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A importância do aprendizado, da segurança psicológica e da entrega contínua

| por Daniel Bryant Seguir 147 Seguidores , traduzido por Camilla Albuquerque Seguir 0 Seguidores em 20 set 2017. Tempo estimado de leitura: 8 minutos |

Na conferência Agile on the Beach 2017 que aconteceu em Cornwall, Reino Unido, centenas de pessoas se reuniram para discutir as últimas tendências e descobertas na área de metodologias de desenvolvimento ágil e pós-ágil. As conclusões que se destacam são:

  • Com a maioria das empresas trabalhando dentro de um sistema adaptativo complexo, todos dentro de uma organização devem ser encorajados a aprender e a co-desenvolver;
  • Cultivar um ambiente que promova a segurança psicológica é vital para que as pessoas se sintam seguras para experimentar, falhar e aprender;
  • O uso de mapas, como no mapeamento de histórias de usuário (user stories), é essencial para o desenvolvimento de uma compreensão compartilhada por toda a organização;
  • Equipes devem se concentrar em entregar continuamente valor de negócio; e devemos aprender a adotar e explorar de forma eficaz as novas tecnologias.

A palestra de abertura, "Líderes de aprendizado sempre aprendem", foi apresentada por Diana Larsen, co-fundadora da FutureWorks Consulting LLC, e focou na premissa de que assim como o desenvolvimento de software é um trabalho de conhecimento, e um trabalho de conhecimento é um trabalho de aprendizado, o aprendizado efetivo leva à agilidade e resiliência, ambas vitais para se trabalhar em um ambiente complexo. Citando W. Edwards Deming, "aprendizado não é compulsório, nem a sobrevivência", Larsen discutiu sobre como a maioria dos ambientes de negócio modernos são inerentemente Voláteis, Incertos, Complexos e Ambíguos (VUCA), exigindo coragem, compaixão e confiança dos líderes para que sejam efetivos.

Learning is not compulsory

A coragem pode ser demonstrada pelo "aprendizado em voz alta", estando disposto a ser curioso e errado às vezes. Líderes devem tentar remover obstáculos à aprendizagem: individualmente, não é egoísta ter um tempo para aprender; as pessoas devem se dar "permissão para sugar" habilidades alheias antes de se tornarem adeptas dela. Entre times, a segurança psicológica é vital. Citando uma apresentação recente de Matt Sakaguchi no QCon New York, Larsen trouxe um estudo de Amy Edmondson sobre a efetividade dos times Google, e expôs que líderes devem cultivar uma crença compartilhada de que o time é seguro para permitir a tomada de riscos interpessoais.

O aprendizado deve ser iterativo, construído com base no que veio antes, e isso leva à confiança. Larsen apresentou suas Cinco Regras para o Aprendizado Acelerado:

  1. Mantenha vivo - sobre o sentimento de energia e colaboração;
  2. Estabeleça primeiro - sobre criar um ambiente que promove o aprendizado;
  3. Lute pela fluência - sobre criar simulações que desafiam e permitem os aprendizes a exercitar ou melhorar seu aprendizado;
  4. Comece óbvio e permaneça óbvio;
  5. Concentre-se no estado de fluxo - sobre se concentrar para estabelecer um estado de fluxo balanceado entre o nível de habilidade atual e o desafio apresentado.

O primeiro workshop do dia foi uma oficina interativa sobre mapeamento de histórias com Jason Bootle. A apresentação começou por uma introdução a técnica de mapeamento de histórias de usuário, criada por Jeff Patton e Peter Economy. Bootle, um designer de serviços e produtos freelancer, afirmou que "documentação compartilhada não significa compreensão compartilhada" e que o mapeamento de histórias de usuário é uma técnica colaborativa para atingir uma visão consistente do algo que está sendo criado, além de um backlog com prioridades e um roadmap para iterações futuras. Dores e oportunidades são destacados também, permitindo que a pesquisa de usuários e atividades de design sejam aplicadas adequadamente. Este mapeamento ainda dá suporte ao estabelecimento de uma linguagem comum por toda a organização.

Documentação compartilhada não significa compreensão compartilhada.

Antes do time começar a utilizar o mapeamento de histórias, Bootle sugere que seja definida a proposta de valor, de acordo e conjuntamente com a visão e objetivos principais, personas ou proto-personas, e com todas as hipóteses a serem validadas. Para a parte interativa do workshop, estes elementos foram previamente providenciados, e os participantes formaram pequenos grupos para trabalhar com inúmeras iterações de mapeamento. O workshop teve ritmo acelerado e proporcionou uma ótima oportunidade para o aprendizado básico da técnica. A sessão foi encerrada com os participantes compartilhando suas experiências e com Bootle fornecendo mais referências para exploração.

User story mapping

As palestras da tarde começaram pela "Design de times para entrega contínua", de John Clapham, diretor e consultor da Cotelic. Clapham iniciou propondo que poderia parecer que a fórmula para criar grandes equipes de engenheiros é bem conhecida; estes times devem ser "multifuncionais, formato-T, tamanho-pizza e habilitados ao manifesto". Entretanto, esta não é a realidade para muitos, e o restante da palestra foi focada em como cultivar traços da equipe para uma entrega contínua efetiva:

  1. Um forte desejo de aprender e co-evoluir
  2. Entendimento dos objetivos do negócio, e autonomia para agir quando necessário
  3. Segurança - para assumir riscos, ter sucesso e falhar
  4. Habilidade para gerir um alto nível de interações
  5. Auto-percepção de conquista

A co-evolução pode ser observada na natureza, onde os animais florescem com base em relações simbióticas. Essa característica é vital nas empresas que utilizam o software para oferecer valor de negócio, pois a capacidade de aprender deve estar presente e evoluir em todas as partes da organização. Citando The Lean Enterprise, Clapham sugeriu "usar a entrega contínua para reduzir o risco de versões e diminuir o tempo do ciclo, tornando econômico o trabalho em pequenos lotes", e para que isso seja efetivo, todos devem entender a visão geral e os objetivos que a empresa está tentando alcançar.

Além de entender os principais objetivos de negócio, as pessoas devem ter autonomia para implementar mudanças. Empresas modernas operam cada vez mais em um ambiente complexo. Clapham recomendou a leitura de "Equipe de equipes", um relato sobre como o General Stanley McChrystal -- à frente do Comando de Operações Especiais em Conjunto (JSOC), na operação de contra-insurgência liderada pelos EUA no Iraque -- descartou um século de sabedoria de gestão e evoluiu de uma busca da eficiência mecânica para a adaptabilidade orgânica.

Team of Teams

Clapham ainda referenciou o Projeto Aristóteles do Google, um estudo extensivo dos funcionários Google, que chegou à conclusão de que a segurança psicológica dentro dos times está altamente correlacionada com a eficácia. Outros fatores importantes incluem a confiabilidade dos membros do time, a estrutura e clareza dos objetivos e papéis, e o impacto e significado do trabalho feito. Por fim, Clapham discutiu vários experimentos que utilizaram medalhas sociométricas para avaliar o número, tipo e qualidade das interações. Os resultados frequentemente demonstraram que um alto nível de interações sociais estava correlacionado com resultados efetivos. Por exemplo, o Bank of America gerou um aumento de $ 15 milhões de dólares na produtividade anual após medir interações e então modificar as pausas de trabalho para maximizar as interações.

Os pontos-chave vindos de Clapham são: procure feedback no seu trabalho; seja curioso e aberto a perguntas; recompense o comportamento (correto); ignore seu título de trabalho e foque em entregar valor de negócio; e pense pequeno.

Ilan Kirschenbaum apresentou "7 coisas perigosas que você deveria deixar seu time fazer", inspirado por um TED talk chamado "5 coisas perigosas que você deveria deixar suas crianças fazer" (e pelo livro correspondente). A principal tese de Kirshchenbaum é a de que operamos agora em um mundo complexo, no qual é mais efetivo explorar-sentir-reagir; devemos encorajar times a experimentar e também tornar seguro para que falhem. Kirschenbaum discutiu os benefícios de encorajar a criação de hipóteses, da experimentação e retrospectivas, e citou exemplos destes experimentos, como desenvolvedores de uma empresa liderada por comando e controle, atendendo ao cliente frente a frente, com desenvolvedores instalando código ao vivo (com a devida segurança), encorajando times a criar um projeto FOSS, e a organizar um hackathon para toda a empresa. Nos últimos vinte minutos da palestra aconteceu um workshop interativo, no qual os participantes formaram grupos para projetar experimentos que eles poderiam rodar dentro de suas organizações.

Cynefin framework

A última palestra do dia foi apresentada por Dan North e James Lewis, e mostrou "Como quebrar as regras". Citando o trabalho de Eliyahu Goldratt no livro seminal "O objetivo", North afirmou que "tecnologia pode trazer benefícios se, e apenas se, ela diminui uma limitação", e discutiu com somos realmente ruins em adotar e explorar novas tecnologias. Uma série de regras foi apresentada sobre como efetivamente adotar uma tecnologia:

  1. Qual é o poder desta tecnologia?
  2. Qual é a limitação que esta tecnologia diminui?
  3. Quais regras nos permitem gerenciar esta limitação?
  4. Quais são as novas regras necessárias?

Discutindo tecnologias como o Planejamento das Necessidades de Materiais (MRP) e Planejamento de Recurso Corporativo (ERP), North e Lewis comentaram que as regras para lidar com processos antigos/existentes e tecnologia muitas vezes se tornam políticas ou leis, como um planejamento mensal e compras em grandes lotes, ou maximizando a utilização e usando a contabilidade de custos. Ao adotar novas tecnologias nestas áreas, organizações precisam se adaptar para re-planejar frequentemente e solicitar prazos mais curtos, usando a contabilidade da taxa de transferência para medir o fluxo de valor de maneira holística.

O primeiro dia da conferência Agile on the Beach terminou com uma festa na praia Gyllynvase, onde os participantes refletiram sobre o dia e compartilharam experiências e histórias enquanto desfrutavam de um churrasco. Mais informações da conferência podem ser encontradas no site Agile on the Beach, com vídeos das apresentações disponíveis dentro das próximas semanas no canal do youtube do evento.

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