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Trabalhar de Trás pra Frente para um Design de Produto Melhor

| por Shane Hastie Seguir 30 Seguidores , traduzido por Camilla Albuquerque Seguir 3 Seguidores em 15 mai 2018. Tempo estimado de leitura: 5 minutos |

Na conferência Agile Índia, o especialista em design Alan Cooper palestrou sobre "Trabalhar de Trás pra Frente", onde descreveu uma abordagem para inovação e design que tem sido base de seu processo e prática por mais de 26 anos. A abordagem possui três elementos-chave:

  • Conhecer seu usuário e seus objetivos
  • Enxergar possíveis soluções
  • Ver o panorama geral (Big Picture)

Cooper explorou cada um destes temas e focou nas implicações vindas da forma como atualmente construímos e lançamos produtos, muitas vezes sem considerar o impacto mais amplo que podem ter na sociedade como um todo.

Cooper pontuou que o tanto de esforço necessário para fazer um produto falho é o mesmo envolvido para fazer um produto de sucesso; a diferença não está no trabalho feito e sim no ponto onde o trabalho começa. Trabalhar de trás para frente começa pelos objetivos e resultados em vez de requisitos e limitações. Identifica-se a uma visão prévia do produto que se alinhe com os resultados do cliente e gera um produto bem sucedido.

Os elementos-chave de se trabalhar olhando de trás para frente são:

  • Questionar toda suposição; desafie a crença aceita, "o modo como sempre fazemos as coisas" e o "todos sabemos que…"
  • Dê um passo para trás por meio de pesquisas genuínas e a mente aberta
  • Vá em frente com conhecimento e confiança

O paradoxo da inovação é que quanto mais inovadora é uma ideia, menos sabemos como implementá-la - o que significa que automaticamente não sabemos como alcançar o resultado desejado e, portanto, temos que descobrir isso à medida que avançamos.

Algumas ferramentas de design e inovação identificadas e usadas por Cooper foram discutidas, como:

  • Pensamento mágico: o que faria se qualquer coisa fosse possível, se não houvesse limitações, se tivesse todo o dinheiro e recursos que pudesse desejar?
  • Personas: conduzir pesquisas para entender profundamente os objetivos, motivações, necessidades e desejos das pessoas que irão usar o produto.

As abordagens e questões fundamentais relativas à comparação entre "Trabalhar olhando para frente" e "Trabalhar olhando de trás pra frente" foram caracterizadas da seguinte maneira:

Trabalhar olhando para frente

Trabalhar olhando de trás para frente

Confirmação do que pensamos que já sabemos

Descoberta do que não sabemos que não sabemos

Otimização do que já temos/fizemos

Oportunidade de fazer coisas novas de formas diferentes

Frágil

Adaptável

Limitações e requisitos

Possibilidades

Onde estamos certos?

Onde estamos errados?

Cooper explicou o método (dirigido a objetivo) de identificar necessidades que envolvem buscar as respostas de três perguntas importantes:

  • Quem é seu usuário?
  • Qual é o estado final desejado para ele?
  • O que o motiva a vir até aqui?

Se não partir disso para o entendimento, não importará o quão bacana seus produtos sejam, pois ninguém os desejarão.

Foi enfatizado que o design não é uma atividade separada ou uma fase do desenvolvimento de produtos - citando Molly Nix (Designer de Produto sênior na UBER), "design é o processo usado para construir produtos". E foi contada a história de como Cooper se juntou à United Airlines e surgiu o MillagePlus X App, que resultou em mais de 100 milhões de dólares de vendas adicionadas ao longo de três anos.

Uma grande ênfase foi dada ao ponto de que a inovação precisa tanto de inspiração quanto de transpiração, de que não é suficiente apenas ter uma ideia. A ideia precisa ser seguida por um senso implacável de torná-la real. Cooper cunhou uma frase:

Seu ego o constrói, sua humildade o ama. Para ter sucesso em um mundo de inovação, você precisa de ambos.

Também foi explicado que a abordagem de trabalhar olhando de trás para frente é contra-intuitiva para a maioria das pessoas. Nosso senso comum e lógica tende a começar pelo ponto de vista de que sabemos o que é necessário e então resolvermos o problema que está à nossa frente. Cooper referenciou o codex de vícios cognitivos e sobre como eles nos empurram a pensar para frente. Foi dito que:

O senso comum nada mais é do que nosso vício cognitivo falando.

Foi referenciado o trabalho de Daniel Kahneman em "Rápido e Devagar - duas formas de pensar", comentando sobre ser necessário nosso engajamento no pensar lentamente do Sistema 2 de nossas mentes enquanto trabalhamos olhando para trás.

Então, Cooper explorou os sistemas complexos que compõem nossas sociedades hoje e encorajou a audiência a olhar além dos simples efeitos de primeira ordem das ações e a explorar as conseqüências não-intencionais das ações que tomamos e das tecnologias que construímos.

Cooper sugeriu que, por trabalharmos e estarmos envolvidos com a tecnologia, é nossa responsabilidade criar uma sociedade justa e pacífica para todos; devemos ser bons ancestrais para as futuras gerações; e a responsabilidade para isso, além do poder de criar uma sociedade justa e razoável, está mais em nossas mãos do que em quaisquer outras.

A audiência foi desafiada a olhar para além de seus produtos atuais ao trabalhar olhando de trás para frente, para observar as implicações sociais do que fazemos e para focar em ser um ancestral melhor; deixar o mundo melhor do que quando o encontramos para fazer nosso trabalho. Quando você se torna um inovador, se tornará mais poderoso e isso significa que deve se tornar ainda mais responsável. Será preciso avaliar os efeitos a longo prazo do trabalho que faz, não apenas em termos do seu produto mas também sobre seus times, sua empresa e sobre a sociedade como um todo. Avalie não somente o valor imediato da sua criatividade, mas também os efeitos a longo prazo disso.

Citando Gustavo Petro, prefeito de Bogotá, "um país desenvolvido não é um lugar onde os pobres possuem carros, é onde os ricos usam o transporte público". Cooper reiterou aos membros da audiência para serem:

Designers que fazem de seus projetos parte de algo maior do mundo social e torna o mundo melhor um app por vez. A maneira de fazer um mundo melhor é tendo a certeza de que cada pequena peça do mundo que você cria torna-o um ancestral melhor para seus descendentes.

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