BT

Agile no Setor Público: Repercussão

por Eder Ignatowicz em 03 Jun 2011 |

Em 17 de maio de 2011, publicamos um artigo intitulado "Agile: Fracasso no Setor Público" em que foram apresentadas as considerações feitas por Alistair Maughan (um advogado britânico especializado na área de TI) sobre a impossibilidade prática de se adotar Agile com sucesso em órgãos do governo. Foi grande a repercussão entre os leitores do InfoQ Brasil, e vários especialistas nacionais adicionaram, nos comentários, experiências e opiniões sobre a nossa realidade, que são resumidas aqui.

Alexandre Gomes falou da sua experiência no atendimento de clientes governamentais e na dificuldade enfrentada na adoção do Agile em algumas esferas do setor público. Citou, por outro lado, que certos setores do governo estão buscando alternativas – entre elas o Agile – para melhorar o resultado em seus projetos.

Nos últimos anos, órgãos de controle e governantes superiores têm buscado os melhores modelos de gestão de contratações, para intensificar o combate aos maus contratantes e aos maus fornecedores.

Leandro Guimaraes argumentou que os órgãos do governo, no geral, não são ágeis, e questionou a forma de auditar ou justificar um projeto de software no governo, usando gestão ágil. Na opinião de Leandro, a utilização de pontos de função define uma estimativa e regras para calcular a dimensão de um sistema ou de uma tarefa, mas, ele questionou, em metodologias ágeis não deveria ser a equipe quem deve determinar a complexidade de uma história?

Alexandre Gomes avaliou em detalhes estes e outros questionamentos, afirmando que por um tempo havia aplicado os preceitos ágeis a projetos governamentais com sucesso, embora tenha enfrentando alguns problemas no final de certos projetos, bem como dificuldades em auditorias externas. E acrescentou uma pergunta:

É possível então trabalharmos na esfera pública como manda o roteiro ágil, entregando frequentemente e repriorizando a todo momento?

Continuou destacando que o governo não precisa validar ideias com o mercado para melhor identificar seu nicho de atuação:

As atribuições do governo estão escritas em leis, decretos, medidas provisórias, portarias, resoluções e tantas outras coisas. Logo, o processo de repriorização de backlog de um órgão público deve ser, pela essência de sua atividade, muito menos volátil que a de um empreendimento digital recém-inaugurado.

Alexandre completou que não é de esperar que ocorram, em um órgão público, grandes mudanças no curso de uma aplicação. Se isso vier a acontecer, na visão do TCU  – o principal órgão de controle nacional, que audita os órgãos públicos – ficaria caracterizado que  a gestão do órgão contratou sem necessidade concreta.

Fabio Santos trouxe à pauta o relacionamento de projetos com o retorno de investimento (ROI):

Para mim, o problema do governo é o foco. Gestores são cobrados pelo contrato e não pelo resultado dos projetos no ambiente em que serão disponibilizados. Por isso, talvez seja preciso mudar o foco e parar de medir o tamanho do software (usando story points, pontos de função, pontos de casos de uso etc.) e começar a medir o retorno do investimento. Cobrar uma equipe de desenvolvimento em cima do ROI é o princípio mais básico de agilidade. Sem isso, para mim, é impossível ser ágil.

Fernando Ultremare, identificou alguns riscos em se estabelecer uma relação visando unicamente o retorno de investimento em um projeto:

Precisamos tomar cuidado para não confundir o modelo econômico do projeto, ou seja, como o projeto é financiado para que o backlog seja implementado, com a forma que tecnicamente o projeto é desenvolvido (método). Se estamos falando de pontos Scrum, story points, ideal days (ou qualquer outra medida de técnicas ágeis), esta informação diz respeito internamente à equipe. Trata-se de sua velocidade e deve ser usada em seu processo de melhoria contínua.

Fernando ainda ressaltou que a divulgação de uma informação interna (por exemplo, a pontuação do backlog) para o público externo pode colocar em risco os valores ágeis do projeto. Com essa exposição, a equipe poderia ficar tentada a aumentar artificialmente a velocidade medida, através da manipulação da pontuação, por exemplo, visando ao atendimento de expectativas das partes interessadas.

Podemos concluir a partir das discussões que, apesar de existir grande polêmica referente aos resultados do uso ou não de técnicas ágeis em projetos governamentais, a adoção de Agile depende de uma profunda mudança de mentalidade das partes envolvidas no projeto. Outro ponto importante é o fato de projetos governamentais usualmente não possuem a mesma flexibilidade de escopo encontrada em projetos desenvolvidos em outros setores da economia.

Outra conclusão que se pode tirar é o fato de que a adoção de Agile aumenta o valor obtido em projetos governamentais, gerando evolução dos setores envolvidos. Outro ponto destacado pela comunidade ágil é que os benefícios não se restringem somente à maximização do retorno do investimento: fatores adicionais, como a melhoria contínua, o respeito e o comprometimento entre as partes, a flexibilidade, a busca pelo feedback contínuo e a aproximação com os clientes, poderiam renovar a forma que o governo se relaciona com a sociedade e talvez proporcionar maior qualidade nos serviços oferecidos pelo governo aos cidadãos.

Avalie esse artigo

Relevância
Estilo/Redação

Olá visitante

Você precisa cadastrar-se no InfoQ Brasil ou para enviar comentários. Há muitas vantagens em se cadastrar.

Obtenha o máximo da experiência do InfoQ Brasil.

Dê sua opinião

HTML é permitido: a,b,br,blockquote,i,li,pre,u,ul,p

Receber mensagens dessa discussão
Comentários da comunidade

HTML é permitido: a,b,br,blockquote,i,li,pre,u,ul,p

Receber mensagens dessa discussão

HTML é permitido: a,b,br,blockquote,i,li,pre,u,ul,p

Receber mensagens dessa discussão

Dê sua opinião
Feedback geral
Bugs
Publicidade
Editorial
Marketing
InfoQ Brasil e todo o seu conteúdo: todos os direitos reservados. © 2006-2016 C4Media Inc.
Política de privacidade
BT

We notice you’re using an ad blocker

We understand why you use ad blockers. However to keep InfoQ free we need your support. InfoQ will not provide your data to third parties without individual opt-in consent. We only work with advertisers relevant to our readers. Please consider whitelisting us.