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Inovação via experimentação: como empresas modernas evoluem

Postado por Vitor Puente em 27 Set 2012 |

É comum se pensar que o surgimento de qualquer inovação exige uma ideia grandiosa; a visão de algo inédito. A prática nos mostra que na maioria dos casos o processo de inovação é composto por diversos passos, estudos e análises - com a finalidade de identificar a necessidade e onde se deve inovar. Neste processo, a inovação acaba por se tornar o resultado de um trabalho elaborado e não proveniente apenas de pura inspiração.

Inovação através da prática

Em sistemas de software, quanto maior a quantidade de dados obtidos sobre o comportamento dos usuários, mais fácil será a identificação das partes em que se deve inovar. Além disso, através dos testes do impacto de pequenas inovações, é possível identificar qual é o comportamento do usuário em relação às mudanças.

Há sempre o risco das inovações não serem bem aceitas pelos usuários. Logo, a coleta de dados para fundamentar as inovações a serem implementadas torna-se um procedimento fundamental. Para tal, é necessário inserir no sistema mecanismos para obtenção de métricas sobre o comportamento dos usuários, além de efetuar testes controlados que provoquem uma mudança do seu comportamento. Todas as informações geradas a partir dos testes ajudarão a entender mais sobre os usuários e confirmar ou não a eficácia das inovações que estão sendo implementadas.

Com isso é possível realizar mudanças ou inovações de maneira mais segura. Pode-se prever, pelo menos em nível superficial, o retorno sobre o investimento necessário para implementar tais mudanças - além de evitar desastres que seriam perceptíveis apenas depois da finalização do projeto.

Método científico

A fim de contribuir com o processo de testes das inovações, algumas abordagens defendem o uso do método científico para guiar a implementação da inovação. Um método científico possui os seguintes passos:

Esses passos podem ser usados como um guia de implementação de pequenas inovações em seu software. A Figura 1 detalha a sequência e a interação entre os passos.

Figura 1. Dinâmica entre os passos de um método científico

Da mesma maneira que o método científico, pode-se definir um processo para inovações feitas em um sistema:

A Figura 2 apresenta o fluxo existente entre os passos da metodologia científica, voltado para o domínio de inovação de sistemas.

Figura 2. Dinâmica entre os passos de um método científico voltados para a inovação em TI

O processo de análise dos resultados pode levar à elaboração de novas perguntas, dando início ao processo novamente. É possível que o usuário, de acordo com o seu comportamento diante da inovação introduzida no sistema, tire conclusões que levem a uma abordagem diferente do que foi previsto inicialmente. Também é possível que o comportamento do usuário seja bem diferente, ou até pior, do que o esperado, exigindo assim novas mudanças. O processo se inicia novamente, a mudança é implementada e testada pelos usuários, e novos dados são coletados, resultando em novas conclusões.

Casos reais

Em maio de 2012, o Twitter anunciou diversas inovações em seu sistema, baseadas nos resultados obtidos através da experiência dos usuários. Diversas mudanças foram realizadas para que a usabilidade do site fosse alterada. A mudança na interação era registrada e os dados eram posteriormente analisados.

Dentre as mudanças anunciadas, há desde pequenas alterações, como mudanças de trechos de texto no site, até grandes mudanças como a remoção da caixa para busca. Todo o comportamento dos usuários foi registrado e analisado pela equipe do Twitter. Dessa forma, foi possível aprender mais sobre a eficácia das inovações implementadas, para melhorar a experiência dos usuários.

Em outro exemplo, a IDEO encoraja seus funcionários a "falhar com frequência para alcançar o sucesso o mais cedo possível" (PDF). A falhas mostram a necessidade de um estudo mais aprofundado e o que se deve mudar para inovar com sucesso.

Conclusão

O processo de testar inovações frente aos usuários de um produto ou serviço permite antecipar possíveis pontos de falha. Testar o comportamento dos usuários frente às mudanças gera informações de grande valor que podem ser utilizadas no aprimoramento do desenvolvimento. E através de pequenos passos e melhorias incrementais, pode-se implementar funcionalidades que realmente façam a diferença para os usuários.

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