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Adoção de Agile em Ambientes de Medo

por Amr Elssamadisy , traduzido por Rafael Buzon em 02 Ago 2011 |

Nem sempre é efetiva a transformação proposta pelo Agile ou sua adoção no ambiente de trabalho. Haveria pontos em comum nos casos de fracasso e estaria o medo relacionado a isso? Opiniões variam sobre o impacto dos diferentes tipos de medo sobre o sucesso com Agile:

Jim Highsmith argumenta que o medo de fazer escolhas tem, talvez, o mesmo impacto que o tradicional medo da mudança: 

Agilidade, flexibilidade, adaptação e dinamismo são todas palavras usadas para incentivar pessoas e organizações a serem mais responsáveis sobre as turbulências no ambiente de negócio. Ridicularizamos aqueles que vemos como resistentes à mudança, mas talvez o "medo da escolha" atrapalhe tanto quanto o "medo da mudança". No livro Linchpin, o autor Seth Godin escreve que empreendedores e líderes que geram alto valor para suas empresas geralmente realizam as mesmas tarefas que o resto de nós, exceto por 5 minutos do dia. Nestes 5 minutos, são de alguma forma capazes de eliminar milhares de escolhas possíveis e escolher aquela que gera valor. Para outros, esta abundância de escolhas é paralisante. E é o medo da escolha que os detém. 

Radu Davidescue escreve que a adoção do Agile precisa de um ambiente livre de medos:

Ambientes ágeis precisam ser lugares sem medos. Quando as pessoas perdem o medo, tornam-se mais criativas e se unem mais facilmente para trabalhar em equipe. Obtém-se maior confiança quando há menos medo e passa-se mais tempo trabalhando do que lidando com receios. 

Naresh Jain fala sobre o medo de fracassar como um dos principais obstáculos para o sucesso na adoção do Agile na Índia:

Ao adotarem Agile, as empresas se deparam com várias preocupações e dúvidas. Um tema recorrente que tenho visto é o medo de fracassar, que leva a uma adoção disfuncional do Agile. As equipes escolhem o que é simples de fazer e o que cabe em seus modelos existentes, buscando reduzir riscos. Com esta abordagem, indivíduos e empresas deixa, de obter os reais benefícios das práticas ágeis. 

Michael DePaoli argumenta que o medo é uma generalização excessiva do motivo para o fracasso, pois profissionais competentes geralmente lidam bem com o medo. Ele argumenta que principal problema é o modelo risco/recompensa:

Ao examinar os impedimentos para a adoção do Agile, é necessário usar uma perspectiva que vá além do medo, porque nem todos têm medo da mudança. [...] Verifique, se puder, como a gerência é remunerada em sua empresa. Depois de 25 anos na indústria de software, tenho me espantado ao ver como incentivos (bonificações) são vinculados a orçamentos e a cronogramas de reuniões – ao invés de serem relacionados à entrega de valor e de qualidade. Isso frequentemente resulta em ações e comportamentos contrários à mudança.

Isso, na minha opinião, é baseado em um grande desafio psicológico que vai além do trabalho... A ilusão de controle! Se não podemos sequer controlar o que acontece em nossos próprios corpos, como podemos controlar como e quando um grupo de pessoas irá interagir e o que exatamente irão produzir? Mas é nisso que é muitas vezes baseada a remuneração. 

Como se vê, há várias opiniões sobre o impacto do medo nas iniciativas para a adoção do Agile. Também restam muitas questões não respondidas, sobre como especificamente lidar com medos. Como ficam as culturas nas quais o medo está enraizado? E se não houver outra maneira, pelo menos no curto prazo, de resolver ou tratar o medo? Nesses contextos, as iniciativas de Agile ainda poderiam ser bem sucedidas?

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bom by camilo lopes

gostei do post. Realmente é o cenário que temos na adoção de Agile.Antes de lidar com o medo, é preciso saber se onde agile vai ser adotado as pessoas possuem pelo menos uma mente aberta e não estão adotando Agile pq está na "moda" (como alguns empresarios dizem). Duas palavras que ajudam superar o medo: Acreditar e coragem.
Primeiro é preciso acreditar que funciona, se a equipe não acredita já perdeu 50%. E segundo é ter coragem em superar o medo para um ambiente desconhecido. Quando acreditamos temos coragem de enfrentar o medo, do contrário o fracasso é o caminho mais proximo.

flw :)

Zona de Conforto by Paulo Rebelo

Precisamos sair da zona de conforto, ter coragem para mudar, não somente mudar em si, mas mudar para melhor, constantemente rever os nossos padrões técnicos e comportamentais e ter paixão pelo o que fazemos. A zona de conforto é um mal que estatiza a pessoa e quando entramos nela, perde-se o sentido do que fazemos.
O medo corporativo existe para aqueles que ainda são enraizados em estruturas hierárquicas grandes, pois Agile é flat e horizontal.
Excelente artigo!

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