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Equipes e atenção escassa: a eficácia vem da variedade

por Mário Henrique Trentim em 01 Set 2011 |

A forma como nosso cérebro distribui a atenção entre várias atividades simultâneas tem impacto direto sobre o trabalho colaborativo – e exige cuidado especial na composição das equipes. Em artigo recente no Harvard Business Review (HBR), Cathy Davidson fala sobre a atenção seletiva e seus efeitos negativos sobre a criatividade e a visão sistémica.

O artigo destaca que, ao pensar num determinado problema, inconscientemente limitamos as soluções devido à nossa percepção e nossa estrutura mental. Deixamos de considerar fatores externos ao problema, mas que podem influenciar na sua solução e favorecer novas respostas. Quando estamos intensamente concentrados em alguma atividade, o cérebro entra num estado de fluxo, característico, por exemplo, de atletas e artistas em seus melhores momentos. Neste estado de "cegueira seletiva", não prestamos atenção ao que acontece ao nosso redor, além da atividade atual. 

O artigo da HBR descreve um experimento clássico que demonstra essa característica:

Para demonstrar essa limitação do cérebro humano, foi feito um experimento em que é mostrado um vídeo com seis pessoas trocando passes com bolas de basquete. A tarefa das pessoas que estão assistindo é contar o número de jogadas apenas entre as três pessoas vestindo camisetas brancas. A maioria dos espectadores acerta a contagem de quinze passes.  Porém, 60% não enxerga uma pessoa vestida de gorila que aparece em determinado instante. 

O experimento descrito reforça algo que já é bastante conhecido: não conseguimos realmente prestar atenção em mais de uma coisa ao mesmo tempo. Nossa atenção é seletiva e nos concentramos em partes do conjunto. Focamos em eventos ou aspectos discretos – e com isso perdemos informações que estão além dos limites estabelecidos pelo nosso campo de atenção. 

Por outro lado, pessoas diferentes enxergam situações e concentram sua atenção em aspectos diferentes. Se esse aspecto for bem utilizado, pode resultar numa visão mais completa e a geração de novas ideias quando trabalhamos em grupo. Para isso, porém, é preciso compreender a singularidade de cada indivíduo e aceitar que todos podem contribuir positivamente em áreas diferentes.

A soma das atenções concentradas dos indivíduos cobre uma extensão maior do problema/solução enfrentado pelo grupo, driblando as limitações da atenção seletiva, ou cegueira, individual. Portanto, é preciso estruturar as interações na equipe para vencer a limitação da atenção concentrada. Uma das formas de se fazer isso é assegurar que todos deem sua opinião, segundo seus pontos de vista, de modo a reduzir ou eliminar o viés individual. 

Não importa o quanto se tente, ninguém consegue ver o todo completamente. Nossos cérebros não foram construídos para isso. Cada pessoa enxerga uma parte da visão global ou do cenário. Porém, em grupo, é possível selecionar membros com diferentes formações e áreas de especialização, para que contribuam e enriqueçam a equipe com uma variedade de observações e soluções. A colaboração de cada pessoa compensa a deficiência das outras. 

Muitas vezes, essa é a chave para pensar "fora da caixa": trabalhar num grupo estruturado, formado por pessoas de experiências diversas, e que possuem um sistema de interação e comunicação que permita e encoraje a contribuição de cada indivíduo. 

Embora o trabalho em grupo traga vantagens sobre o individual, é preciso construir equipes heterogêneas e desenvolver um bom relacionamento entre as pessoas, de modo que possam se ajudar. Ou seja, não é qualquer grupo de pessoas que tomará melhores decisões que um indivíduo. O objetivo é desenvolver times de alto desempenho, no qual os membros possuem competências individuais e são capazes de colaborar entre si.

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