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Polêmica na área de negócios: uma comparação entre os papéis de analista e arquiteto

por Richard Seroter , traduzido por Eric Fer em 25 Mai 2012 |

Nick Malik, arquiteto de negócios na Microsoft, publicou um artigo em seu blog diferenciando analistas de negócios de arquitetos de negócios. Malik argumenta que analistas de negócios realizam tarefas bem distintas das feitas pelos arquitetos de negócios. Porém, pouco tempo depois da publicação do artigo, Kevin Brennen, da International Institute of Business Analysts (IIBA), critica de forma veemente o ponto de vista de Malik e destaca as semelhanças entre os papéis.

Malik alega que a única similaridade entre os papéis seria a de que ambos, analistas e arquitetos, analisam o negócio. Em seguida prossegue destacando o propósito, técnica, tempo de resposta e características de cada papel. De acordo com Malik, arquitetos de negócios usam modelos e ferramentas avançados em um esforço contínuo de identificação de necessidades de melhoria nas competências da organização e atuam de forma a suprir tais necessidades.

Em contrapartida, segundo Malik, os analistas de negócios trabalham em iniciativas já existentes e conduzem entrevistas com stakeholders para desenvolver os requisitos de sistemas que serão aplicados em uma solução de TI. Dessa forma, Malik define uma clara distinção entre os papéis:

Não existe quase nada em comum nesses papéis por serem fundamentalmente diferentes. E sim, existem pessoas que podem desempenhar ambos os papéis.

Na verdade, eu nunca vi um analista de negócios que tenha feito a transição para o papel de arquiteto de negócios de forma bem-sucedida.

Esse ponto de vista foi rapidamente desafiado por Brennen do IIBA no artigo "Arquitetura de negócios é análise de negócios" - em tradução livre. Brennen ficou um pouco ofendido com a definição de arquiteto de negócios, mas o que realmente o incomodou foi a afirmação de Malik sobre o papel de analista de negócios.

Não é que ele (Nick Malik) esteja errado sobre o que um arquiteto de negócios faz. O problema é que está comparando sua experiência atual como arquiteto de negócios com o que ele pensa que um analista de negócios faz. Concientemente ou não, Nick está diminuindo a atual complexidade do papel do analista de negócios enquanto super valoriza a complexidade e importância da arquitetura de negócios.

Antes de mais nada, eu não estou afirmando que todo analista de negócios pode ou deveria se envolver em arquitetura de negócios (este é apenas um tipo de análise de negócios). Mas existem muitas outras opções de carreira para um analista de negócios. Eu simplesmente discordo com veemência com a declaração de que ambos os papéis caracterizam profissões distintas.

Brennen então comenta cada uma das comparações de Malik e aponta onde as argumentações são deficientes. Se por um lado Brennen aceita que arquitetos de negócios e analistas de negócios possam vir a trabalhar em diferentes níveis da organização, por outro lado não considera que este fato mude os aspectos essenciais do trabalho envolvido.

Existe uma diferença concreta aqui: um arquiteto de negócios trabalha num nível estratégico, enquanto que os analistas de negócios estão engajados com táticas. Eu apenas não vejo isso como diferença suficiente para chamá-los de "campos distintos de estudo".

Malik responde à Brennen ao atualizar seu artigo original com alguns esclarecimentos. Entre as atualizações, Malik altera sua definição de analista de negócios ao incluir tal papel como uma função que não se limita apenas às equipes de TI. Também reiterou que ambos os papéis tem um foco primário na própria análise do negócio. Além disso, Malik ameniza o discurso que envolve a diferença de habilidades entre os papéis.

Ao olhar para as pessoas e suas habilidades, alí existe uma sobreposição. Certamente, pessoas inteligentes com excelentes habilidades analíticas podem fazer muitas coisas. Mas nós não estamos falando sobre as pessoas. Nós estamos falando sobre um papel, seja de analista, seja de arquiteto.

Note que essa é a minha experiência pessoal, e acredito que existem muitas pessoas que fizeram a transição de analista para arquiteto. Tenho visto muito trabalho árduo e muitos fracassos nesse quesito. Considerando o que já presenciei, acredito ser uma transição muito difícil.

Uma nova perspectiva foi inserida ao artigo. Malik passou a analisar como o Business Analysis Body of Knowledge (BABOK) - ou "Base de Conhecimento de Análise de Negócios", em tradução livre - descreve as tarefas de um analista de negócios. Por fim, Malik lamenta o fato de que o conjunto de tarefas descrito no BABOK seja tão abrangente a ponto de não permitir a diferenciação do papel de analista.

Existe um problema com o BABOK, não com os analistas. Incluir uma gama tão abrangente de papéis na "definição" de um analista de negócios cria uma situação na qual nenhuma profissão consegue definir um papel que enfoque assuntos similares sem se sobrepor à definição do BABOK.

Em artigo subsequente, Malik continua a fazer distinções entre os dois papéis.

O papel de analista de negócios é muito mais tático que o papel de arquiteto de negócios. Tradicionalmente, é requisitado do analista de negócios entender os problemas da área de negócios e documentar os requisitos do negócio que vão resolver tais problemas. O analista de negócios não é responsável pelo desenvolvimento, nem pela idealização de uma solução (o arquiteto faz isso).

O papel do arquiteto de negócios se trata de uma recente inovação. Este papel surgiu da necessidade de assegurar que as várias áreas da organização estejam utilizando os recursos de TI corretamente ao fazer com que os problemas certos sejam resolvidos. A partir daí, este papel mudou seu foco para uma proposta que não tinha mais o foco em TI. A arquitetura de negócios é importante. Sem o arquiteto de negócios envolvido, podemos fazer um excelente trabalho ao resolver problemas que a organização não precisa, enquanto que os verdadeiros problemas não são tratados ou o são de forma deficiente devido à longa lista de demandas da organização.

Malik conclui que, apesar dos dois papéis poderem ser desempenhados por uma só pessoa, seria preferível ter profissionais distintos para cada papel e destaca a necessidade de uma definição clara de responsabilidades. Por fim, Malik encoraja o esclarecimento e evolução da disciplina que trata da arquitetura de negócios.

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