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Q&A sobre o livro The Driver in the Driverless Car

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Pontos Principais

  • A tecnologia está progredindo cada vez mais rápido, como podemos observar analisando a adoção e o seu desenvolvimento;
  • Como sociedade, normalmente não consideramos os impactos que as novas e poderosas tecnologias causam, antes de permitir sua ampla utilização;
  • As pessoas normais podem e devem criar estruturas simples para pensar e avaliar as novas tecnologias;
  • Essas estruturas, em específico, devem fazer algumas perguntas básicas: É provável que a tecnologia crie desigualdades? Isso criará alguma dependência? Quais são os riscos e quais os benefícios?
  • Se não considerarmos os impactos, as tecnologias simplesmente "acontecem" e as consequências podem ser desagradáveis ou até mesmo, negativas.

O livro The Driver in the Driverless Car, de Vivek Wadhwa e Alex Salkever, explora como a tecnologia está mudando cada vez mais rápido e que impacto isso pode ter no futuro da sociedade. O objetivo é ajudar qualquer pessoa, sendo da área técnica ou não, a estruturar decisões e pensar sobre as tecnologias que estão em rápido desenvolvimento. Salkever e Wadhwa cobrem uma ampla variedade de tecnologias, incluindo robótica, IA, computação quântica e carros autônomos.

O InfoQ entrevistou Wadhwa e Salkever sobre uma perspectiva do futuro, do ponto de vista tecnológico, sobre como abordar a tecnologia de maneira positiva, quais tarefas os robôs podem fazer ou não, o que o futuro nos trará em matéria de tecnologia e inovação, os benefícios que os carros autônomos trazem e os desafios para desenvolvê-los, além de quais desenvolvimentos estão sendo feitos para que a energia se torne mais barata e mais limpa, e o que é possível se fazer com a computação quântica.

InfoQ: O que os motivou a escrever este livro?

Vivek Wadhwa: Este livro surgiu de uma simples observação. Notei que até mesmo meus amigos que trabalham nas áreas técnicas do Vale do Silício estavam se sentindo sobrecarregados pelo ritmo das mudanças tecnológicas. Acredito também, que os riscos de permitir que a tecnologia se desenvolva sem pensar nas implicações sociais pode acarretar vários problemas, basta vermos a ascensão do Facebook e todas as complicações que surgiram porque se recusaram a considerar as implicações de privacidade ou as ocorridas devido as suas ferramentas serem invadidas e utilizadas para discursos de ódio. Mesmo correndo o risco de parecer clichê, acredito que podemos escolher entre uma sociedade ao estilo velho oeste do "Mad Max" ou uma sociedade tecnológica como o "Star Trek" através das nossas escolhas (ou pela falta delas) em relação a tecnologia.

Alex Salkever: Também senti a mesma coisa, e isso me fez pensar: Poderíamos escrever um livro que tentasse criar uma estrutura onde as pessoas pudessem pensar sobre esses problemas e nos ajudar, coletivamente, a fazer um trabalho melhor ao decidir o futuro de tecnologia, em vez de colocar todo este peso em cima de nós.

InfoQ: Para quem se destina?

Salkever: O livro é destinado a quem se importa com o futuro do mundo e entende que a tecnologia terá um enorme impacto nesse futuro. Nós escrevemos para todas as pessoas.

Wadhwa: Queríamos especificamente tornar este livro acessível a pessoas que talvez não estivessem imersas na tecnologia como nós estamos, a fim de fazer esse debate e as decisões da sociedade algo com os quais poderiam se relacionar facilmente.

InfoQ: Consta no livro que, do ponto de vista tecnológico, o futuro pode parecer brilhante ou poderá se tornar assustador e alienante. Podem comentar sobre isso?

Wadhwa: Vamos pegar o CRISPR e as edição de genes como base para discutirmos sobre isso. No futuro, milhões e milhões de crianças sobreviverão a doenças fatais porque, com o CRISPR, podemos editar nossos genes de maneira bastante acessível. Mas já estamos vendo casos em que os cientistas estão pensando em utilizá-lo para a eugenia. Assim, enfrentamos a questão da vantagem para os ricos, que podem pagar pela terapia CRISPR para seus filhos, conseguindo uma vantagem permanente sobre o resto da sociedade no nível genético. Isso é horrível!

Salkever: Ou mesmo a IA, que está nos estágios iniciais de desenvolvimento, mas já estamos permitindo que assuma grande parte dos processos críticos de tomada de decisão que afetam nossas vidas, como a custódia de uma criança, se oferecemos ou não uma hipoteca, ou se somos elegíveis para uma vaga de emprego. Sabemos que a IA é fundamentalmente tendenciosa em diversos casos, porque ela sempre será tão boa quanto os dados que a alimentamos, e os dados foram codificados com preconceitos incorporados (em relação a sexo, raça, idade ou outras categorias). Assim, a IA pode reforçar o preconceito em um nível oculto e fundamental, mas também, pode nos permitir fazer coisas incríveis, como aprender um idioma muito rapidamente com um ensino personalizado e com um preço acessível. Este serviço pode ser oferecido em escala global por centavos.

InfoQ: Como podemos abordar a tecnologia de maneira positiva, focada nas possibilidades, sem ignorar as ameaças e os riscos?

Salkever: Definimos uma estrutura bem simples focada em três perguntas para guiar as pessoas à medida que pensam sobre as tecnologias. De maneira geral, as perguntas são: A nova tecnologia terá o potencial de beneficiar a todos igualmente? Promove autonomia ou dependência? Quais são seus os riscos e benefícios?

Wadhwa: Realmente, isso se resume a fazer as perguntas mais básicas e óbvias à medida que encontramos novas tecnologias. Mas o mais importante é que façamos essas perguntas, pois se não fizermos e apenas adotarmos a tecnologia, torcendo para que tudo dê certo, aceitaremos muitos riscos.

InfoQ: Quais tarefas os robôs podem fazer e o que é muito difícil para eles?

Salkever: Os robôs são bons para três tipos de tarefas: trabalhos sujos, perigosos, e chatos. Trabalhos sujos, como por exemplo, a limpeza de oleodutos. Perigosos são os trabalhos como o descarte de bombas ou drones que inspecionam torres de comunicação, infraestrutura ou telhados quando possuem a falhas e danos. Trabalhos chatos são coisas como entregar comida em um hospital ou jogar fora os remédios. Curiosamente, os carros autônomos são um ótimo caso de uso para os robôs, pois dirigir é perigoso e chato. Também é importante entender que um trabalho pode ser complexo e baseado na repetição. Isso é parte do motivo pelo qual temos listas de verificação para tarefas como preparação para uma cirurgia. A mente humana atinge um número máximo possível de passos que pode verificar com segurança sem a ajuda de pranchetas com itens para ficar dando check. Os robôs são ótimos para esse tipo de trabalho.

Wadhwa: O problema dos robôs paira quando o assunto é julgamento. Eles não podem fazer julgamentos rápidos, de natureza moral. Não podem apresentar soluções inovadoras. No cenário clássico, a questão é se um carro autônomo deve sair da estrada e matar os ocupantes ou causar um acidente que envolve muito mais mortes e salvar o motorista. Mas os seres humanos são magicamente criativos quando se trata de descobrir maneiras alternativas de resolver problemas sob intensa pressão. Os robôs simplesmente não conseguem fazer isso e não poderão fazê-lo, ao menos pelos próximos anos.

InfoQ: O que esperam que os robôs possam fazer no futuro próximo? O que é necessário para tornar isso possível?

Salkever: Tudo é uma questão de software. Os robôs são apenas softwares em uma roupagem de hardware. Então, pergunto: O que esperamos que uma IA faça que é cada vez mais humano, e como podemos traduzir isso para os robôs? Já vimos algumas melhorias surpreendentes, como os sistemas da Boston Robotics que podem dar cambalhotas, por exemplo. Então, à medida que vemos mais e mais softwares que podem fazer coisas complexas, como a IA se unindo para derrotar humanos em jogos online realmente avançados, veremos robôs obtendo esses recursos.

InfoQ: Quais os benefícios que os carros autônomos trazem?

Wadhwa: Existem vários, mas do ponto de vista estrutural, significaria menos carros nas rodovias, menos emissão de carbono e menos congestionamento nas ruas das cidades, ou ao menos esperamos que isso aconteça. Centenas de milhares de pessoas todos os anos morrem em acidentes. Tudo isso deveria acabar. Carros sem motorista serão poderosos para quem não pode dirigir, principalmente para idosos e crianças que precisam se locomover. Também eliminará a discriminação, pois não há, "motorista ruim por ser mulher", quando um motorista robô está ao volante.

InfoQ: Quais são os desafios quando se trata dos carros autônomos?

Salkever: Existem tantos casos extremos que é realmente difícil criar um carro autônomo que funcione em todas as situações. Isso não quer dizer eles não sejam melhores que os humanos. Pelo contrário, já são melhores que os humanos por muitos motivos, entretanto, para adotarmos uma tecnologia que é tão pessoal e que nos torna tão vulneráveis, deve estar muito próxima da perfeição. O outro grande problema são os motoristas humanos, pois são tão imprevisíveis e difíceis de trabalhar com os sistemas autônomos, que realmente lutam para prever qual será a próxima ação humana.

InfoQ: Quais desenvolvimentos estão sendo feitos para que a energia se torne mais barata e mais limpa, e como todos se beneficiam com isso?

Wadhwa: A energia está seguindo a curva da Lei de Moore, em particular a solar. Isso é porque é uma tecnologia de semicondutores. Assim, utilizando-se dessa matemática, a energia solar será quase gratuita em um futuro não tão distante. Isso beneficiará toda a humanidade, pois removerá um grande custo que as pessoas devem pagar e também criará tipos inteiramente novos de negócios que não poderíamos imaginar sem a energia gratuita, inclusive, ela melhorará muito a vida dos pobres, pois eles poderão ler à noite, ter água limpa e cozinhar a um preço baixo e sem queimar carvão ou madeira diminuindo a poluição do meio ambiente e sem destruir os pulmões dos amigos e familiares.

InfoQ: O que se torna possível com a computação quântica e os benefícios que pode trazer valem os riscos que poderá criar?

Salkever: A computação quântica (conhecida somente por Quantum), nos permite resolver muitos tipos de problemas que eram muito grandes e complexos demais para os paradigmas computacionais atuais. Por exemplo, calcular interações químicas e comportamentos energéticos ou átomos e moléculas pode tornar relativamente trivial o desenvolvimento de projetos químicos avançados, como aperfeiçoar os biocombustíveis que utilizam algas como matéria-prima. A biologia também pode se beneficiar tremendamente, principalmente na descoberta de medicamentos. Os riscos do Quantum são que tornarão obsoletos muitos sistemas de segurança existentes e poderá ser utilizado para fins maliciosos. Dito isto, não é uma tecnologia muito acessível, pois não podemos pedir um Quantum online, como podemos fazer com o CRISPR. Portanto, os riscos do uso em massa por pessoas que não são agentes estatais ou não acadêmicos são bem pequenos. Os riscos do Quantum definitivamente valem a pena.

Sobre os autores

Vivek Wadhwa é um empreendedor em tecnologia americano e acadêmico. É Professor Distinto e Professor Adjunto da Escola de Engenharia Carnegie Mellon, no Vale do Silício, e Membro Distinto do Programa de Trabalho e Vida Profissional da Harvard Law School.

Alex Salkever é escritor, consultor e executivo de tecnologia. Além do livro "Driver in the Driverless Car", também foi co-autor de Wadhwa e "Your Happiness Hacked: Why Tech is Winning The Battle to Control Your Brain - And How to Fight Back". Ao escrever, explora tecnologias de avanço rápido, como robótica, genoma, energia renovável, computação quântica, inteligência artificial e carros autônomos.

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