Formando equipes de alto desempenho, parte 1: Início e fases de evolução
Nesta primeira parte de uma série sobre equipes de alto desempenho e gerenciamento Agile, veja uma introdução geral e uma apresentação dos estágios de formação das equipes.
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Postado por Manoel Pimentel em 30 Dez 2009
Há alguns anos atrás, gerenciava uma pequena equipe de TI numa indústria alimentícia. Foi um tempo muito bom e antes de toda a correria pré “bug do milênio”. As aplicações MS-DOS (Leia aplicações Clipper) reinavam e tecnologias como NOVELL e NT eram o grande paradigma em debate.
Nesse pequeno ambiente de TI (que na época chamávamos de CPD), tive uma oportunidade de num contexto extremamente caótico (sobre o ponto de vista organizacional) liderar essa equipe rumo a projetos de desenvolvimento de software ambiciosos para a época e conjuntura regional da empresa.
Como na época nem sonhávamos com algo chamado Agile, confesso que se fosse hoje, faria muita coisa diferente nesses projetos. Contudo, o objetivo desse artigo não é debater o processo, mas sim mostrar um aspecto cultural importante, que é exatamente a forma como os líderes pensam e atuam dentro das equipes.
Não que nessa época eu tenha sido um ótimo líder; Na verdade minha juventude e inexperiência ainda eram muito grandes (que saudade desse tempo...). Mas para compensar essas limitações, acabei construindo e adotando um pensamento que me foi extremamente útil na liderança desse time.
Esse pensamento é bem simples, pois consiste no seguinte auto questionamento: Eu aceitaria ser liderado por mim mesmo? Essa é uma pergunta extremamente simples e direta, porém, respondê-la a você mesmo é enormemente complicado.
Eu diria que essa pergunta me acompanha desde então, de forma que quanto mais eu fui interagindo com outras equipes (de diferentes lugares e tamanhos) e me aprofundando em meu trabalho de coaching, mais forte se tornou minha convicção que mesmo sendo complicado responder essa pergunta, é muito benéfico colocar o cérebro em busca dessa resposta.
Afirmo que é benéfico buscar por essa resposta, pois esse processo de procura, pode mexer de maneira desconfortável com a sua estrutura de crenças e valores. Esse desconforto acontece pois a busca por essa resposta, criará uma espécie que espelho no qual é possível refletir quais os seus valores e crenças e, as vezes a imagem refletida nesse espelho não é bonita.
Mas alem de refletir sobre seus valores e crenças, é muito importante também você procurar visualisar nesse espelho, o quanto esse conjunto de pensamentos estão limitado suas ações como um bom líder e consequentemente, impedindo a sua equipe de gerar melhores resultados.
Veja que buscar respostas para essa singela pergunta, já nos coloca num caminho de mudança de pensamento, contudo, existe uma lacuna entre o pensamento e a ação. Essa lacuna é preenchida com a emoção. Ou seja, mesmo que você mude seu pensamento, somente se houver alguma emoção, ele provocará ações para uma verdadeira mudança de comportamento.
Apesar de haver uma lista de emoções possíveis para ligar um pensamento a uma ação, todas elas são originárias de dois tipos de sentimentos: Dor ou Prazer. Ou seja, você só mudará realmente seu comportamento se houver uma dor atual suficientemente capaz de lhe motivar para uma ação de saída da dor, ou um desejo por um prazer (seja na meta fim ou processo meio) capaz também de o motivar a mudar suas ações .
Curiosamente as palavras emoção e motivação derivam da mesma origem latina que é a palavra movere, que trazendo para o português, teríamos algo como mover-se (existem outras variações também). Portanto, veja que despertar essa emoção em nós, é a chave para compreendermos e construirmos a motivação necessária para nos levar de um estado atual(ponto A) para um estado ideal(ponto B), assim, um líder, só será um excelente líder, se o mesmo tiver algum motivo que provoque essa mudança de pensamento e de comportamento (afinal líder é “gente” e também precisa de motivação) . E esse espelho criado quando fazemos esse questionamento, já é um bom ponto de partida para gerar essa emoção.
Na verdade a essência desse questionamento (Você seria liderado por si mesmo?) pode ser aplicado a vários outros contextos em nossas vidas, por exemplo, experimente responder para si mesmo algumas questões como: Você contrataria a si mesmo? Ou: Você usaria um produto feito por você? Ou mais profundo ainda: Você se casaria com consigo mesmo?
Finalizo esse breve texto lembrando que não estou aqui dizendo a você: “seja um líder tipo tal” ou “siga determinado estilo ou processo gerencial”, mas pretendo com esse texto estimular que você (líder) encontre seu próprio caminho rumo a sua visão daquilo que acredita ser um ótimo líder dentro do seu contexto. Também quero reforçar que idealmente esse tipo de questionamento não seja usado apenas uma única vez, mas sim de maneira constante e cíclica, pois assim, será possível criar um cenário propício para a tão sonhada melhoria contínua de indivíduos e de equipes. Dessa forma, para exemplificar a importância desse pensamento em minha vida, vou lhe compartilhar qual o meu pensamento final quando termino um artigo como esse: Eu leria um artigo escrito por mim mesmo?
Abraços e até a próxima!
Referências
- Blog Visão Ágil: Artigo Empatia – A sua chance para uma boa liderança
- WHITMORE, John - Coaching for Performance - 4th Edition
Sobre o Autor
Manoel Pimentel Medeiros (twitter.com/manoelp )
É Engenheiro de Software, com 15 anos na área de TI, atualmente trabalha como Coach(PPC) em Agile, Lean e TOC para empresas do segmento de serviço, financeiro e bancário. É Diretor Editorial da Revista Visão Ágil e Editor Chefe da InfoQ Brasil. Já escreveu sobre Agile para importantes portais e revistas do Brasil e exterior e também palestrou em eventos nacionais e internacionais sobre agilidade. Possui as certificações CSM e CSP da Scrum Alliance e foi um dos pioneiros na utilização e divulgação de métodos ágeis no Brasil
Muito bom o artigo Manoel. Parabéns! Realmente faz a gente parar para pensar. E esses tempos de fim de ano são uma ótima oportunidade para fazer esse tipo de coisa. Abraço.
Acredito que se as pessoas fossem mais acostumadas a se autoavaliar e criticar as coisas seriam mais harmônicas.
Em um ambiente de trabalho não há nada pior do que alguém que tem atitudes com os colegas diferentes das que teria consigo mesmo.
Ótimo texto. :D
Acho que boa parte dos líderes teria medo de responder essa pergunta :D
Excelente artigo!
Boa parte dos profissionais ainda estão bitolados somente na recompensa financeira e não no prazer em trabalhar no que gosta. Taí o mercado com várias pessoas insatisfeitas com seu emprego. Não fazem nem sequer uma auto-avaliação de suas atitudes do dia-a-dia, será que é tão difícil pedir críticas construtivas a seus colegas de trabalho? Devem ter medo mesmo de encarar a realidade.
Ótimo artigo! Na minha opinião a reflexão é o mais importante nesses casos, realmente os liderados também deveriam se perguntar: Se eu tivesse no lugar dele como eu faria? Acho muito importante esse tipo de reflexão aplicada em outros contextos. Agora não acredito que os líderes devem buscar mudanças no comportamento ao ponto de dizer: Sim, eu seria liderado por mim mesmo.
Gostaria de enviar esse artigo , para meu coordenador.
Eu simples gostei muito , tá de parabéns.
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