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Entrevista com Jake Inlove sobre o livro Gamification for Business

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Pontos Principais

  • Jogos corporativos podem ser uma ferramenta para processos de mudança, inovação, estratégia ou cultura.
  • Uma vantagem conceitual quando se trata de conectar teoria e prática de maneiras significativas pode ser conseguida com os jogos de negócio.
  • Um grande benefício do uso de jogos de negócio é a criação de um espaço temporário onde as pessoas podem se encontrar em um terreno comum.
  • As estruturas de jogos de progressão são melhores para fins de treinamento, já as estruturas de jogos emergentes são melhores para fins de inovação.
  • Os jogos digitais e físicos estão se misturando cada vez mais, aproveitando a tecnologia e a interação social.

O livro Gamification for Business (sem versão para o Brasil), de Sune Gudiksen e Jake Inlove, explora o uso de jogos para enfrentar com eficiência os desafios nos negócios e melhorar o desempenho organizacional, fornecendo resultados de pesquisas sobre gamificação, estudos de caso de soluções baseadas em jogos e os benefícios que este modelo e design thinking podem trazer.

O InfoQ entrevistou Jake Inlove sobre como os jogos podem criar uma conexão significativa entre a teoria e a prática, além de ajudar a lidar com a fragmentação e a construir um entendimento compartilhado. Foi perguntado sobre exemplos de jogos que podem ser utilizados dentro de um contexto de negócios, a diferença entre uma progressão e um jogo estruturado emergente, as vantagens e desvantagens dos jogos digitais quando comparados aos jogos físicos, como projetar os jogos dos quais as pessoas gostem de participar, como desenvolver as habilidades que os facilitadores precisam e o movimento retrô dos jogos de tabuleiro nos países nórdicos.

InfoQ: O que o motivou a escrever este livro?

Jake Inlove: Queríamos esclarecer como os jogos poderiam ser usados em organizações e fazer uma avaliação prática com dados que temos até o momento. Desde o início, desenvolvemos a ambição de mudar os clusters da indústria dos "jogos organizacionais", por isso, buscamos criar uma visão geral um pouco mais ampla, em vez de apenas analisar a perspectiva do jogador. Quando conseguimos reunir um excelente grupo de pessoas deste setor começamos a compartilhar conhecimento e casos de uso, bem como a encontrar várias coisas que eram comuns entre nós.

Com o livro poderíamos ajudar os leitores a entender melhor a ocorrência de jogos usados em contextos de negócios. O que os jogos como ferramenta organizacional podem nos ajudar a conseguir? Esta foi uma das perguntas centrais que pretendemos responder na primeira parte do livro. Como os jogos podem ser usados em contextos organizacionais, e como funcionam? Isso foi o que procuramos demonstrar com os 22 estudos de casos na seção dois. O que iremos encontrar se formos além dos exemplos dos jogos de um jogador e olharmos para as características e técnicas comuns de design usadas nos jogos de negócios? Essa foi nossa pergunta norteadora, quando fizemos um balanço de campo com comparação cruzada, analisando as perspectivas históricas e considerações futuras.

InfoQ: A quem este livro é destinado?

Inlove: Escrevemos o livro pensando em três públicos-alvos.

Primeiro, escrevemos o livro para os agentes de mudança, os facilitadores e consultores que precisam liderar as mudanças, facilitar os processos de aprendizado e desenvolvimento, além de precisarem de ferramentas para isso. Queríamos mostrar a esse grupo o que os jogos podem oferecer como ferramenta para os processos de mudança, inovação, estratégia ou cultura. Além disso, demonstramos como os jogos podem ser usados como ferramentas para trabalho com equipes, clientes, stakeholders ou até mesmo gerentes.

Em segundo lugar, escrevemos o livro para os tomadores de decisão, os líderes e gerentes que tenham aval para usar ferramentas como os jogos de negócio. A primeira seção do livro pode ser vista como o argumento que um agente de mudança poderia usar para convencer um tomador de decisão a usar os jogos de negócios como uma das ferramentas para facilitar um processo de mudança. Queríamos abordar as preocupações dos líderes abordando os desafios que enfrentavam.

O livro também foi escrito para acadêmicos, educadores e estudantes, o terceiro público-alvo. O campo de jogos de negócios é interessante para qualquer pessoa envolvida em novas tendências de aprendizado, jogos sérios e desenvolvimento organizacional.

InfoQ: Como os jogos podem criar uma conexão significativa entre a teoria e a prática?

Inlove: Os jogos podem criar uma conexão significativa entre a teoria e a prática mediante um espaço onde as duas áreas estão intimamente conectadas conceitualmente. Nos jogos de negócio, os participantes podem ser convidados a jogar com base em suas práticas, mas em um espaço moldado na teoria.

Por exemplo, o jogo Business Branching (capítulo 12) convida os participantes a jogarem com as diferentes áreas de negócios. A teoria das vantagens temporárias de Rita McGrath se desenrola no jogo enquanto os participantes jogam baseando-se na prática. Ninguém tem que explicar a teoria para os participantes, porque podem ver como isso se desenrola com os negócios no ambiente e nas regras. As metáforas de árvore e ramo usadas no jogo ajudam a tornar a teoria compreensível intuitivamente ao emoldurar visualmente a atividade.

É o mesmo caso para o jogo Changesetter (capítulo 13), onde a teoria da mudança é intuída através da metáfora de navegar na mudança. "As pessoas estão dentro ou fora do barco?" faz com que as pessoas pensem em como se relacionam com as mudanças. As posições no quadro simbolizam diferentes cenários, onde diferentes perspectivas teóricas podem ser aplicadas.

Muitos jogos usam essas vantagens conceituais no design de jogos para conectar de maneira significativa a teoria com a prática. Além disso, como os jogos são atividades dinâmicas e interativas, forçam teorias rígidas difundidas em mídias estáticas, como a escrita ou ilustrações, a se tornarem animadas, com simulações e movimentos que aproximam as teorias da prática, que sempre será dinâmica.

Muitos jogos simplesmente fazem essas conexões, tornando os modelos de teoria estática, animados e interativos com os participantes.

InfoQ: Como os jogos podem nos ajudar a lidar com a fragmentação e construir um entendimento compartilhado?

Inlove: Esta questão refere-se um pouco ao termo questionável de Johan Huizinga "o círculo mágico". Este termo implica que os jogos criam um espaço temporário para interação onde diferentes regras se aplicam. Podemos nos unir nos jogos porque somos retirados das operações regulares e de nossa formação profissional e histórica, por exemplo, e nos juntar a uma atividade em um terreno de igualdade entre os envolvidos.

No campo de futebol, todos temos algo em comum, porque somos todos jogadores e não importa se o Marcos é um contador ou se o João é um corretor de imóveis. O jogo de futebol reformula as regras sociais e, de repente, o que importa são as equipes, posições no campo e a capacidade que temos de jogar.

Da mesma forma, os jogos de negócios reformulam parcialmente os papéis e as maneiras pelas quais trabalhamos juntos. Além disso, muitos jogos ajudam a criar uma compreensão mútua através do diálogo visual. Por exemplo, as pessoas podem ver o que os outros querem dizer ilustrando como as peças ficam em um tabuleiro.

InfoQ: Pode nos dar alguns exemplos de jogos que podem ser jogados dentro de um contexto de negócios?

Inlove: Existem muitos exemplos de jogos de negócios, vou dar três opções que estão no livro.

Um jogo de negócios sobre trabalho em equipe

O Linkxs é um jogo de negócios (capítulo 19) desenvolvido para ajudar as equipes a praticar a auto-organização, a comunicação e a colaboração. Os participantes são divididos em quatro subgrupos, cada um trabalhando em um quebra-cabeça em uma mesa diferente. Uma mesa é designada como sendo a mesa de colaboração, onde os subgrupos podem trabalhar juntos, pois não é permitido visitar as mesas de outros grupos. Alguns participantes recebem o trabalho de observadores. Através deste jogo simples, os participantes obtêm muitos insights sobre o trabalho de equipe, pois o jogo ilustra claramente os problemas cotidianos. Como uma experiência de aprendizado, o jogo funciona como um ótimo exemplo ilustrativo de como o trabalho em equipe se manifesta e o que os comportamentos não-colaborativos desempenham.

Um jogo de negócios sobre cultura

Ocean of Culture é um jogo de negócios (capítulo 21) que foi projetado para ajudar as organizações a trabalharem com a cultura como um direcionador de valor. O jogo pode ser visto como um processo exploratório que permite aos participantes ver quais fatores na cultura fortalecem ou inibem o valor que a empresa oferece. É um jogo de tabuleiro com vários cartões de perguntas, onde todos os participantes trabalham juntos para resolver as tarefas e responder às perguntas que estão presentes no jogo. Ao longo do caminho, os participantes obtêm insights sobre como a organização funciona e como podem melhorá-la para entregar mais valor. O jogo fornece um processo para entender a cultura e incita os participantes a serem proprietários dela.

Um jogo de negócios sobre liderar a mudança

Exploring Change é um jogo de negócios (capítulo 15) desenvolvido para abordar o lado humano da mudança. É feito com cartões e pôsteres que os participantes podem usar para identificar diferentes reações a serem mudadas e como podem lidar com elas. No jogo, os participantes mapeiam o que é necessário para impulsionar a mudança com sucesso, todos os jogadores trabalham juntos nas tarefas para conduzir a mudança, o que promove o diálogo acompanhado com recursos visuais.

InfoQ: O que são jogos rápidos e como podemos utilizá-los?

Inlove: Os jogos rápidos são jogos curtos que duram de 2 a 30 minutos. O objetivo é energizar os jogadores e criar dinâmicas de grupo positivas. Muitas organizações os usam como exercícios para preparar os grupos para dinâmicas mais longas.

Nosso especialista em jogos rápidos, Bo Krüger, identifica seis categorias de jogos rápidos. As categorias se relacionam com os diferentes propósitos para os quais podem ser utilizados, querendo que os participantes 1) reflitam, 2) se tornem perspicazes, 3) entrem em contato uns com os outros, 4) criem algo de maneira cooperativa, 5) sejam energizados ou 6) consigam desenvolver-se como equipe.

Quando se trata de utilizar os jogos rápidos, uma das partes mais importantes é escolher o jogo rápido com o objetivo certo para o público correto e a configuração correta. Isso requer prática, tal como acontece com toda a facilitação, queremos conhecer o público e ser claros ao comunicar o objetivo do jogo. Muitas vezes também podemos nos beneficiar envolvendo participantes no debriefing, extraindo suas experiências e pensamentos sobre o jogo.

InfoQ: Qual a diferença entre uma estrutura de jogo de progressão e uma emergente? Quando devemos usar cada uma delas?

Inlove: A estrutura do jogo de progressão

Uma estrutura de progressão pode ser exemplificada com o Super Mario. Os jogadores passam por uma sequência fixa de eventos, muitas vezes através de ações predeterminadas, como escolher entre opções de movimento. A estrutura de progressão é um passo-a-passo ou uma estrutura de níveis, onde o jogador deve completar o passo/nível 1 para chegar ao passo/nível 2.

Os jogos construídos em torno de uma estrutura de progressão são geralmente muito previsíveis porque os jogadores sempre passam pelas mesmas sequências na mesma ordem. Neste tipo de jogo, uma estratégia específica geralmente leva à vitória, isso é importante quando os jogos são voltados para treinamento e simulação, pois os designers de jogos podem determinar o comportamento "correto" ou "vitorioso" desde o início, ajudando a criar um sistema onde o que deve ser aprendido pode ser reforçado através da reformulação de estratégias alternativas como sendo "erros".

A estrutura do jogo emergente

Uma estrutura emergente pode ser exemplificada com o xadrez. Aqui, existem algumas regras, mas se combinam de várias maneiras e podem levar a diversas situações possíveis no jogo. Isto significa que os jogos baseados na emergência são imprevisíveis e que muitas estratégias diferentes podem levar à vitória.

A estrutura emergente é geralmente vista em jogos de negócios quando os jogadores têm de interpretar situações incertas de jogo e, portanto, podem responder às regras de várias maneiras. Isso é importante em jogos de criação cooperativa, porque significa que a mecânica do jogo geralmente leva a um comportamento imprevisto do jogador, que pode ser o início da criatividade gerando novas ideias.

Estruturas de progressão são geralmente usadas para propósitos de treinamento porque podem criar uma espécie de reforço, enquanto as estruturas emergentes são geralmente usadas para propósitos de criação cooperativa e inovação, pois podem criar novos quadros para idealização e colaboração.

A estrutura emergente tem uma natureza incontrolável, que se encaixa com a ambição dos designers de processo de criação cooperativa para gerar novos quadros e princípios para idealização que possam qualificar todo o processo de geração de ideias.

A estrutura de progressão pode ser usada para praticar certas habilidades, que correspondem à ambição de muitos treinadores para fornecer feedback sobre as ações dos participantes.

InfoQ: Quais são as vantagens e desvantagens dos jogos digitais quando comparados aos jogos físicos?

Inlove: A distinção entre jogos digitais e físicos pode ser muito difícil de ser feita, já que muitos jogos de tabuleiro físicos estão se movendo para o digital, incorporando celulares e tablets para reforçar as regras e contagem de pontos. A nova versão do "Banco Imobiliário", que possui pagamento via cartão de crédito, é um ótimo exemplo disso. Se opondo a isso, muitos jogos digitais estão se tornando mais físicos, o "Pokémon GO" é um exemplo claro de um jogo digital que não pode ser classificado em um ou outro modelo, ao refletirmos sobre os aspectos físicos presentes no jogo.

No entanto, se tivermos de falar sobre vantagens e desvantagens, alguns problemas vêm à mente. Os jogos digitais têm uma grande vantagem sobre os jogos físicos, pois podem processar regras complexas e mecânicas de jogo mais facilmente do que as mentes humanas, liberando assim o foco dos jogadores para o aprendizado. Além disso, os jogos digitais geralmente são mais escaláveis e podem ser jogados desde que os jogadores tenham um celular, tablet ou computador disponível, o que a maioria das pessoas, hoje em dia, possui. Além disso, os elementos digitais geralmente aprimoram a jogabilidade.

Em oposição, os jogos físicos, como os jogos de tabuleiro e de cartas, são mais baratos para serem desenvolvidos. Nesses tempos de "Lean Startup", a maioria dos jogos de negócios começam como jogos de tabuleiro, porque esses podem ser facilmente desenvolvidos como um "produto mínimo viável" (MVP), pois não exigem programação complexa e custosa antes do teste. Além disso, ajustar e personalizar a mecânica de jogo em cada caso também é mais fácil de se fazer com jogos de tabuleiro, onde somente materiais (e não programação) precisam ser alterados, mesmo que a programação fique mais barata e muitos produtores de jogos ofereçam modelos ajustáveis para mecânicas de jogo pré-programadas, os jogos acabam sendo semi-personalizados. Ademais, os jogos de tabuleiro geralmente provocam mais comportamentos sociais dos participantes do que os jogos digitais, ao mesmo tempo em que dão aos participantes uma oportunidade de sair da frente das telas do computador.

Vi ótimas soluções, tanto digitais quanto físicas, e até mesmo combinadas. Acredito que o futuro dos jogos de negócios vai se mover em direção às soluções combinadas.

InfoQ: Como podemos criar jogos que as pessoas gostem de participar?

Inlove: Quando se trata da criação de jogos de negócios, precisamos sempre pensar em criar uma experiência significativa e envolvente em torno de um tópico relevante. Sempre começamos com o propósito em mente. Os participantes terão mais facilidade de fazer o quê após jogarem? Por exemplo, o Strategic Derby (capítulo 25) começou com a missão de ajudar líderes sem MBA a discutirem estratégia. Como fazemos os participantes discutirem sobre estratégias quando não têm o vocabulário teórico associado? Conseguimos através da conversão de termos teóricos em posições visuais em um quadro com uma pequena ajuda de uma metáfora de enquadramento.

Ao desenvolver um jogo de negócios, podemos começar com uma metáfora que nos ajude a enquadrar a atividade. Existem vantagens competitivas como progredir em um jogo clássico? A gestão de stakeholders é algo simples? O gerenciamento de mudanças é um processo semelhante ao embarque de um ônibus? O trabalho em equipe é como montar um quebra-cabeça sem saber em que mesa as peças estão?

Se pudermos encontrar uma metáfora útil para o tópico, então estamos prontos para os jogos. A partir disso, decidimos sobre um desafio principal para o jogo. Vamos analisar, pois isso pode estar relacionado a um jogo de gerenciamento de mudanças.

  • Os participantes devem mapear o processo de mudança?
  • Devem classificar diferentes declarações relacionadas a mudanças e colocá-las em uma escala?
  • Devemos simular o processo de mudança e deixar que os participantes façam escolhas ao longo do processo?
  • Poderíamos fazer os jogadores descobrirem alguns dos mistérios relacionados aos processos de mudança?
  • Poderíamos fazer os jogadores resolverem tarefas específicas ou fazê-los responder a algumas perguntas interessantes?
  • Poderíamos fazer os participantes combinarem diferentes perspectivas e problemas?

Dependendo do tipo de desafio em que focalizamos o jogo, podemos criar uma perspectiva específica sobre o gerenciamento de alterações que destaca certos aspectos. Aqui, tudo se resume a fazer uma boa correspondência entre o propósito e o desafio. Se o propósito é aprender, talvez precisemos fazer uma simulação. O objetivo é compartilhar conhecimento entre os participantes? Então poderíamos fazer um desafio de mapeamento. Queremos que as pessoas criem novas estratégias para lidar com questões decorrentes da mudança? Podemos fazer com que os participantes combinem diferentes perspectivas e problemas.

A partir daqui, trabalhamos criando regras e experimentando diferentes configurações de participação. Finalmente, escolhemos os materiais ou o software que irá nos ajudar.

InfoQ: Quais habilidades os facilitadores de jogos precisam? Como podem desenvolvê-las?

Inlove: Para ser um facilitador de jogos de negócios, precisamos de um entendimento básico de como funcionam e o que podemos fazer durante uma sessão. Uma das coisas com as quais nos esforçamos no início foi criar abertura para eventualidades, o que é frequentemente necessário. Com jogos de negócios, o facilitador não está totalmente no controle dos eventos e tem que ser capaz de acompanhar o fluxo da sessão sem um plano rígido ou ambição em mente, especialmente em jogos com estruturas emergentes. Coisas boas irão ocorrer durante a sessão, mas pode não ser algo que tenhamos antecipado, por isso temos que aprender a lidar com essas surpresas.

Além disso, como sugerimos no livro, é sempre bom ter em mente os cinco núcleos dos jogos que podem se ajustar ao longo do caminho, 1) as metáforas, 2) os desafios, 3) as regras, 4) a participação e 5) os materiais. Se a sessão não estiver cumprindo com a finalidade, podemos começar a ajustar os elementos do jogo. Talvez precisemos alterar a configuração de participação durante o teste de um jogo em desenvolvimento. Já tivemos casos que tivemos um desempenho ruim e pensamos em todos os tipos de problemas com a mecânica do jogo, até mudarmos a configuração de participação de pares para jogadores individuais e tudo funcionou muito bem. Em outra ocasião, percebemos que o engajamento estava caindo para as "equipes perdedoras" do jogo, então criamos um mecanismo de recuperação que elevou o engajamento novamente. Muitas vezes, no debriefing, o facilitador tem que brincar com a metáfora do jogo para apontar que há mais maneiras de conceber o assunto do que aquilo que foi feito durante o jogo.

Como os facilitadores desenvolvem as habilidades necessárias para facilitar os jogos de negócios? Tudo começa com prática e experimentação. Não podemos ler sobre esses jogos e simplesmente colocar a mão na massa, temos que testar e jogar também. Acho que se realmente quisermos utilizar os jogos na organização, devemos tentar desenvolver nossos próprios jogos simples em assuntos que conhecemos, isso fortalecerá nossa compreensão de como os jogos podem ser uma ótima ferramenta de facilitação. Lembrando que não precisam ser jogos completos, mas apenas pequenos exercícios visuais com algumas regras.

Além disso, trabalhar com metáforas, desafios, materiais, regras e configuração de participação fortalecerá nossas habilidades gerais de facilitação. Rapidamente, nos tornaremos facilitadores mais envolventes e criativos adicionando esses recursos à nossa caixa de ferramentas. Provavelmente teremos uma melhor comunicação porque começaremos a usar mais do que apenas palavras ao tratar de um assunto.

InfoQ: Foi mencionado no livro que há um movimento retrô de jogos de tabuleiro nos países nórdicos. Por quê disso?

Inlove: Poderíamos mencionar vários motivos, mas para resumir, nos concentraremos em dois. Em primeiro lugar, a natureza social da reunião em torno de uma mesa atrai as pessoas hoje em nosso mundo hiper eficaz, onde estamos olhando para telas na maior parte do tempo. É bom termos que nos encontrar com outras pessoas para jogar, em vez de apenas conversar ou mandar mensagens de texto. Na Dinamarca, os jogos de tabuleiro estão associados a um passatempo de qualidade entre as pessoas. Desde que os jogos de computador se tornaram algo comum, mais pessoas têm interesse em jogos, explorando diferentes gêneros e acabam encontrando as mesmas qualidades em jogos de tabuleiro. Com efeitos especiais e super gráficos em todo lugar, é interessante obter algumas variações interagindo com mídias mais primitivas, da mesma forma que ainda apreciamos assistir a um show de fogos de artifícios real, embora tenhamos filmes cheios de ação e efeitos especiais disponíveis.

Em segundo lugar, os jogos de tabuleiro exploram os movimentos dos criadores, a tendência de fazer as coisas do zero. Nos últimos anos tem havido um grande interesse nas pessoas de fazerem os próprios jogos de tabuleiro, e vários grupos dedicados a isso surgiram nos últimos cinco anos. Acredito que isso pode ser o motivo por conta da indústria de jogos de tabuleiro, que fez algumas inovações interessantes na última década, onde foram inventadas novas mecânicas de jogo que realmente se baseiam nos aspectos sociais destes tipos de jogos que os de computador não podem replicar. Cooperação, linguagem corporal, diálogo e imaginação foram refletidos com sucesso nos jogos de tabuleiro. Jogos como Dixit, Cards Against Humanity e The Mind exemplificam isso de forma excelente. Esses jogos são de natureza social e funcionam melhor quando um grupo está fisicamente unido. Acho que os designers de jogos de tabuleiro perceberam que as qualidades desses jogos derivam mais da atmosfera amigável que pode ser criada e das conversas divertidas que as pessoas têm enquanto jogam, e menos das próprias mecânicas do jogo.

Sobre o autor do livro

Jake Inlove é cofundador da GameBridges , uma empresa que desenvolve jogos de negócios para ajudar as organizações a facilitar a inovação e os processos de aprendizagem. Com mestrado em Ciências da Educação, Inlove é especialista em criar ótimas configurações, desenvolver pessoas e organizações.

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