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Qual tipo de Scrum Master você está contratando?

Postado por Johanna Rothman , traduzido por Paulo Rebelo em 09 Abr 2013 |

Você tem observado alguns anúncios de emprego para Scrum Masters recentemente? Alguns incluem a necessidade da certificação PMP, outros informam que darão um bônus se o projeto for concluído no prazo ou satisfizer alguém. Há anúncios que envolvem contratar uma equipe ou gerenciar as expectativas do cliente; outros falam sobre organizar equipes distribuídas em diversos países ou várias equipes em múltiplos países; ou exigem responsabilidades voltadas a coaching. Todos sob o termo "Scrum Master".

Toda equipe ágil é diferente, portanto é de se esperar que todo Scrum Master seja um pouco diferente, mas não tão diferente. Obviamente, o contexto para cada uma dessas posições é muito diverso. Isso ocorre porque, apesar dessas equipes estarem contratando alguém chamado Scrum Master, nem sempre estão contratando para a mesma posição. Afinal, não é porque todos são chamados pelo mesmo nome que significa que sejam a mesma coisa.

Como chegamos neste ponto?

A contratação de profissionais técnicos sempre foi um pouco confusa. Os profissionais de RH têm boas intenções, mas frequentemente não conhecem muito os cargos técnicos. Sabem que descrições de cargos genéricos funcionam bem para outros papéis, então sugerem aos gerentes das vagas, "Não dá para criar descrições de cargo mais genéricas?" E os gerentes sem treinamento de gestão pensam, "O especialista em RH acredita que isso seja uma boa ideia, então deve ser". Assim, infelizmente, são criadas descrições de cargo genéricas para profissionais difíceis de serem encontrados. Erro número 1.

Os profissionais de RH também acham que as certificações significam alguma coisa. É sabido que mesmo as melhores certificações significam que se estudou uma vez para alguma coisa e se conhecia alguma coisa naquele período em que se passou no exame. Uma certificação não quer dizer que se saiba aplicar o conhecimento nesse ambiente, e os profissionais de RH ainda apreciam usar as certificações como critérios de filtro para os empregos. Erro número 2.

O Scrum é a abordagem ágil mais conhecida e mais divulgada, independente de funcionar ou não para o seu ambiente. Então no que os gerentes das vagas e os profissionais de RH se baseiam para selecionar? Nos Scrum Masters, faça isso sentido ou não. Erro número 3.

Parece ser mais fácil usar um atalho - descrições de cargo genéricas, certificações ou apenas usar "Scrum Master" na descrição do cargo - do que realizar uma análise de cargo. Por outro lado, é mais rápido e fácil fazer uma análise de cargo e aprender o que realmente é necessário no cargo específico a ser preenchido, em vez de seguir caminhos como uma descrição de cargo genérica ou um filtro por certificação.

Vamos realizar uma pequena análise de cargo e verificar o que poderíamos aprender desses anúncios e quais nomes realmente daríamos a essas posições, se não estivéssemos tão apaixonados pelo termo Scrum Master.

Inicie com uma análise de cargo

Quando se inicia com uma análise de cargo ao invés de um "título", é mais provável conseguir atrair o profissional que se deseja e que de fato preencha o cargo a contento.

As quatro primeiras questões são as seguintes:

  • Quem vai interagir com essa pessoa?
  • Quais papéis o profissional exercerá nesse cargo?
  • Qual patamar salarial a empresa está disposta a pagar?
  • O quanto do trabalho envolve gestão?

As próximas duas perguntas são ainda mais reveladoras:

  • Quais as atividades e entregáveis do cargo?
  • Quais entregáveis periódicos são exigidos?

Quando essas perguntas são levantadas, é surpreendente o que se pode descobrir.

Segundo a gerente de vaga Ruth:

Quando começamos a relacionar as interações, papéis, atividades e entregáveis, ficou claro que precisávamos de alguém para blindar o projeto. Ainda era necessário alguém para definir os níveis de liberdade para nosso projeto - o que realmente estava direcionando nosso projeto. Precisávamos de alguém para engajar os nossos patrocinadores corporativos. Precisávamos de um representante de gestão de projeto no nível do portfólio de projetos, porque nem todos os nossos projetos foram migrados para o Agile. Então, necessitávamos de alguém que fosse um gerente de projetos, não apenas um Scrum Master. Precisávamos de um facilitador para a equipe, tal como um Scrum Master, mas também necessitávamos de alguém que fosse um gerente de projetos. A questão verdadeira era essa: Será que precisávamos de dois profissionais e não apenas um?

Alguns Scrum Masters são Gerentes Ágeis de Projeto

Ruth estava impressionada pela descoberta. Precisava de alguém que não fosse somente um líder servidor facilitador para a equipe, mas de alguém que pudesse também realizar as funções de gerenciamento de projeto (sem comando-e-controle), e que representasse o projeto para o resto da empresa. Definiu, então, essa pessoa como um Gerente Ágil de Projeto.

Uma vez que Ruth entendeu isso, foi capaz de escrever a descrição do cargo e contratar alguém muito mais sênior do que tinha pensado anteriormente. Decidiu, então, procurar por um Gerente Ágil de Projeto.

Uma outra solução poderia se mostrar necessária, como descobrir que havia necessidade de alguém para engajar os seus patrocinadores corporativos e representar o projeto e outra pessoa para facilitar uma equipe específica. Nesse caso, poderia procurar por dois tipos de candidatos: um Gerente de Portfólio de Projeto e um Scrum Master. Em minha experiência, se houver gerentes funcionais e se estiver migrando para Agile, esses gerentes funcionais deveriam desistir de suas tradicionais atividades de comando-e-controle e assumir as atividades de gestão.

Alguns Scrum Masters são Gerentes Ágeis

Algumas vezes a gestão de projeto não se faz necessária, mas algumas vezes necessita-se de pessoas que são, de fato, gerentes em uma posição de Scrum Master.

Um gerente de vaga chamado Harry estava pensando sobre o que fazer com a sua empresa e descreveu o seu problema da seguinte maneira:

Esta é a segunda vez que tentamos usar o Scrum. Temos gerentes funcionais que emprestam profissionais para as equipes Scrum. O Scrum Master precisa ser um líder servidor forte, de tal forma que os profissionais permaneçam com um apoio firme e constante à equipe Scrum de onde pertencem. Quando penso nos papéis e nos pares que esse profissional teria e no modelo de gestão, percebo que esse profissional interage constantemente com os gerentes. Na realidade, esse profissional protege a equipe dos gerentes e tem que ajudar a formar a equipe, afim de que a equipe se identifique primeiramente com a equipe Scrum para depois se identificar com as equipes funcionais das quais vieram. Acho que esse profissional é mais parecido com um gerente, não pela razão de que está dizendo o que as pessoas devem fazer, mas sim devido a como esse profissional precisa interagir com os seus pares por toda a empresa. As sutilezas envolvidas são a chave para o sucesso.

Remover os impedimentos; atuar em nome da equipe; tudo isso são atividades de gestão. Com um gerente desse tipo, talvez possamos fazer o Scrum realmente funcionar.

Harry ficou surpreso, pois não tinha pensado que precisava de um gerente. Ele tinha comprado a ideia do Agile de que os gerentes não eram mais necessários.

Alguns Scrum Masters são Coaches Ágeis

Quando a gerente de vaga Valerie estava analisando a sua posição de Scrum Master, observou que a equipe estava indo bem, mas nunca tinha algo para melhorar após as suas retrospectivas. Agora, sempre há o que melhorar.

Valerie entendeu que a equipe poderia se beneficiar se tivesse algum coaching para o seu Scrum Master. O Scrum Master precisaria ser sutil em seu coaching, mas coaching seria uma atividade primária.

Alguns Scrum Masters são Gerentes Ágeis de equipes distribuídas geograficamente

Lembre-se, uma equipe Scrum é multidisciplinar, contendo de 5 a 7 profissionais que trabalham em um mesmo local, e é focada em um projeto específico. A partir do momento que se tem um projeto distribuído geograficamente, ainda é possível usar Scrum, mas será um desafio.

Quando a gerente de vaga Anne contou-lhe: "Estamos adotando o Scrum", Anne disse "Excelente", pensando que era algum novo entusiasmo da gestão. No entanto, quando contaram que havia chegado a hora de contratar um Scrum Master, ela se deu conta que realmente o assunto era sério.

Quando se tem uma equipe distribuída geograficamente, tudo é mais difícil. Anne fez uma pesquisa e obteve as seguintes conclusões:

Sabia que precisávamos de alguém que entendesse muito sobre métodos ágeis, não apenas de Scrum, então necessitávamos de um profissional sênior. Esse profissional seria responsável por interagir com todos da equipe e provavelmente os demais gerentes. Estamos falando em adaptar o tempo de dedicação dos profissionais que estão apenas meio período nos projetos, com múltiplas tarefas comprometidas, para permanecerem focados em um único projeto. Trata-se de uma mudança drástica.

Nosso Scrum Master removia os impedimentos não somente do projeto, mas também daqueles que estavam fora do controle do projeto. Esse profissional precisaria coletar e utilizar suas artimanhas políticas para que o projeto fosse entregue rapidamente. Precisávamos de alguém que fosse realmente um político muito experiente.

Anne resolveu que precisava de um Gerente Ágil de Projeto Sênior, alguém que entendesse a gestão de portfólio de projeto, que entendesse a necessidade de ganhos rápidos e que pudesse entregar alguma coisa rapidamente.

Alguns Scrum Masters são Gerentes Ágeis de Programa de equipes de programa distribuídas geograficamente

Assim que o projeto inicial de Anne conseguiu entregar algumas rápidas vitórias, seu gerente decidiu adotar o Scrum em um programa maior. Anne e seu gerente ouviram falar do Scrum-of-Scrums e acharam perfeito.

Investiguei frameworks diferentes para a gestão ágil de programa e existem vários. Dois frameworks são leves e um deles é bem pesado. Escolhi o framework de gestão de programa mais leve, que parecia com algo que já conhecíamos e que usava a mesma linguagem que já conhecíamos e usávamos, além de não exigir outras grandes transformações.

Anne irá contratar um Gerente Ágil de Programa e não um Scrum-of-Scrums Master. Sua empresa entende o que é um Gerente de Programa. Um Gerente de Programa é alguém que coordena diversos subprojetos para encontrar um objetivo de negócio específico. É um papel estratégico e não tático. A empresa de Anne não sabe o que um Scrum-of-Scrums Master faz.

Alguns Scrum Masters são Gerentes de Conta

Denise é uma gerente em uma consultoria que fornece serviços para a indústria bancária. Essa consultoria vem trabalhando há muitos anos na indústria bancária e conhece bem os seus clientes. A empresa de Denise migrou para o Agile há alguns anos e os clientes estão felizes com os resultados, mas não há um gerente do cliente ou um gerente da conta. O gerente de projeto usualmente gerencia o cliente e agora o Scrum Master não faz isso. Denise comenta:

Antes, quando o Gerente de Projeto gerenciava o projeto e as expectativas do cliente, tudo corria normalmente. Agora, temos o cliente que atua como um Product Owner. Isso está correto, mas precisamos de alguém que possa gerenciar as expectativas pessoais desse cliente. Precisamos de alguém para lidar com isso. Caso contrário, esse profissional pode começar a pedir que os membros da equipe "façam isso, ou façam aquilo" no dia a dia.

Portanto, as interações e as entregas para o Scrum Master são mais parecidas com a de um Gerente de Conta. O Scrum Master não é um gerente de projeto ou um gerente comum, o que é diferente de quando se está em uma consultoria.

Denise está certa. O Scrum Master de uma consultoria que está alocada no cliente é um Scrum Master bem diferente de qualquer outro Scrum Master.

Alguns Scrum Masters são "apenas" Scrum Masters

Algumas vezes, para uma equipe pequena, entre 5 e 7 profissionais, tudo o que se precisa é de um líder servidor que é um Scrum Master.

Em um próximo artigo, falarei sobre as qualidades, preferências e habilidades não-técnicas necessárias para o seu Scrum Master.

Sobre a autora

Johanna Rothman é autora do livro Hiring Geeks That Fit, assim como diversos outros livros. Ela presta consultoria, palestra e escreve sobre gerenciamento do desenvolvimento de produto de alta tecnologia. Capacita gerentes, equipes e empresas a se tornarem mais efetivos, por meio de abordagens pragmáticas relacionadas a gestão de projeto, gestão de risco e gestão de pessoas. Leia mais sobre Rothman em jrothman.com.

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