres podem dominar o mundo enquanto os homens automatizarem a si próprios, no Codemotion Berlin 2018. O trabalho típico dominado pelas mulheres de hoje, onde se trata mais de adaptabilidade, improvisação, inteligência emocional e conhecimento implícito, predominará no futuro, segundo Agnieszka Walorska. A inteligência artificial e a robótica automatizarão os trabalhos altamente qualificados que atualmente são realizados principalmente por homens.

Ao contrário da revolução industrial do século 19, o desemprego tecnológico do século 21 não afetará apenas os trabalhadores pouco qualificados - mas também os empregos altamente qualificados de colarinho branco. Os homens perderão seu poder graças ao campo que atualmente é dominado pelos homens: inteligência artificial, argumentou Walorska.

Os homens foram treinados e recompensados ao longo de gerações por realizarem trabalhos previsíveis, repetitivos, sem emoção, ou que exigiam força física, mas robôs e algoritmos são muito melhores em serem previsíveis, repetitivos, sem emoções, e fortes do que os humanos, disse Walorska.

Trabalhos tipicamente femininos são o oposto, disse ela, envolvem ambientes imprevisíveis (pense em enfermeiros ou professores de pré-escola), são mais sobre adaptabilidade, improvisação, inteligência emocional, e conhecimento implícito; características em que as máquinas são ainda muito ruins.

Ela afirmou que muitos dos trabalhos existentes hoje ainda existirão no futuro - mas o perfil deles mudará. Walorska menciona os médicos como um exemplo: eles precisarão de habilidades totalmente diferentes e precisarão de treinamento diferente. Um médico não precisará fazer um diagnóstico ou prescrever medicação, mas se concentrar em confortar, explicar, e orientar o paciente durante o processo.

O InfoQ conversou com Walorska depois de sua palestra.

InfoQ: Por que assistentes virtuais como Alexa e Siri têm principalmente um nome e voz femininos?

Agnieszka Walorska: Eles devem desempenhar o papel de um assistente. E a maioria das pessoas quando pensa em um assistente pensa em uma mulher, então estamos reproduzindo os estereótipos em tecnologia.

InfoQ: Você mencionou que o trabalho sobre inteligência artificial é dominado por homens. Qual a causa disso?

Walorska: Geralmente há menos mulheres na tecnologia, não apenas na IA. A primeira razão é que geralmente menos mulheres decidem estudar Ciência, Tecnologia, Engenharia, e Matemática (STEM). Isso por que existe uma forte correlação entre a igualdade de gênero e a lacuna de oportunidades de gênero (disparidade de gênero) no desempenho de matemática nas escolas. Em países com disparidade de gênero, os meninos superam as meninas. Em países com um alto nível de igualdade de gênero, não há diferença no desempenho de matemática, ou as meninas tendem a superar os meninos. Mas, mesmo nesses países neutros em termos de gênero, as meninas ainda são menos atraídas pelo STEM (mesmo que tenham melhor desempenho) do que os meninos.

Ainda existem estereótipos de gênero que fazem com que as meninas tenham a impressão de "não pertencerem", além de existirem poucos modelos [femininos para seguir]. Essa falta de modelos nas universidades e nas empresas também é a razão para o fato de que entre os homens com diploma em STEM, 40% trabalham em carreiras de tecnologia, enquanto o mesmo vale para apenas 26% das mulheres, o que aumenta ainda mais a diferença de gênero.

As pessoas simplesmente preferem empregar pessoas semelhantes a elas - na maioria das empresas, os homens são responsáveis pela contratação de engenheiros. Sem contar o ambiente hostil, com piadas sexistas, que às vezes fazem as mulheres que passam pelo processo de recrutamento desistirem.

InfoQ: Como você espera que a robótica e a inteligência artificial afetem o trabalho e o emprego?

Walorska: As estimativas do nível de automação variam entre 30% e 50% para os próximos 20 anos. Já existe um programa que gera relatórios esportivos automatizados em uma narrativa convincente indistinguível da escrita humana. O IBM Watson e o Google Brain estão fazendo diagnósticos com uma precisão semelhante ou melhor que a humana. "O advogado robô" DoNotPay já contestou 160.000 multas com sucesso em Londres e em Nova Iorque. O próprio software aprende como se autoprogramar.

Por outro lado, de acordo com um estudo da Gallup de 2017, apenas 15% dos funcionários em 155 países estão "engajados" em seus trabalhos (altamente envolvidos e entusiasmados com o que fazem). Então, não seria realmente ótimo se robôs e algoritmos realizassem trabalhos chatos, extenuantes, repetitivos, ou perigosos? É claro, mesmo que a maioria das pessoas não goste de seus empregos - elas ainda dependem deles. Então, provavelmente, precisaremos de uma mudança radical em nossos sistemas sociais.

InfoQ: Quais serão as consequências se o trabalho tipicamente feito por mulheres hoje predominar no futuro?

Walorska: A fase de transição será definitivamente difícil e certamente levará algum tempo. É surreal esperar que todos os condutores desempregados e trabalhadores da construção civil (empregos com uma probabilidade muito elevada de automatização) se tornem enfermeiros e professores de pré-escola (empregos com uma probabilidade muito baixa de automatização). Mas vejo as consequências a longo prazo de maneira otimista: maior estima e melhores salários pelo trabalho majoritariamente feminino, mais respeito e divisão justa do trabalho não remunerado (como cuidar dos membros da família), diminuição do abuso doméstico (homens perdendo empregos e dependendo seu parceiro tende a se abster de comportamento violento).

InfoQ: Qual o papel da renda básica incondicional no emprego e no mercado de trabalho?

Walorska: Acredito que o futuro da nossa sociedade dependerá das oportunidades que oferecemos a quem perde o emprego. Precisaremos de uma renda básica incondicional para que eles possam manter um padrão de vida decente, enquanto nos concentramos em educação, trabalho de caridade, ou outros tipos de trabalho não remunerado. Além disso, a redução das horas de trabalho para o mesmo salário pode ser uma maneira natural de lidar com a automação de tarefas.

No final do século 19, o homem americano médio trabalhava 62 horas por semana; desde a década de 1960 esse número caiu para cerca de 40 horas. Não acho que seja impossível chegar a 20-25 horas em 2050-2060.

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