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Perguntas e Respostas com Dan Szuc e Jo Wong sobre o framework “Make Meaningful Work”

| por Rafiq Gemmail Seguir 6 Seguidores , traduzido por Camilla Albuquerque Seguir 1 Seguidores em 15 mai 2018. Tempo estimado de leitura: 22 minutos |

Pontos Principais

  • O "Make Meaningful Work" é um framework que aplica o design centrado para pessoas em seus locais de trabalho.
  • Planejamentos orientados pelo ego e um estado mecânico de "andar dormindo" podem aumentar pela ausência de: inclusão, senso de propriedade, entendimento e alinhamento de valores pessoais.
  • O "Make Meaningful Work" propõe uma jornada para aumentar a colaboração entre silos por meio da compreensão de perfis diferentes e suas perspectivas.
  • É possível expandir o conhecimento construindo uma força proposital por meio de 21 práticas humanísticas e colaborativas, aplicadas a partir de conexões e intersecções entre perspectivas, contextos e outras informações disponíveis.
  • A construção de produtos significativos e necessários é resultado de um entendimento holístico e do alinhamento entre impactos e valores pessoais.
  • Uma equipe interdisciplinar denominada "Bedrock" colabora para manter a aprendizagem contínua e a construção de uma visão holística do negócio.

Dan Szuc foi líder na área de Experiência do Usuário por quase duas décadas, tendo escrito 2 livros, The Usability Kit e Global UX, além de ter ministrado diversas palestras internacionais sobre design centrado no usuário. Em 2008, Dan e sua parceira Jo Wong fundaram a Apogee em Hong Kong, uma empresa com a missão de espalhar o design centrado no usuário.

Tudo estava bem até 5 anos atrás, quando ambos passaram a se sentir insatisfeitos com suas próprias rotinas de trabalho. Como especialistas de usabilidade, começaram a investigar se seus sentimentos eram sintomas de um problema maior e geral. Rapidamente, identificaram que muitas pessoas também sentiam-se trabalhando no "piloto automático", como se fossem sonâmbulos. Começou então uma jornada rumo à compreensão de pessoas, equipes e projetos no coração da rotina de trabalho. O resultado disso foi um framework nomeado "Make Meaningful Work", cujo qual Dan e Jo ensinam, compartilham e refinam continuamente.

O "Make Meaningful Work" (MMW) é focado em colocar o humanismo no centro da criação de produtos significativos. O objetivo fundamental é criar ótimos produtos de forma responsável, trocando o "piloto automático" pelo o que o framework chama de "sparkle" - um estado no qual os indivíduos sentem satisfação pessoal com o que fazem. Os produtos são feitos com base em fortes relações humanas, valores comuns, práticas colaborativas e um propósito compartilhado.

O MMW utiliza fortemente uma metáfora visual de uma árvore, cuja qual cresce por meio de perfis, perspectivas, intersecções e resultados em impactos.

  • Perfil - Um grupo deve estar atento às dimensões do perfil de cada indivíduo e as equipes que trabalham conjuntamente. Cards de perfil revelam conceitos como o senso de identidade, valores, crenças e intenções.
  • Perspectivas - É um entendimento das dimensões do perfil de cada indivíduo, o que produz uma apreciação dos diferentes pontos de vista dentro de um mesmo grupo.
  • Intersecções - É um entendimento das perspectivas do grupo, permitindo-o trabalhar efetivamente para buscar novas ideias e propósitos por meio da conexão entre diversos pontos. Essa conexão agrega e promove significado aos resultados, conectando aspectos como pessoas, disciplinas, papéis e contextos.
  • Impactos - O grupo pode ter uma compreensão genuína e compartilhada das intersecções entre as informações disponíveis. Assim, o grupo estará melhor preparado para trazer impactos significativos aos indivíduos, equipes, comunidades e, como sempre reforçado por Dan, o planeta inteiro.

Uma vez proporcionado o tempo para melhorias intencionais, o MMW alcança estes estados a partir de um conjunto de 21 práticas profissionais neutras. Essas práticas são humanísticas e centradas na colaboração, sendo intencionalmente selecionadas com base em entrevistas e pesquisas ao longo de inúmeros projetos.

Essas competências são praticadas continuamente e melhoradas intencionalmente por meio de uma equipe responsável em garantir que o trabalho seja significativo e verdadeiro para seus valores e perspectivas compartilhados. Conforme a equipe constrói sua habilidade de gerenciar um conjunto maior de perspectivas e intersecções, também cresce efetivamente uma cultura de colaboração e compreensão compartilhada, direção resultados significativos e sustentados nos mais altos níveis hierárquicos.

Dan, Jo e seus early adopters passaram o último ano treinando e compartilhando seus aprendizados em inúmeras conferências internacionais como a UX New Zealand e a CanUX. Seus workshops de MMW levaram o framework e suas práticas a novos praticantes por Wellington, Seattle, Portland, São Francisco, Los Angeles, Londres, Ottawa e Vercelli.

O InfoQ se reuniu com Dan e Jo para discutir o framework MMW e ouvir suas filosofias sobre o assunto.

InfoQ: Como descrevem o "Make Meaningful Work"?

Dan Szuc: Vamos por partes, desvendando cada uma das palavras.

O "Make" (fazer) é para provocar algo a existir, a acontecer ou apenas provocar. O "Meaningful" (significativo) é sobre ter algo realmente importante, de qualidade ou propósito útil. A palavra-chave aqui é "útil". Já "Work" é uma atividade que envolve esforço físico ou mental para atingir um propósito ou resultado.

Os núcleos do MMW são perfis, perspectivas, intersecções e impactos; estes núcleos são sustentados por uma árvore de prática humanística. As práticas são incorporadas em toolkits e grades curriculares.

O framework tem, na sua base fundamental, algo que definimos como "Bedrock". Este é um espaço em que é possível alimentar as formas mais caridosas, verdadeiras e compassivas nas quais as pessoas podem tratar e estar umas com as outras, além de colaborar em conjunto para fazer o trabalho mais significativo.

Não estou discutindo sobre o espaço físico, mas considere se mover para um espaço vazio com uma equipe base, composto por diferentes áreas. Considere também os pontos fortes necessários no ambiente, não a partir de uma perspectiva da área, mas em termos de personalidades. No caso, isso não tem nada a ver com hierarquias ou cargos. É a partir da mistura entre personalidades e pontos fortes de cada um que temos uma equipe muito divertida para trabalhar.

Há diversos elementos básicos em como fazemos um trabalho significativo.

  • A jornada; saindo do modo "piloto automático" para o que chamamos de "sparkle". Esta jornada é sobre acordar para ver o que está ao seu redor, além de um ponto; cada ponto é uma representação de si mesmo, sua área, função, um pouco de dados ou uma capacidade. Isso o leva a ver intersecções entre os pontos.
  • Quando se vê mais do que um ponto, passa a ser possível desenhar mais conexões entre as informações disponíveis. Representamos visualmente estas informações como corações.
  • A terceira parte da jornada ocorre quando está aberto ao aprendizado, confronto e conquista em grupo. Ou seja, não há falsos alinhamentos. No trabalho pode haver muitos falsos alinhamentos e isso nos leva para longe da execução um trabalho significativo. Envolve muita política; falta uma definição de valor; diversos acordos hierárquicos com a gestão ao invés de acordos sinceros.

O "Bedrock" é a maior intersecção do framework. Ainda não falamos sobre o processo de negócio, nem sobre as entregas ou métricas. Tudo reside por cima da base principal, a árvore da prática humana. É sobre a mudança para os indivíduos e sobre tirar as pessoas deste sonambulismo. A raíz do MMW são perfis, perspectivas, intersecções e impactos.

A equipe "Bedrock" pode fazer exercícios e oficinas relativas aos perfis. Capturamos estas características nos cards de perfis. Faça exercícios e oficinas relativas às perspectivas. Capture estes artefatos sobre perspectivas que se referem à identidade, valores, crenças, intenções e impacto.

Assim, estará pronto para articular que o "Bedrock" é um conjunto. Ou seja, quem é e quais são suas identidade, valores e capacidades compartilhadas. Também estará apto a articular sobre coisas que importam para os indivíduos, e então determinar o que é significativo e no que desejam trabalhar.

InfoQ: Seria correto dizer que o "Bedrock" é um grupo de líderes da prática, com objetivos e confiança em comum?

Szuc: Perfeitamente. Uma vez formado, supostamente haveriam encontros regulares toda semana, ao longo do meses, para continuar a praticar e aprender juntos, garantindo que estamos iterando e nos fortalecendo. Outra forma de olhar para isso é considerar o "Bedrock" como um outro produto dentro da organização.

A equipe "Bedrock" define e garante o aprendizado contínuo e a melhoria das práticas que decidiram ser importantes para eles mesmos e seus contextos (de negócio). Se aprende sobre e a partir de cada um, ganhando novas visões e compreensão.

InfoQ: Como o MMW se relaciona ao aprendizado organizacional?

Szuc: Dentro do "Bedrock" há uma noção de aprendizado organizacional. Talvez esteja apto a explicar muito bem o coração do seu negócio e como pode satisfazê-lo. Entretanto, poderia haver outras coisas que possa oferecer ou monetizar. Poderia haver coisas nas quais não está pensando agora porque, como muitas empresas, se deixa levar pelo cerne do negócio.

Conforme a velocidade aumenta, o foco nesse cerne pré-definido poderá fazer com que as oportunidades em criar novos cernes sejam perdidas. Isso tende a vir de pessoas capazes de ver além de seus próprios pontos de vista, de maneira holística.

InfoQ: Como isso contrasta com abordagens como o Lean Startup, que também oferece oportunidades para aprender e rever seus produtos por meio de experimentos?

Szuc: O MMW pode complementar o Lean Startup. Dentro do Lean, vejo como sendo a experimentação no contexto da construção de um produto ou serviço.

Mas e se pensarmos na experimentação como uma prática para além da melhoria? Poderia ser utilizada de outros modos. Vamos dizer que alguém diga ser muito bom em experimentos, então perguntamos o que significa ter essa força.

Como somos uma empresa de aprendizado, começamos a praticar e melhorar em experimentação. Deveríamos consultar nossos cards de perfil e práticas para, em seguida, começar a perguntar a estes especialistas em experimentação "quais tipos de exercícios podemos fazer para melhorar os experimentos?".

InfoQ: Como a equipe base seleciona suas áreas-chave de prática?

Szuc: Ao viver um dia da vida de um desenvolvedor, gerente de projeto ou outro papel, percebe-se que há táticas e estratégias para o que é feito, além de haver entregas relacionadas. É possível analisar as semelhanças entre os papéis e as ações que estão sendo realizadas a fim de se perguntar, independentemente do seu papel, quais são as práticas humanísticas por trás?

Se trouxermos isso para o "Bedrock", sabemos que estas são as práticas pelas quais nos preocupamos, mas cada papel tem exemplos diferentes dessas práticas, que podem ser usadas para ensinar. Não necessariamente para ensinar alguém a escrever ou codificar, embora isso também ofereça um exercício interessante. Os exemplos são utilizados como sondas para fortalecer as práticas em toda a organização.

InfoQ: Como uma equipe mantém a cadência das melhorias de prática e sustenta o MMW?

Szuc: Parte dos alicerces são sobre o aprendizado contínuo, pois é um espaço de aprendizado. Como uma equipe, deve surgir um plano de aprendizado contínuo. Leia meu artigo recente refletindo sobre o MMW; há uma seção inteira sobre a importância de sustentar isto.

InfoQ: Como uma sessão prática do MMW se parece, visto que as pessoas saem do sonambulismo para os sparkles e alinhamentos?

Szuc: Comece encontrando um tempo na semana, em que possa parar o que está fazendo, sair do modo de produção e entrar em um local ou espaço que seja o modo prático.

Nos workshops, pessoas vêm até a sala; é possível notar que estão ocupadas. Há diversos níveis de desconforto e é preciso fazer com que se sintam acolhidos e bem-vindos neste espaço. Um segundo ponto a lembrar é que estamos montando um espaço para diversão.

Então a jornada é iniciada - descubra os pontos e os conecte. O resto vem de acordo com o tanto de imaginação e criatividade disponível. É apenas uma questão de quais exercícios desejam fazer juntos. Com isso, primeiro junta-se as coisas e depois são criadas coisas conjuntamente.

Queremos uma estrutura suficiente para que sinta como se soubéssemos como a jornada será e o que iremos descobrir nela, mas é desejável também fluidez suficiente para as pessoas sentirem que podem trazer aqui muito delas mesmas. Elas apenas precisam das oportunidades certas. Tão logo as pessoas contribuam para isso, elas se apossam disso.

InfoQ: Como a transformação cultural espalha o MMW além do grupo principal, o "Bedrock"?

Jo Wong: Bem, primeiro é preciso si melhorar e então começar a influenciar pessoas próximas. As pessoas reconhecem quando está se comportando de forma diferente e isso se espalha.

Szuc: Não fale sobre mudanças ou cultura ou transformação. Esses são os efeitos da prática. Na prática, não se fala sobre a mudança, apenas se faz parte dela, executando e ensinando esta prática. É onde a reflexão vem.

InfoQ: Dentro da equipe "Bedrock", qual é o formato de ensino?

Szuc: É de pessoa para pessoa. Comece ensinando aos outros imediatamente. Na equipe "Bedrock", temos visto que a identificação de forças acontece consideravelmente rápido. O que implica em entendermos que há auto-reflexão suficiente, presença e honestidade dentro da equipe para reconhecer que "Sou muito bom nesta prática". Nada em um sentido egoísta ou de se exibir, mas um reconhecimento de que posso ensinar isso.

Se voltar ao entendimento das pessoas, verá em seu núcleo o respeito pelo o que as pessoas têm para oferecer. Isso constrói a auto-estima, o que é algo bonito. Também temos outras atividades e exercícios para oferecer.

Deve haver um espaço para a prática, pois algumas pessoas talvez não queiram participar disso em um "modo de produção" padrão. Em um "modo de prática", é possível apenas se divertir com isso, a produtividade ou qualquer outro indicador não importa. Se confiança suficiente for construída, será possível levar um pouco do que há no "modo de prática" para o "modo de produção". De repente, as ações realizadas se encaixam nas "terras prometidas" de "inovação" e "criatividade".

InfoQ: Como o MMW aborda o problema dos limites entre silos profissionais e equipes?

Szuc: Não estou convencido de que somos nascidos para pensar em silos ou departamentos no fundo das nossas mentes, apenas ensinamos isso.

Quando olho para os silos, vejo que o negócio está estruturado desta forma. Cada pessoa é colocada dentro de um departamento. Então, a questão é quão aberto, dentro deste contexto, o departamento está para participar e fazer a intersecção com outros departamentos.

Há uma mágica nas intersecções. Algo maravilhoso surge dessas viagens e encontros com outros pessoas que possuem outras perspectivas. Este é o porquê do perfil cruzar imediatamente com as perspectivas. Comece pelo seu card de perfil e traga certas dimensões ou perspectivas para ele, baseado em como vê o mundo. Aí surge o mérito de cruzar com as perspectivas de outros cards de perfis. Uma vez que tenha a prática, já estará pronto para quebrar eventuais limites ou silos mesmo sem conversar sobre eles.

Wong: Parte da ideia dos cards de perfis e perspectivas é fazer com que as pessoas vejam coisas a partir de outras dimensões e ângulos. Uma parte do nosso workshop é acordar e confrontar. E para muitos, nem sempre a confrontação vem fácil.

Vejo silos quando equipes diferentes possuem indicadores diferentes ou quando não estão alinhados sobre o resultado que estão esperando.

Quando estes diferentes departamentos possuem indicadores distintos, acabam não sentindo ou se importando sobre qual resultado virá, pois apenas se preocupam com seus indicadores.

Tenho visto equipes que desejam atingir seus indicadores e completar sua lista de tarefas sobre vender para as pessoas que estão fazendo coisas, em vez de questionar sobre o projeto como um todo, o que estão buscando como resultado e como o trabalho das pessoas está contribuindo para isso.

Szuc: Se o "Bedrock" estiver apto para vir com um propósito compartilhado, isso resultará em métricas mais apropriadas e em discussões sobre os indicadores de performance. Basicamente, resume-se em dar às pessoas as ferramentas para que vejam além de si mesmas.

Sempre que olhamos para um elemento discreto de significância, também é importante conectá-lo de volta à nossa história geral. Essa é uma parte muito importante do "Bedrock". Depois de ter uma compreensão de sua história (ou narrativa, ou objetivos, de onde está indo), tudo fica mais fácil porque poderá ver seu lugar no todo.

Wong: Para tirar as pessoas do sonambulismo para o "sparkle". Digo que se colocar o brilho na cabeça das pessoas, a longo prazo, terminarão em um caminho muito diferente.

É por isso que informamos as pessoas para guardar seus cards de perfil e revê-los de tempos em tempos. Sei que as pessoas se consideram muito, mas precisam de uma imagem mais holística. As pessoas têm desvios e não percebem isso. Compartilhe seu card de perfil com os outros. Obtenha um auto conhecimento e conheça os outros.

Quanto mais conversar com os outros, mais conhecerá a si mesmo. Quando mais se fechar, menos irá aprender. Se olhar para a história, os impérios acabaram quando começaram a se fechar. Assim, quanto mais aberto estiver, mais próspero será.

InfoQ: Como chegaram nesse conjunto particular de competências dentro da árvore de prática?

Szuc: Fizemos cerca de 25 a 30 entrevistas neste ano, apenas para começar a identificar práticas; simplesmente pedimos para que as pessoas contassem algumas histórias de projeto - poderia ser um projeto que foi muito bem ou, por que não, um projeto que foi muito mal? Não mencionamos prática em nenhum momento mas, entre linhas, as práticas estavam lá. Ao passar pela transcrição, era inevitável percebê-las. No fim, vimos que se tratava de algo fundamental.

InfoQ: Como as práticas de UX e sua experiência de trabalhar com usuários ajudaram a moldar a estrutura?

Szuc: Bem, o coração é a representação para o "Bedrock". É sobre o coração humano e também sobre o coração do contexto. Há centenas de ferramentas relativas à experiência do usuário, mas seu núcleo é sobre a compreensão das outras pessoas. Isso permaneceu fundamental para a criação deste framework. Não se trata apenas de entender as pessoas à custa de outras coisas.

A experiência do usuário diz que deve-se sair e ouvir as pessoas e não apenas aplicar seus julgamentos, pressupostos e preconceitos. Mantivemos consistência quanto a isso; a Jo é particularmente boa nisso.

Wong: O framework principal realmente surgiu das 25 entrevistas que fizemos com pessoas de todo o mundo. Isso tornou as coisas muito mais claras e fortes. As pessoas estão no coração de tudo isso.

InfoQ: Como foi esse processo de aprendizado?

Szuc: Criamos um plano de pesquisa e algumas perguntas. Como em qualquer pesquisa, começamos com uma hipótese e algumas perguntas para permitir que as pessoas compartilhassem suas histórias.

O que procurávamos era uma história de projeto na qual já tivessem sido experimentados tanto os problemas quanto aspectos positivos. À medida que as pessoas contavam histórias, como em toda boa pesquisa, passamos a procurar padrões e a verificar onde estariam sinais deles. Onde estão as lacunas? Onde estão as oportunidades?

Isso continuará em 2018. Se estiver aberto a aprender e tem um senso de questionamento e curiosidade, a pesquisa não será apenas uma etapa de projeto, mas uma constante. A pesquisa talvez não seja a melhor maneira de falar sobre isso, seria melhor nomeado como aprendizagem, curiosidade ou compreensão.

InfoQ: Qual foi a hipótese inicial?

Wong: As pessoas estão sempre tão estressadas e ocupadas; imaginei que isso poderia afetar sua saúde e gerar desperdícios. O trabalho estava tendo um impacto negativo nas pessoas.

Szuc: Os desperdícios eram uma grande parte disso. Estávamos avaliando anos e anos de projetos em que trabalhamos e perguntando por que tantos requisitos são fantasmas? Não se baseia em nada real. As empresas falam sobre reduzir o risco e melhorar o ROI, mas estão dispostas a gastar milhões de dólares sem base em qualquer necessidade particular. Parece maluco, mas é real.

Na pesquisa, tentamos trazer a verdade para o negócio, ainda que o negócio e as personalidades fortes geralmente não quisessem escutar a verdade. Não querem ouvir quaisquer outros dados. Há muito projeto baseado no ego em vez de projetos baseados no cliente.

Com o "Bedrock", inicia-se a criação dos princípios operacionais, então quando as pessoas passam a produzir declarações egocêntricas sem base, haverá práticas que irão verificar isso e trazer às práticas que foram definidas. O "Bedrock" deveria ser parte do seu aprendizado contínuo.

Seja uma decisão de negócios ou de projeto, muitas vezes há uma intenção muito fragmentada. Voltando a sistemas holísticos, nem sempre há uma maneira de conectar as intenções, e isso é problemático. Significa que uma intenção quebrada existe e talvez não se saiba para onde se está indo, e mais importante, 'por quê?'.

InfoQ: De onde vêm os fundamentos holísticos do MMW?

Szuc: O design centrado no usuário não é sobre design baseado no indivíduo. Existem pessoas conectadas a um contexto, não apenas onde se trabalha, mas também sua casa, comunidade e ambiente. As pessoas não vêem que fazem certas coisas por conta de uma necessidade, e também não vêem as ramificações do que estão fazendo baseadas nessa necessidade. O custo ambiental de garrafas de água é um exemplo disso.

Isto se conecta com a medicina chinesa, na qual não se lida apenas com um sintoma individual mas olha-se holisticamente para como se está lidando com o sintoma e como o sintoma está conectado a um sistema maior.

Wong: Sabe os símbolos "Yin e Yang"? Basicamente, o Yin é o lado frio e o Yang é o lado quente. No seu corpo, tudo tem estes dois lados, que estão constantemente em busca do equilíbrio. Então, quando pessoas são vistas nas empresas, provavelmente possuem muita tensão ao seu redor. Algumas vezes há muito fogo e é preciso acalmar isso.

Há muitos destes exemplos que vejo e reconheço. Este é o porquê dos nossos cards de perfil, tento fazer com que as pessoas se conectem com o que estão sentindo. Qual é seu nível de energia? As pessoas não percebem seus níveis de energia. Na verdade, sequer se dão conta do impacto da falta de dormir. Tudo isso afeta uma série de coisas como o humor, a forma de pensar e se comportar, e suas escolhas.

Szuc: Se tratamos da mesma pessoa indo para um local, seja na vida ou no trabalho, há uma questão interessante: o que é ser verdadeiramente saudável de corpo e mente? Se lidamos com as pessoas no trabalho - que estão nos mais variados graus de saúde - isso afetará o significado dentro deste grupo. E, por sua vez, afetará as práticas. Há uma questão interessante que o "Bedrock" pode fazer, que seria sobre como podemos alimentar práticas saudáveis.

O MMW é, sob muitos aspectos, um modo para reconhecer esses problemas e encontrar uma maneira de ver se podemos ajudar as pessoas a melhorar, considerando o impacto disso.

InfoQ: Como o MMW interage com Agile, Lean, DevOps e outras abordagens colaborativas que incentivam a adaptação, aprendizagem e melhoria contínua?

Szuc: O MMW estende seus braços ao redor de todos eles.

Wong: Este é o porquê de focarmos nas práticas do indivíduo, que são mais granulares. As metodologias de como se trabalha e se colabora assumem que as pessoas já têm as práticas e habilidades para colaborar. É por isso que precisamos melhorar as práticas individuais. Essas abordagens provêm de um bom lugar. A razão pela qual nem sempre funcionam é relativo a quando as pessoas não possuem essas práticas subjacentes.

Szuc: É verdade. E também precisamos conectar isso ao que está acontecendo nas outras metodologias, no que diz respeito à forma como as pessoas trabalham juntas para fazer um trabalho significativo.

Sinto que muitas dessas metodologias se tornaram o foco. Vimos isto em um projeto recente, no qual se ouve "precisamos de um plano para nossos sprints". O foco se tornou o sprint. Não foque apenas no sprint, é preciso conectá-lo à narrativa, ou conectá-lo às práticas e perguntar o que há no sprint que diz respeito aos nossos valores e a maneira como trabalhamos juntos. Pode ser que esteja trabalhando muito mais rápido, mas não está necessariamente fazendo um trabalho significativo.

Então, nesse caso, pergunte qual é a intenção do sprint. Quem está envolvido? O que está criando fora do sprint? Como isso se conecta a outras coisas?

O MMW é agnóstico a metodologias e processos. Não é exclusivo de projetos digitais. Há muitas coisas que podemos aprender com essas práticas, assim como há muito que podemos aprender do esporte e há muito que podemos aprender com a medicina chinesa. Compreenda suas metodologias, e se elas não funcionam, podemos trabalhar de outra maneira. Não precisamos trabalhar em extremos.

O MMW está fundamentado no perfil, ao trabalhar com os indivíduos como são.

A Jo e eu iremos ao UX Hong Kong em março. Venha e converse conosco.

Sobre os entrevistados

Dan Szuc originally é um australiano que mora em Hong Kong há mais de 20 anos. Co-fundador dos eventos Make Meaningful Work e UX Hong Kong; tem se envolvido com com a área de Experiência do Usuário por mais de 20 anos. Já palestrou globalmente sobre design centrado no usuário e é co-autor de dois livros: Global UX, com Whitney Quesenbery, e Usability Kit, com Gerry Gaffney. É membro-fundador e ex-presidente da Associação de Profissionais de Usabilidade (UPA) Hong Kong e foi um dos co-fundadores das conferências UPA China User Friendly. É bacharel em Gestão da Informação pela Universidade de Melbourne, Austrália.

Josephine Wong é co-fundadora dos eventos Make Meaningful Work e UX Hong Kong. Cresceu na multicultural Hong Kong com seu pai chino-birmanês e sua mãe chino-indonésia. É fluente em cantonês, mandarim e inglês, colaborando com equipes globais e conduzindo pesquisa em design e testes de usabilidade. É apaixonada sobre meio-ambiente, política e sistemas econômicos, e também sobre descobrir como podemos viver mais saudáveis, com vidas mais felizes sem impactar adversamente as pessoas menos afortunadas. É membro da Associação de Profissionais de Usabilidade (UPA) do capítulo de Hong Kong. É bacharel em Gestão da Informação e Ciência Social pela Universidade de Melbourne, Austrália.

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