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Software Craftsmanship North America

por Amr Elssamadisy , traduzido por Nuno Marques em 24 Jun 2009 |

Software Craftsmanship North America (SCNA) é um conferência de um dia só com o objetivo de introduzir a comunidade ágil no movimento de Software Craftsmanship. Curiosamente, o SCNA vai se realizar ao mesmo tempo que a conferência Ágil, na mesma cidade e com palestrantes partilhados entre as duas conferências.

A InfoQ falou com Dave Hoover, um dos organizadores da SCNA para ele explicar melhor aos nossos leitores o que a conferência é, e a quem é dirigida:

InfoQ: Qual é o objetivo da conferência sobre Software Craftsmanship?

Dave: O nosso objetivo para este ano da SCNA é expor a comunidade Ágil ao movimento de Software Craftsmanship. Quando digo "o nosso objetivo", estou me referindo ao objetivo deste ano dos organizadores: Corey Haines, Paul Pagel, Micah Martin, Kat Nelson-Reid, Kevin Taylor e eu.

InfoQ: Porque as pessoas irão à conferência de SC em vez da conferência de Agile que é ao mesmo tempo e na mesma cidade?

Dave: Um dos temas falados atualmente no movimento de Software Craftsmanship é o retorno às raízes de Extreme Programing. Se isto te faz lembrar algo, então a SCNA dará algumas oportunidades de aprendizagem. Se você alguém que está mais interessado em se tornar um programador de software de classe mundial do que se tornar um gestor de projeto, formador ou treinador ágil, então as sessões do SCNA são para você. Nós juntamos um conjunto espectacular de palestrantes que irão ajudar os participantes da SCNA a aprender o que é necessário para dominar a arte de desenvolvimento de software. Um dos meus objetivos pessoais para a conferência deste ano é dar alguma visibilidade a tópicos relacionados com a idade que foram discutidos em Programmers: Before you turn 40, get a plan B. Eu quero que os participantes do SCNA conheçam e ouçam os mestres da nossa área, e que vejam que é possível manter-se técnico durante a carreira inteira de desenvolvimento de software. Eu quero que as pessoas percebam que muitas das dificuldades que existem em projetos de software típicos simplesmente desaparecem quando há um mestre Craftsman.

InfoQ: A quem está direcionada a conferência? Somente aos desenvolvedores?

Dave: Não, a conferência não está direcionada somente a desenvolvedores. Também teremos uma sessão focada no lado de negócio de Software Craftsmanship, com sessões com o Richard Sennett e Christopher Avery que não estão diretamente envolvidos na indústria de software, mas que têm muito para nos ensinar. Eu acredito que os empresários, donos de pequenas empresas, gestores de desenvolvimento e executivos de tecnologia podem tirar algumas boas idéias da SCNA. Software Crafstmanship é certamente centrado no programador, mas tem muito a dizer sobre a maneira como as equipes e os projetos são estruturados à volta de pequenos grupos de Craftsman. Nós esperamos que a maioria dos participantes sejam Software Craftsman, que significa: pessoas que desejam ser mestres da arte do desenvolvimento de software, para isso é necessário o conhecimento de várias áreas, incluindo testador, gerente de projeto, vendedor, pessoa de marketing e analista de negócios. Desde que atividade fundamental de desenvolvimento de software é escrever código, estas pessoas tendem a vir dessa área. É por isso, que o conteúdo da conferência tende a ser mais orientado para o desenvolvedor.

InfoQ: Vamos aprender a programar? Sobre processos? Ou meta processos como valores e princípios?

Dave: Devido ao pouco tempo que tivemos para organizar a conferência, escolhemos que todos os palestrantes seriam por convite. Achamos que juntamos os palestrantes que são bons exemplos a seguir pela comunidade, de mestres como Fred George a journeyman como Cory Foy. Os palestrantes podem escolher falar sobre qualquer tópico que queiram dentro das suas sessões de 30 minutos. Eu imagino que será uma mistura de palestras filosóficas, técnicas e de processos.

InfoQ: Poderia falar mais um pouco sobre a evolução do movimento de Craftsmanship?

Dave: O movimento de Software Craftsmanship foi criado por alguns líderes de pensamento da nossa área. O meu primeiro contato com Software Craftsmanship foi com o livro de Pete McBreen, Software Craftsmanship, que eu li em 2002. Para alguém interessado em alcançar sucesso a longo prazo na área de desenvolvimento de software, eu acredito que este livro seja uma leitura obrigatória. Quanto ele foi escrito, embora tivesse sido como uma voz no deserto, pareceu ser muito idealista. E embora eu saiba que muitas pessoas achassem o livro inspirador, eu acho que não houve muita gente que se imaginava aplicando diretamente aqueles ideais. Pessoas como Ken Auer da Role Model Software e Carl Erikson da Atomic Object são alguns dos pioneiros de Software Craftsmanship, que, mesmo antes do livro do Pete ter sido publicado, já estavam organizando suas equipes e os seus negócios em torno dos princípios de Software Craftsmanship. Mas a pessoa responsável por batalhar continuamente e espalhar o Software Craftmanship é o Robert Martin. Foi o Uncle Bob que, durante uma palestra em Agile 2008, pediu por um quinto valor para adicionar ao manifesto ágil. Craftsmanship em vez de porcaria. Foi ele que consistentemente empurrou o Software Craftmanship desde 2005 quando blogou sobre a próxima grande coisa.

Depois da palestra de Uncle Bob no ano passado, o movimento de Software Craftsmanship começou a ganhar mais velocidade. A 8th Light, uma companhia de desenvolvimento de software baseada nos princípios de Software Craftsmanship, começou a organizar uma grupo de usuários, uma lista de emails, e por último em Dezembro de 2008, organizou a Software Craftsmanship Summit, onde veio com o material que Doug Bradbury eventualmente usou para escrever o manifesto de Software Craftsmanship. Ao mesmo tempo, Corey Haines começou seu tour de programação em par, que ajudou a espalhar pelo mundo o Software Craftsmanship, enquanto ele visitava dúzias de pessoas, equipes e cidades. Corey inspirou a Obtiva e a 8th Light a fazerem mini-tours, ou trocas de Craftsmans, como maneira de trocar conhecimento e entendimento de como outras empresas, equipes e pessoas dentro da comunidade de Craftsmanship trabalham. E foi um sucesso tão grande que estamos pensando em aumentar a nossa rede de empresas interessadas em fazer trocas de Craftsman, e estamos muito entusiasmados com o interesse que as empresas como a Hashrocket e a Relevance mostraram. Da mesma forma, o Corey tem inspirado outros programadores independentes a fazerem mini-tours a fim de acelerarem a sua aprendizagem e a espalharem os seus conhecimentos pela comunidade.

InfoQ: O que este movimento adiciona para a comunidade Ágil que estavafaltando?

Dave: Na minha opinião, os valores, princípios e práticas de Software Craftsmanship e do desenvolvimento de software ágil são bastante ortogonais. E então, para muitas pessoas na comunidade de Software Craftsmanship, elas estão bastante interligadas. Para essas pessoas, Software Craftsmanship é um retorno as raízes da agilidade, como quando Extreme Programming apareceu em cena como uma nova aproximação ao desenvolvimento de software focado no desenvolvedor. Para mim, o poder do Software Craftsmanship vem do seu foco no domínio e do reconhecimento que temos, lamentavelmente pouco mestres com quem aprender (e é preciso fazer algo). Eu descobri tanto Extreme Programing como Software Craftsmanship em 2002, e enquanto XP me ensinou técnicas ao nível do código e de projeto para eu melhorar a minha eficácia como programador e colega de equipe. Software Craftsmanship ajudou-me a perceber que eu ainda era um aprendiz, e que teria ainda muitas décadas de aprendizagem pela frente. No final, as minhas técnicas evoluirão mas a filosofia que eu aprendi sobre Software Craftsmanship ainda vai me acompanhar por muito, muito tempo.

InfoQ: Alguém pode ir tanto à conferência ágil como à conferência de SC? Elas se sobrepõe ou se complementam?

Dave: SCNA é literalmente do outro lado da estrada da Agile 2009 e está agendada para o meio da semana. Nós iremos provavelmente ter pessoas que irão falar na Agile 2009 e que também estarão presentes na SCNA. Não haverá muito conteúdo em comum entre as duas conferências, mas elas são sem dúvida complementares. E também, uma das grandes diferenças entre as conferências é que a SCNA é apenas um dia enquanto a conferência Ágil dura a semana toda.

A comunidade de Software Craftsmanship está crescendo. Dave Hoover nos deu uma visão sobre os objetivos da conferência, alguma das histórias sobre o movimento, e algumas razões pelas quais muitos na comunidade possam querer participar desta conferência de um dia só.

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