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Focando na qualidade em processos ágeis utilizando Lean

| por Ben Linders , traduzido por Delfino Gomes em 12 jul 2017. Tempo estimado de leitura: 6 minutos |

O manifesto ágil e as práticas lean são bastante complementares. Segundo Renaud Wilsius, diretor de P/D na BISAM, adicionar práticas lean a um processo ágil robusto pode ter grande influência na melhoria da qualidade. Entrevistar clientes reais, ou um proxy do cliente, para compreender muito bem suas dores e ver o processo através da imersão na comunicação entre departamentos ajudam a revelar problemas mais rápido e corrigi-los de forma eficiente a um custo menor.

Renaud Wilsius apresentou no Lean IT Summit 2017 como aplicar as práticas do lean em um processo ágil para focar em qualidade. O InfoQ fez a cobertura desta palestra com perguntas e respostas, confira a seguir.

InfoQ: No evento você falou sobre ter problemas com a qualidade. Você pode descrever a situação?

Renaud Wilsius: Como um desenvolvedor na BISAM, uma Companhia FactSet, sempre levei a sério a qualidade dos produtos. Nós adotamos eXtreme Programming em 2006 e, desde então, nós adotamos o pair programming o tempo todo. Esta prática tem sido complementada pela abordagem de desenvolvimento orientado por testes na qual o desenvolvedor escreve os testes antes de escrever a lógica de negócio. Para dar suporte à essa abordagem, nós construímos um poderoso framework de testes que hoje auxilia na execução de mais de 20 mil testes.

No entanto, o nível de qualidade não estava dentro do esperado no início do nosso projeto. A complexidade do software vinha aumentando conforme conseguíamos novos clientes. Muitas combinações técnicas nos levaram a testar um número quase que infinito de resultados possíveis, enquanto que mais clientes com diferentes tipos de uso do produto nos levaram a incrementar a necessidade de dados reais do cliente para reproduzir os problemas pelos quais eles estavam passando. Como os dados são propriedade do cliente, os bancos de dados são muito grandes e visto que nosso software é instalado dentro do próprio cliente, não é possível solicitar esses dados.

Os clientes amaram nosso produto, que eles acharam de fácil entendimento e também adoraram as novas funcionalidades. Mas nenhum deles queriam aceitar as primeiras versões. Eles enfrentaram muitos problemas de instalação e cada vez mais reclamavam do número crescente de bugs abertos sem um plano de correção.

InfoQ: O que fez você decidir ir em busca da abordagem lean para resolver os problemas?

Wilsius: A determinação de resolver a situação veio da alta gerência, pois os KPIs do projeto estavam visíveis para os donos da maior parte da nossa empresa. Uma coisa boa sobre ser acompanhado de perto é que nós tivemos total apoio da nossa hierarquia para fazer nossas escolhas e eles estavam prontos para investir em uma mudança visível e rápida.

Nós avaliamos a opção de repassar a garantia de qualidade para uma equipe externa e nos reunimos com algumas empresas altamente qualificadas que trouxeram diversas recomendações. Esta abordagem era muito conveniente de explicar para nosso cliente: "nós tivemos um problema de qualidade, identificamos o problema e colocaremos um time para resolvê-lo. Estamos gastando o valor X e aqui está a lista do que eles farão por nós para garantir que nunca mais os padrões de qualidade fiquem baixos novamente".

No entanto, nossos gerentes de P/D e eu não sentimos que esta seria a abordagem correta: "terceirizar nossos problemas". Tendo em consideração que essas empresas conseguissem construir a "barreira de qualidade" perfeita, nós ainda teríamos que identificar o problema e corrigir a causa raiz do mesmo. Nós tínhamos confiança em nossa experiência como desenvolvedores e nós pensamos que, se alguém tivesse que enfrentar o problema, seria muito mais natural trazer a situação para quem o tivesse criado de forma eficiente e em curto prazo. Nós acreditamos que os desenvolvedores na nossa equipe estão lá para fazer o melhor que podem, mas de tempos em tempos eles erram e isto é devido ou a falta de conhecimento, ou, mais provavelmente, a um problema sistêmico.

Com este mindset ágil, nós naturalmente nos reunimos com a Oparae Partners que nos ajudou a identificar o problema utilizando uma abordagem lean. Primeiramente, entendendo melhor o que o nosso cliente deseja em termos de qualidade, e posteriormente, envolvendo todos os times no redesign e melhoria do ambiente de trabalho para alcançar a qualidade desejada.

InfoQ: Como você começou sua jornada lean?

Wilsius: Nós começamos a partir do cliente, entrevistando clientes reais ou proxies do cliente (gerentes internos que representavam o cliente) para entender de forma profunda suas dores. Então, nós usamos essa informação para tornar o problema bem específico:

  • Muitas instalações de software falhavam.
  • Muitos erros de regressão.
  • Muitas release de software sem documentação atualizada.

Nós colocamos todos os departamentos juntos para revisar o processo atual, focando na transição de tarefas entre departamentos e transformamos uma de nossas salas para ser nossa Obeya, onde colocamos todos os indicadores visuais de performance.

Primeiramente, nosso objetivo era entregar uma boa versão para um cliente específico.

No nosso time, mesmo que inicialmente nós tenhamos embarcado toda a P/D, nós entendemos de cara que o projeto estava perdendo ritmo porque algumas pessoas estavam relutantes com a abordagem lean. Algumas pessoas eram experts em sua área e preferiam conviver com seus problemas ao invés de resolvê-los. Entender a causa raiz do problema pode consumir muito tempo e muitas pessoas sentem que isto é uma perda de tempo, que é retirado do tempo que estariam produzindo… Portanto, nós decidimos focar nas pessoas e times que estavam mais receptivos a adotar a mudança, enquanto mantivemos o outro time no circuito para se preparar para uma transformação maior.

Aqueles que seguiram a tendência, mostraram rapidamente um progresso visível, o que cultivou o respeito dos demais e removeu a ansiedade e as preocupações de outros times que talvez as tivessem.

InfoQ: Você conseguiu obter bons resultados com o lean em três meses. O que foi que te ajudou a conseguir resultados tão rapidamente?

Wilsius: Para introduzir uma nova prática, sempre é bom ter um ponto de disrupção. Nos nossos casos tivemos uma crise com um cliente insatisfeito que exigia resultados imediatos. Ser ágil é parte do nosso DNA e como uma empresa eu sempre consegui me adaptar às mudanças muito mais rápido que outras empresas.

Quando se pensa a respeito disso, o manifesto ágil e as práticas lean são bastante complementares. Como Deming, nós sempre consideramos que "a qualidade é responsabilidade de todos". Portanto, qualquer metodologia que nos ajude a descobrir problemas o mais rápido possível seria um progresso para o nosso time. Por último, mas não menos importante, a abordagem lean foi escolhida por gerentes com o apoio de sua cadeia hierárquica, o que ajudou muito na adoção do desse novo processo.

No fim, eu penso que o lean tem sido um bom acréscimo a um processo ágil muito forte, descobrindo novos problemas de forma mais rápida e corrigindo esses problemas mais rápido por um menor custo.

InfoQ: O que você aprendeu na sua jornada lean? O que foi que te ajudou a continuar com o lean?

Wilsius: Em termos de lições aprendidas, eu diria que você deve confiar nas pessoas que estão na linha de frente do trabalho. Elas são as pessoas com maior conhecimento a respeito de seus trabalhos e estão ávidas por fazer seus trabalhos da melhor forma que podem. Ensine a eles o jeito lean de pensar para que eles entendam os problemas que têm e para começarem a solucioná-los. Uma vez que estas práticas tenham sido incorporadas, a gerência precisa dar apoio às práticas lean em cada nível da hierarquia para fazer a prática se firmar na empresa.

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