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Sistema Bancário e containers: como lidar com esse cenário?

| por Daniel Bryant Seguir 632 Seguidores , traduzido por Germano Fronza Seguir 0 Seguidores em 16 out 2017. Tempo estimado de leitura: 5 minutos |

No DevOps Enterprise Summit EU 2017, que aconteceu em Londres, o InfoQ conversou com Amine Boudali e Jose Quaresma sobre os principais tópicos de sua apresentação sobre a utilização de containers em um sistema bancário ("How Do You Fit a Core Banking System into a Few Containers?").

Boudali é gerente de projetos sênior na Nordea e Quaresma é líder de DevOps na Accenture DK. Durante a palestra, eles apresentaram os benefícios e desafios de usar a tecnologia de containers em uma recente transformação digital no grupo Nordea, que é o maior grupo de serviços financeiros no Norte da Europa. Os principais pontos a serem levados da apresentação incluem:

  • uso de cloud pública para um sistema bancário central é ainda, de certa forma, muito controverso, e o objetivo da iniciativa tomada pela Nordea era provar a viabilidade da plataforma;
  • com relação ao sucesso de um projeto de transformação, a métrica que realmente importa pode ser a taxa de adoção;
  • não foi extremamente difícil containerizar o software Oracle existente;
  • os dados stateful ficam em um volume externo e persistente montado em um container.

A transcrição completa da entrevista pode ser lida abaixo:

InfoQ: Bem-vindos ao InfoQ! Vocês falaram no DOES EU 17 sobre a utilização de containers em um sistema bancário, que foi parte do trabalho realizado para o Programa de Banco Central (PBC). Vocês poderiam explicar um pouco mais sobre as motivações e os objetivos deste programa? Quais foram os principais pontos observados?

O PBC é um dos principais componentes da atual jornada de simplificação que ocorreu na Nordea, que é, atualmente, a maior transformação em bancos Europeus. O PBC está entregando uma solução padronizada para transações bancárias, depósitos, empréstimos, hipotecas e gerenciamento global de caixa. Podendo contar com o T24 da Temenos como sua plataforma de banco central, o PBC focou em entregar valor frequente e de maneira incremental com o objetivo de permitir atingir rapidamente o valor de negócio estimado e evitar uma abordagem complexa e gigantesca.

Durante essa apresentação, nós compartilhamos nossa própria jornada: onde começamos, como começamos, e onde estamos agora. Também mostramos um passo a passo de como tratamos os principais desafios que enfrentamos combinando diferentes tecnologias e conceitos para criar aceleradores, garantindo uma rápida chegada ao mercado e a qualidade dos produtos.

InfoQ: Com a crescente popularidade de plataformas de cloud públicas e PaaS, quais são os principais fatores de decisão para uma organização com relação à criação de uma plataforma interna ou comprar/alugar uma plataforma externa?

Na nossa situação, a utilização de cloud pública para um sistema bancário central ainda é muito controversa. Consequentemente, o objetivo da nossa iniciativa é provar a viabilidade da plataforma, tendo em vista uma futura transição sem grandes esforços para uma cloud pública/híbrida.

Do ponto de vista pessoal, nós vemos o propósito dessa aplicação em questão para essas plataformas como um fator importante. Aqui podemos incluir aspectos como carga de trabalho, padrões de uso e funcionalidades empresariais. Outro ponto decisivo é a maturidade da plataforma em questão: estamos falando de uma introdução antecipada da plataforma onde mudanças são necessárias ou estamos em uma fase estável? Esta é, naturalmente, uma visão simplista sobre uma análise que pode levar meses para concluir e onde cada empresa terá seus próprios direcionamentos.

InfoQ: Que tipos de métricas/KPIs uma organização deve estar monitorando antes e durante qualquer migração para uma nova plataforma (seja interna ou via cloud pública)? Qual é a métrica mais importante que indica que uma organização foi bem sucedida?

Além das medidas habituais, como custo, manutenção e o "sexiness". Se tivéssemos que escolher uma métrica importante, escolheríamos a taxa de adoção. Se você tiver sucesso na migração para a nova plataforma, e outros clientes estão batendo na sua porta para também colocar suas aplicações nela, então você pode comemorar, pois é prova de que fez um bom trabalho e as pessoas querem um pouco desse sucesso também.

InfoQ: Não ouvimos falar muito sobre a utilização de containers com softwares Oracle já existentes (embora a Oracle esteja fazendo um trabalho interessante no contexto de containers). Qual foi a sua experiência com isso e como lidou com serviços stateful?

Esse é um ponto bem importante, e nós estamos bem cientes de que rodar softwares Oracle em containers não é o melhor caso de uso para uma aplicação containerizada. Nosso objetivo era ver quão longe conseguiríamos levar o sistema bancário central T24 com a stack tecnológica atualmente utilizada. Na nossa experiência, não foi extremamente difícil passar a utilizar containers com o software Oracle, apesar da existência de alguns pontos negativos, e nós conversamos sobre alguns deles na nossa apresentação. Entretanto, a forma como lidamos com os componentes stateful dentro da aplicação, os dados do PBC ficaram no banco de dados e fizemos com que os dados do container do banco da dados ficassem dentro de um volume persistente.

InfoQ: De maneira resumida, quão relevante vocês acreditam ser o trabalho de DevOps para organizações modernas que precisam evoluir rápido? Na experiência de vocês, o que é mais importante em um típico cenário empresarial: a necessidade de mudança organizacional ou mudança tecnológica?

É primordial. Enxergamos DevOps não apenas trazendo mudanças no aspecto tecnológico de transformação, mas também complementando com um processo e finalmente uma mudança cultural.

Acreditamos que a importância da mudança organizacional e tecnológica é ditada pela maturidade da organização na qual a mudança está ocorrendo. Organizações modernas já estão tipicamente utilizando tecnologias modernas, que no caso são capazes de alavancá-las para permitir e maximizar os benefícios de suas mudanças organizacionais.

Organizações com, assim dizer, uma certa bagagem, podem estar considerando uma renovação da propriedade tecnológica e fazer o básico funcionar antes de investir tempo na mudança organizacional.

InfoQ: Muito obrigado pelo tempo dedicado a esta entrevista. Tem mais alguma coisa que vocês gostariam de compartilhar com os leitores do InfoQ?

Encorajamos os leitores a assistirem o vídeo da nossa apresentação no DevOps Enterprise Summit no YouTube e também a entrar em contato conosco caso tenham dúvidas ou comentários que nós podemos tentar ajudar a abordar.

Mais informações a respeito da conferência DevOps Enterprise Summit London 2017 podem ser vistas no site do evento. Os vídeos das apresentações podem ser encontrados no canal da IT Revolution no YouTube, e os slides no repositório DevOps Enterprise no Github.

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