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Formando equipes de alto desempenho, parte 5: Voo de cruzeiro

Postado por Alércio Bressano em 20 Jul 2012 |

Nesta quinta e penúltima parte da série sobre equipes de alto desempenho, será apresentado o nível máximo de produtividade de uma equipe: o Estágio 4 de desempenho. As características de uma equipe nesse estágio serão discutidas, além de ser mostrado de que maneira o líder deve se comportar para atingir e manter esse nível.

Uma equipe no Estágio 3 de formação de equipes já apresenta um ótimo desempenho; entrega o que promete e atende aos critérios de qualidade e demais expectativas dos clientes em relação às entregas. Entretanto, ainda não está no seu estágio máximo de desempenho.

Relembrando um dos conceitos de equipe: a competência de uma equipe é maior do que a soma dos talentos individuais. Uma equipe somente percebe isso quando chega ao Estágio 4, o último nível, em que descobre um potencial de produtividade nunca atingido antes. Vamos discutir a seguir como isso foi observado numa equipe que alcançou esse patamar.

Equipe em pleno voo

Há vários ciclos de desenvolvimento, a equipe vem atingindo 100% (entregando todos os itens de escopo prometidos) , o que é característico de uma equipe em Estágio 3. Um aspecto que orienta uma equipe nesse estágio é ficar atento para que não entre na sua "zona de conforto".

Consideremos um caso comcreto. Ao final da retrospectiva do Sprint 17, o Scrum Master (líder da equipe) faz um questionamento à equipe:

Há vários sprints vocês estão produzindo 100% do combinado, com uma média na velocidade de 35 pontos do sprint 14 ao sprint 17. Que tal se desafiarem e definirem uma nova velocidade para o próximo sprint? Estão dispostos a mostrar ao Product Owner que podem ultrapassar seus limites?

Observe a postura do líder em questionar e não impor. Isso é fundamental. Ele está atento ao processo de autogerenciamento da equipe e não pretende interferir. Então um dos membros responde:

Realmente já estamos há algum tempo batendo os 100%. Gostei da ideia. Na próxima reunião de planejamento vamos definir nossa velocidade em 40 pontos?

O restante acena positivamente, aceitando o desafio. Como combinado, na reunião de planejamento seguinte (sprint 18) a equipe aumenta sua velocidade em 15% (para 40 pontos).

Chega-se ao final do sprint 18, e a equipe entregou os 40 pontos combinados, atingindo mais uma vez 100% da entrega e confirmando o aumento da sua produtividade em 15%. Seja bem-vindo ao estágio máximo de produtividade!

O gráfico abaixo mostra que, depois do sprint 18, em que aconteceu a evidência do Estágio 4 de produtividade, a equipe continua atingindo 100% por mais quatro sprints (dois meses). Essa é uma prova de que a equipe manteve sua performance e está em "voo de cruzeiro", evidenciando que chegou a um nível de assertividade no planejamento e no cumprimento das metas acordadas. 

A equipe planeja assertivamente e busca continuamente ter resultados mais previsíveis, alinhando constantemente esses resultados com as expectativas dos clientes, e aumentando, consequentemente, a sua satisfação.

E agora, Scrum Master?

Estando diante de uma equipe de alto desempenho, como o líder do processo de mudanças, o Scrum Master, deve se comportar?

Segundo Paulo Raj e outros autores, em equipes maduras ocorre com o líder da equipe o fenômeno ilustrado abaixo.

Muitos agilistas afirmam que o objetivo do Scrum Master é se tornar inútil. Em equipes maduras, a equipe está muito integrada e alinhada com o Product Owner; todas as cerimônias já se tornaram um hábito e todos os impedimentos são resolvidos pela própria equipe. Quando o Scrum Master leva uma equipe a esse nível, ele ou ela poderia, por esse prisma, dar o seu trabalho como encerrado. Esse fenômeno de distanciamento do líder pode ser constatado em equipes de alto desempenho.

A essa altura, se a equipe foi formada por um bom Scrum Master, é bem provável que já exista uma liderança dentro da própria equipe; ou seja, há algum membro que lidera e conduz os demais. No exemplo de equipe que temos apresentado, um membro se desenvolveu e assumiu a postura de líder e a própria equipe o batizou de "capitão da equipe".

Nesse contexto, o Scrum Master precisa tomar uma decisão: formar novas equipes (caso tenha levado a equipe ao Estágio 4 e formado um capitão), ou continuar na equipe apoiando o PO e os outro membros, fortalecendo a integração, garantindo a performance da equipe e trabalhando para formar novos líderes.

Conclusões

Podemos concluir que o Estágio 4 leva a equipe a encontrar seu ponto máximo, através da observação do aumento de sua produtividade, mesmo num patamar em que a equipe já entrega 100% do combinado.

Na sexta e última parte desta série, faremos uma retrospectiva sobre todos os artigos da série (e estágios de maturidade) e consolidaremos as principais conclusões e os obstáculos enfrentados pelos envolvidos na construção de equipes de alto desempenho. Serão destacados também os benefícios obtidos para a motivação da equipe e a satisfação dos clientes.


Sobre o autor

Alércio Bressano (@alercio) é consultor e coach em Agile, Professor Universitário e Mentor em Produtividade Pessoal. É Diretor de Marketing e Comunicação do chapter do PMI em Sergipe, e desde 1999 trabalha com projetos de tecnologia. Atua como Gerente de Projetos, Scrum Master, ou os dois, em empresas de diversos ramos de negócio, fornecendo coaching na implementação de métodos de gerenciamento de projetos e formação de equipes.

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