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Explorando a causa de problemas com a Análise de Hipóteses Concorrentes

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O método de análise de hipóteses concorrentes (ACH - Analysis of Competing Hypotheses) pode ser usado para avaliar múltiplas hipóteses concorrentes na investigação de problemas. O método reduz vieses cognitivos que humanos experimentam ao explorar a causa de problemas.

O processo ACH é descrito no capítulo 8: Análise de Hipóteses Concorrentes do livro Psychology of Intelligence Analysis de Richard J. Heuer Jr. O Centro de Pesquisa de Palo Alto (PARC) desenvolveu uma ferramenta ACH que está disponível ao público gratuitamente para fins educativos ou não comerciais.

Frederick J. Rüegger e Jörg Bächtiger apresentaram os Métodos do serviço secreto para encontrar e corrigir danos distribuídos inexplicáveis na conferência OOP 2015. A InfoQ americana os entrevistou sobre a identificação de causas de problemas usando o método de análise de hipóteses concorrentes e como isso difere da análise de causa raiz, além de questionar sobre as vantagens que o ACH pode trazer.

InfoQ.com: Como as pessoas geralmente fazem para encontrar a causa dos problemas?

Rüegger / Bächtiger: Somos terríveis, péssimos.

Encontrar a real causa de um problema ou a real motivação por trás de uma ação é difícil por natureza. Algumas vezes, entretanto, isso é difícil porque existe a tendência de se enganar de diferentes formas. Normalmente, simplesmente não é possível ver pistas vitais e óbvias enquanto veem-se padrões em locais que não há nenhum. Resumindo, o julgamento é tendencioso e não se tem ciência disso.

Lembro de olhar para algo como Class.forName("java,net.FindException") ou Class.forName("java,net.8indException") ou Class.forName("java,net.BlindException") por longos momentos… antes dos meus olhos pararem de refutar o óbvio.

InfoQ.com: O que torna tão importante descobrir as reais causas de um problema?

Rüegger / Bächtiger: O último exemplo é trivial, porém ao dar conselhos sobre questões de software envolvendo grandes riscos, custos ou investimentos é desejado ser assertivo. Não importa realmente se o assunto é um defeito inexplicável que já aconteceu antes ou uma solução de arquitetura futura. É importante não deixar nada de fora, documentar e explicar o posicionamento tomado. Não se deve olhar superficialmente para premissas que parecem ser obviamente corretas e que posteriormente se tornarão quimeras. Incertezas conhecidas raramente são perigosas, suposições tácitas que se revelam errôneas e todas as coisas que sequer foram pensadas surgirão no final.

InfoQ.com: Poderiam descrever o método de análise de hipóteses concorrentes (ACH)?

Rüegger / Bächtiger: O ACH é um método estruturado inventado pela CIA para decidir entre um conjunto de explicações possíveis (chamadas hipóteses). Funciona organizando essas hipóteses, algum conhecimento e indicações circunstanciais (evidências) em uma matriz.

Usando o ACH tenta-se refutar o máximo de hipóteses possíveis julgando como cada peça de evidência afeta a credibilidade de cada hipótese. Finalmente avalia se o diagnóstico da evidência é o bastante.

ACH é somente um dentre uma multidão de métodos "leves" da inteligência que pode tornar nossas vidas enquanto geeks muito mais fáceis. É como uma luta entre as hipóteses com base no estado da evolução de seu conhecimento.

InfoQ.com: No que o ACH se difere da análise de causa raiz (cinco por quês)?

Rüegger / Bächtiger: Análises de causas raiz (cinco por quês, espinha de peixe, entre outros) partem de um efeito observável e de uma causa imediata para esse efeito. A suposição é que, por trás da causa visível, haja outra causa não observada que pode ser identificada perguntando repetidamente "... e por que isso ocorre?" ou "... e o que desejamos alcançar com isso?".

ACH não assume nenhuma estrutura causal, entretanto. O oposto é bem verdade: apenas hipóteses mutuamente excludentes são consideradas! ACH não busca por causas, apenas relaciona o seu conhecimento a diferentes explicações possíveis.

InfoQ.com: Como se pode formular uma boa hipótese?

Rüegger / Bächtiger: Um conjunto de métodos analíticos, como a análise de causa raiz, pode ser usado juntamente com o ACH como um "gerador de hipóteses", especialmente quando há alguma documentação de engenharia para navegar.

Em circunstâncias nas quais tudo o que se tem para trabalhar são opiniões e palpites, existem ferramentas mais adequadas. Achei sessões de post-it e encontros de focus groups muito bons quanto a geração de ideias. A Técnica de Delphi é inestimável para se atingir consenso quando experts discutem um modelo de dados..

Por fim, listas de checagem de "hipóteses enlatadas" podem ser uma boa idéia.

InfoQ.com: A experiência demonstra que pode ser difícil encontrar boas evidências para causas específicas. Há alguma sugestão de como fazer isso?

Rüegger / Bächtiger: O que constitui uma boa evidência? De acordo com o ACH, qualquer pedaço de informação pode ser uma evidência. É possível medir a qualidade de um pedaço de informação ou estabelecer a credibilidade de sua fonte, diferenciar entre informações primárias expressamente criadas para análise manual, informações secundárias já existentes e assim por diante. Uma das forças do ACH é que isso não importa: deve-se começar com um conjunto de evidencias circunstanciais fracas e rapidamente descobrir que o conjunto de informações disponíveis não ajudam a distinguir entre hipóteses boas e ruins. Isso gera uma vantagem sobre o uso da mera intuição. Com o ACH é possível entender que não há avanço porque as evidências não são suficientes. De outra forma, se notaria que uma dificuldade é enfrentada, mas indiscutivelmente não se saberia o que fazer a partir de então. Saber que algo não é conhecido é um efeito colateral do ACH.

Além disso, se uma evidência é insuficiente, pode-se imaginar o que falta para eliminar todas as possibilidades menos uma. Isso definitivamente é um bom passo em direção a um plano de coleta de informação. Antes de se tornar um agente secreto e irromper em missões de inteligência, é importante recordar que informação vem com um custo, e decidir se um pedaço de conhecimento vale a pena antes de obtê-lo pode ser bastante complicado. Frequentemente algum substituto para a informação desejada já existe na organização, apenas não se sabe onde está ou o que é, e às vezes sua utilidade não é reconhecida.

InfoQ.com: Poderiam citar algumas vantagens de usar o método de análise de hipóteses concorrentes?

Rüegger / Bächtiger: A maior vantagem deste método é que ele efetivamente reduz muito o viés induzido pelas limitações da experiência humana ao buscar causas ou efeitos desconhecidos. O truque é que o ACH tenta refutar o máximo de explicações possíveis ao invés de focar em uma hipótese de estimação e tentar prová-la.

Às vezes consegue-se refutar todas as hipóteses com exceção de uma, e às vezes não, mas ao menos pode-se listar as hipóteses ainda válidas por probabilidade e fazer uma análise qualitativa sobre elas.

Um grande efeito colateral de usar o ACH é a geração de um bom catálogo ordenado de coisas que funcionaram ou não. Pode-se construir argumentos lógicos para as conclusões às quais a equipe chegou.

Mais informações podem ser encontradas no livro Psychology of Intelligence Analysis de Richard J. Heuer Jr.

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