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O lado negro das metodologias ágeis: de má ideia a Santo Graal?

por Eder Ignatowicz em 19 Jun 2012 |

Em um controverso e irônico texto, o arquiteto e desenvolvedor Jordan Bortz, propõe recomendações para criação e promoção de uma nova metodologia ágil e ataca os rumos que o movimento tem tomado nos últimos anos. Entre as "recomendações" do autor para o sucesso de uma metodologia, estão (resumidas e parafraseadas):

  • Tenha um quadro, quanto maior melhor. Não importa realmente qual o tipo de informação que conterá, contanto que o quadro esteja presente;
  • Faça uso de post-its. Estão na moda, criam uma ideia de organização, de importância, e dão ao seu time a visibilidade necessária na empresa;
  • Faça reuniões diárias em pé, pois elas exalam agilidade. Além disto, a ideia de inspecionar o time diariamente agrada a grande parte dos gerentes tornando popular sua metodologia;
  • Faça uso de referências ao Japão, à Toyota; use o máximo de jargão em japonês que conseguir. Também não é preciso que as palavras utilizadas tenham alguma relação com o sentido original, somente as utilize;
  • Mude o nome de técnicas tradicionais como reuniões, post-its e quadros; use nomes modernos e originais. Se você disser ao seu chefe que quer colar posts-its em um quadro a ideia provavelmente será rejeitada, mas se estiver "utilizando Kanban como irradiador da informação", vai estar a caminho de ser promovido;
  • Lembre-se que você não está vendendo uma metodologia, mas sim revolucionando o mundo. Faça uso constante de referências inéditas e dramáticas para tornar sua metodologia única;
  • Convença os radicais a defenderem sua metodologia; eles utilizarão o seu tempo livre para palestrar e escrever posts defendendo suas práticas;
  • Utilize o medo, a incerteza e a dúvida para causar a impressão de que todos que não adotarem a sua metodologia irão falhar. Tenha em mente que há poucas evidências de sucesso absoluto geradas pela adoção de alguma metodologia; por isso não é necessário fornecer provas de sucesso. Muitos escolhem metodologias baseando-se exclusivamente na fé e podem agir da mesma forma com a sua metodologia.

Outros textos nesta mesma linha, questionando a interpretação do Manifesto Ágil por algumas comunidades, também podem ser citados: como exemplo o SCUM ("Escória) Certified Agile Master Certification Training de Scott Ambler e o "manifesto" de Zed Shaw.

Apesar de controverso, o post de Jordan reflete uma preocupação recorrente da comunidade ágil. Existe muito dinheiro em jogo quando o assunto é a adoção, treinamento e consultoria de metodologias de desenvolvimento de software, e muitos oportunistas estão se aproveitando das ideias do movimento para defender suas próprias causas.

E você, concorda com o sarcasmo de Jordan? Já viu alguma metodologia ágil ser oferecida como o próximo Santo Graal?

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Bala de prata by Julio Caldas

Parabéns pela coleta dos dados e iniciativa de iniciar uma discussão. Eu já vi empresas agirem desta forma, seguindo a receita de pagar por um treinamento de poucos dias e em seguida esperar pela implantação de uma nova metodologia. O que acaba acontecendo é que as ações mais óbvias e de maior impacto visual como as reuniões diárias e quadro de post-its são imediatamente adotados. Mas isto acaba não tendo sustentação, com o passar dos dias vira um "frankstein" e em seguida jogam a sujeira para debaixo do tapete. Alguns também vão falar que a metodologia não funciona!

A processo do Scrum, por exemplo, é muito simples de ser entendido mas de difícil de incorporar pois exige uma mudança do modelo mental e empenho.

Acho que no início os aproveitadores podem fazer a "festa", mas quando as promessas iniciais não se tornam reais, a festa acaba.

abraço.

Re: Bala de prata by Jordan Bortz

Hi

Thanks for the comments. Many people state that "the organization needs to change" to use Scrum, but scrum provides no mechanisms for this change. Please see my write up
jordanbortz.wordpress.com/2011/04/05/the-flawed...
Jordan

Remedies by Jordan Bortz

Thanks for your summary and portugese translation :)

Just wanted to add a few things; if people are suffering from these methodologies, I have two remedies.

The humorous one is here: jordanbortz.wordpress.com/2012/04/01/scrum-depr...

The serious one is here: jordanbortz.wordpress.com/my-approach/

Jordan

Exageros à parte... by clid carvalho

Interessante e divertida a abordagem. Como "macaco velho da informática" que sou, pois estou muito tempo por aqui na Informática, acho que até demais, acredito que toda a "metodologia" possa ser usada, mas sem os exageros da definições acadêmicas. Na década de 80 eu já fazia reuniões diárias com minha equipe, ou chamada por mim ou por quem estivesse envolvido, que era ótina do grupo. Precisavamos nos posicionar diariamente, rever itens, prioridades, metas do dia, ajustar... Eu trabalhava com grande porte - já ouviram falar em digitação, conferencia visual, processamento de critica, ciclo de critica , estas coisa ? - e era necessário acompanhar o processo.. Projeto, seguiam mais ou menos esta "metodologia". Termos difíceis, referencias a IBM como padrão, uso de folhas grudadas na parede (reunião de modelagem de dados), "Não deixa a faxineira limpara esta sala hoje !!!" entre outras coisas fazem parte da nossa área. Caros meninos da informática, ao usar qualquer metodologia, vão com calma !!! Nem todo mundo precisa saber os termos bonitos em ingles, hindu ou linguagem qualquer.. A liguagem normal, o adendo explicativo do termo, entre outras práticas, tornam o Scrum igualzinho a aquilo que eu fazia a 30 anos atrás..Só vem mudando de nome a cada texto novo, ou "idéia genial" de uma nova metodologia. Viva os escritores, os produtores, os livreiros e a modernidade, os blogueiros, os novos foruns de discussão... ! Desculpa os puristas de plantão...

Re: Exageros à parte... by Clayton Craveiro

Clid, você está absolutamente certo. O bom senso e o acompanhamento já eram bastante eficientes e não tinham nomenclaturas e nem faziam parte de uma pacote. Tem razão: "grande idéia" foi encaixotar os conceitos e vende-los como algo original.

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