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Liderança lúdica - o potencial de se divertir para crescer

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A liderança lúdica é um assunto sério, diz Portia Tung, coach executiva e particular, pesquisadora lúdica e storyteller. Em sua palestra "Liderança lúdica: Como habilitar a mudança transformadora e se divertir no processo" na conferência Aginext.io, Tung explorou porquê jogos e brincadeiras são a maneira mais eficaz e eficiente de capacitar indivíduos a aprender, liderar e trabalhar juntos.

A liderança lúdica se baseia em pesquisas de uma variedade de disciplinas como a psicologia e a neurociência, bem como na ciência do brincar e em coaching pessoal/em grupo, e promove uma abordagem orientada para o crescimento, que permite às pessoas mudar com relativa facilidade e até mesmo sentir alegria em vez de resistência e angústia. Tung ressalta que a pesquisa demonstra que obter sua quantidade diária de brincadeira é, no mínimo, tão importante quanto tomar suas vitaminas ou garantir uma dieta saudável e muito exercício.

A conferência Aginext aconteceu em Londres nos dias 21 e 22 de março, com foco no olhar futuro do Ágil, lean, CI/CD (Integração e Entrega Contínua) e transformações DevOps.

O InfoQ conversou com Portia Tung sobre o que a liderança lúdica é, por que importa, e algumas das técnicas que indivíduos e empresas podem usar para se aproximar da ludicidade.

InfoQ: Por que "liderança lúdica"? Liderança não é um tópico sério?

Portia Tung: Não poderia estar mais de acordo do que isso! É precisamente pelo fato da liderança ser um tópico sério, especialmente quando consideramos o que está em jogo - nossas vidas, nosso bem-estar e a nossa felicidade e a de nossos colegas, amigos e familiares -, que precisamos repensar sobre liderança. O que realmente significa e leva e como realmente liderar. E esse repensar começa pelo pensar em nós mesmos.

Na minha experiência, brincar é a forma mais efetiva e eficiente de possibilitar pessoas a aprender, liderar e trabalhar em conjunto, pensando por elas mesmas e fazendo o melhor uso de todos os recursos que tenham disponível. Relembre a época em que você aprendeu muito e mais rápido. Não é coincidência nos desenvolver tanto nos nossos primeiros anos de vida. Estávamos experimentando a natureza transformadora do brincar.

InfoQ: O que é a liderança lúdica e em quais tipos de organizações isso é apropriado?

Tung: Temos uma crise de liderança em mãos. O problema é cheio de nuances, como uma bola de papel de origami que foi dobrado muitas vezes.

Antes de uma obra de arte surgir, tanto o potencial quanto um novo pedaço de papel de origami requerem um bom artesanato... E não me refiro apenas à criação dobrada e acabada. O segredo do domínio do origami, assim como o domínio da liderança, está dentro do origamista (o indivíduo) dominando-se através do ofício aparente de dobrar papel (o ofício da liderança).

O que chamo de Liderança Lúdica emergiu como resposta a dois elementos que têm resultado em um platô de liderança em diversas organizações, das grandes às pequenas.

O primeiro elemento é a abordagem "acadêmica" da liderança. Como sapiens ("homens sábios"), temos usado muitas palavras para descrever liderança. Você sabia que uma busca simples por "liderança" retorna mais de 100 mil resultados apenas na Amazon? Mas, apesar de toda essa verbosidade, tem sido feito avanços mínimos em termos de liderança nas organizações.

O segundo elemento é a falta de modelos de liderança. As pessoas podem aprender de quem não apenas fala sobre, mas que de fato trilha o caminho da liderança. Ainda melhor, estaríamos aptos a aprender de líderes que trocam os pares na dança da liderança. Isso seria algo para se ver em uma reunião feita a várias mãos, não?

Misture esses dois elementos juntos, onde todos falam mas não trilham o caminho, e não é de admirar que tenhamos o que temos. Organizações obesas que tropeçam cegamente, engolindo continuamente platôs de liderança recicladas com valores esculpidos em vidro exibidos em recepções de escritório, vistas por todos e vividas por poucos, alimentando o crescente cinismo e ressentimento.

A Liderança Lúdica é uma abordagem divertida e energizante para liderar com base nas últimas pesquisas de um determinado grupo de disciplinas como psicologia e neurociência, assim como a ciência do brincar e coaching pessoal/em grupo.

A Liderança Lúdica permite que as pessoas possuam um pensamento mais fresco ao se tornarem seus próprios eus. Isso pode soar meio trabalhoso, mas na prática é uma das coisas mais corajosas, emocionantes e recompensadoras que provavelmente fará. É muito parecido com a aventura de virar os olhos (morder unhas e coração palpitante) de ser pai/mãe, ao crescer a próxima geração de cidadãos do mundo.

InfoQ: Quais são os benefícios que indivíduos e organizações obterão ao trazer mais diversão?

Tung: Apenas imagine. E se em vez de descartar nossa mentalidade lúdica, a mantivéssemos durante toda a nossa infância e vida adulta? Pense na diversão que poderíamos ter cultivando muitos dos atributos desejáveis de um ser humano maduro enquanto alcançamos coisas aparentemente impossíveis: da resolução criativa de problemas ao pensamento esperançoso, do fluxo à resiliência, da atenção plena à escuta poderosa mesmo em circunstâncias adversas. Isso é o "True Play" definido pelo Dr. Stuart Brown em seu livro "Play: Como molda o cérebro, Abre a imaginação e Revigora a alma" como "fair play, brincadeira segura e ser um bom esporte".

Além da definição de brincar (Play) do Dr. Stuart Brown como "divertido, flexível e livremente escolhido", através do meu trabalho como agente de mudança organizacional, descobri que o brincar funciona ainda melhor quando temos mais diversão do que propósitos, um elemento chave para a Liderança Lúdica.

Essa abordagem orientada para o crescimento, quando aplicada à mudança organizacional, permite que as pessoas mudem com relativa facilidade e até alegria, em vez de resistência e angústia. Dado que gastamos mais de 70% de nossas horas acordados fazendo atividades relacionadas ao trabalho ou no trabalho, quem não quer se divertir mais em suas vidas se tiver chance?

InfoQ: Quais são algumas das técnicas para trazer mais ludicidade às organizações hoje em dia?

Tung:

Jogos em grupo (Group Play)

Um método popular é começar uma reunião com um exercício de aquecimento que deve durar pelo menos alguns minutos - o suficiente para as pessoas recebam e respondam uma vez um convite ao jogo, experimentando a segurança psicológica libertadora que vem de graça com o True Play.

1. Dê tempo suficiente às pessoas para ativar sua mentalidade lúdica (algumas vão demorar mais, outras serão mais rápidas - todo mundo é diferente quando se trata de jogar).

2. Seja super claro sobre o objetivo e os critérios de sucesso de sua reunião - escrever uma user story para uma reunião e compartilhá-la antecipadamente é uma ótima maneira de criar alinhamento. E, claro, reiterar o objetivo após o aquecimento para garantir o alinhamento do grupo.

3. Crie um ambiente onde todos tenham igual oportunidade e tempo para falar, para que as pessoas possam pensar melhor.

Como é essa reunião? Muito parecido com garotas e garotos na versão moderna de Mesa Redonda do Rei Arthur (veja o filme "O Menino que Queria Ser Rei").

Lembre-se de continuar brincalhão ... e mantenha seus olhos e ouvidos abertos para testemunhar a magia que se desenrola!

Jogo solo (Solo Play)

Quanto ao jogo em modo individual, recomendo que todos os adultos joguem pelo menos cinco minutos uma vez por dia. Quinze minutos é o ideal. É você quem decide o que é divertido, flexível e seguro para você (e seguro para os outros) quando se trata de jogar.

Pode ser uma conversa no bebedouro com um amigo ou ir para a escola com seu filho do estacionamento da escola até a entrada. Garanto que depois de pular para a escola (enquanto canta uma música em voz alta) coisas anteriormente impossíveis podem subitamente parecer possíveis!

InfoQ: Poderia nos contar mais sobre a School of Play?

Tung: Tenho um sonho. Um dia, pouco antes da minha filha embarcar em sua espaçonave para manter a paz intergaláctica e fazer novos amigos, ela me diz: "Mamãe, me lembro ao crescer, você falando sobre como o brincar é o catalisador da auto-realização e que nós como espécie, precisamos mudar nossa relação com o trabalho e jogar para realizar nosso potencial coletivo". Então ela sorri e continua. "Nunca trabalhei um dia em minha vida, já que tive mais diversão do que propósito, amo meus colegas como amigos queridos e continuo aprendendo e crescendo todos os dias."

Será quando saberei que meu trabalho está feito. A School of Play é meu presente para minha garotinha e para todas as crianças, jovens e mais velhas (não há necessidade de contar os anos entre amigos - afinal, o tempo é relativo). Considere-o um presente para todos aqueles que sonham em ganhar a vida vivendo seu propósito com a opção de se tornarem completamente eles mesmos.

Apesar da minha compulsão de conquistar algo o tempo todo, reconheço que existe uma correlação direta entre o quanto eu jogo e a quantidade de energia e felicidade que sinto. De fato, quanto mais brinco, mais energia tenho, mais feliz me sinto e quanto mais cresço, mais alcanço. E é por isso que me certifico de jogar pelo menos uma vez por dia, por pelo menos 15 minutos.

Por quê? Porque as pesquisas mostram que uma quantia diária de brincadeira é no mínimo tão importante quanto tomar vitaminas ou ter uma dieta saudável e cheia de exercícios. Não é sempre fácil encontrar um tempo para brincar, mas sei que me sentirei melhor depois de ter jogado. No fim, há muita coisa em jogo: estou jogando para mudar o mundo para melhor.

A School of Play leva a brincadeira muito a sério. Visite o Play Manifesto, o compromisso de jogar da escola.

Você pode encontrar mais sobre isso na minha palestra "O Poder de Jogar - Transformando Times Bons em Ótimos".

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