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Ócio criativo: a inovação nas empresas depende dele?

por Ben Linders , traduzido por Adalberto Zanata em 05 Ago 2013 |

Para se manter competitivas, as empresas têm buscado maneiras de inovar internamente. Um passo inicial pode ser disponibilizar tempo para que as pessoas pensem em novos produtos e serviços, discutam ideias e desenvolvam conceitos; por exemplo, estabelecer uma equipe de inovação em tempo integral e marcar encontros ou workshops frequentes para discutir novas ideias.

Em seu blog, Jeff Gothelf escreveu sobre a criação de equipes internas de inovação, e explica a importância de se manter uma equipe dedicada ao assunto:

Não depende somente de quem é contratado; estruturar equipes de forma eficaz é fundamental para o sucesso. Muitas empresas veem áreas específicas no desenvolvimento de seu produto como prestadores de serviços - agências internas. A área de negócios se dirige a essas agências (engenharia, usabilidade e design, gestão de produtos e outras) e informa sua necessidade de pessoal - e a gerência fornece os recursos baseando-se na experiência, disponibilidade e aptidão para o projeto em pauta. É uma maneira razoável de alocar uma equipe a um projeto, mas o objetivo mesmo deve ser o de formar uma equipe.

De acordo com Gothelf, para se manter equipes de sucesso, estas devem ser pequenas, geograficamente concentradas, dedicadas e autosuficientes.

Equipes pequenas e concentradas no mesmo local podem se autoorganizar rapidamente e trabalhar em conjunto para encontrar ideias inovadoras. Os membros devem se dedicar à equipe para que o foco seja mantido; e juntos devem formar um grupo multidisciplinar e autosuficiente, capaz de fazer o que for necessário para inovar.

Jeff Gothelf explica a importância de se ter pessoas que possam se dedicar integralmente à inovação:

Pessoas dedicadas a uma única equipe têm a oportunidade de se concentrar, e sabem como usar seu tempo, pois suas prioridades estão claras. Não precisam deixar colegas esperando em uma equipe para fazer tarefas para outra e produzem com mais qualidade e eficiência. Além disso, como se concentram de forma consistente no mesmo problema, surgem mais oportunidades para inovação. O oposto ocorre quando há a atitude "acabe logo para que eu possa continuar".

Como as equipes podem, mudar no decorrer do tempo, é importante manter o foco nos critérios a serem atendidos e no objetivo da equipe de inovação:

Com o tempo, o contexto da sua organização transformará essa estrutura para que faça mais sentido localmente. Mas se decidir modificar a abordagem, recomendo manter em mente a meta fundamental: o que fazer, como organização, para tornar o mais fácil possível que as equipes sejam bem-sucedidas?

Cyriel Kortleven escreveu em seu blog sobre a ideia da inovação exigir tempo ocioso. Ele lembra que empresas como Google, 3M e HP concedem períodos regulares de tempo para uso por seus funcionários em novas ideias e inovações, enquanto outras empresas usam os chamados ShipIt days, períodos liberados para que trabalhem de forma livre e criativa em assuntos relacionados a um produto. Kortleven cita coisas a se ter em mente ao se fazer o experimento do tempo livre para inovação:

  • Comece pequeno, falhe rápido e aprenda rápido;
  • Encontre tempo para descansos;
  • Busque o comprometimento dos superiores (e dos funcionários).

É necessário que exista uma cultura em que as pessoas se sintam seguras para experimentar, para deixar as coisas fluírem e se pensar em algo novo, diz. Ele adverte contra a pressão por eficiência, e contra controle excessivo e instruções detalhadas vindas da alta gerência. A administração precisa apoiar a inovação e permitir que tempo seja investido nisso.

Kortleven conclui seu post falando das vantagens que as empresas podem obter ao conceder tempo livre para inovação: "o resultado desse tempo livre agregará valor ao desenvolvimento de uma boa equipe e aumentará a autoestima dos funcionários."

O texto Aplicando técnicas enxutas em uma grande empresa: A "Estufa", publicado por Shardul Mehta, descreve um workshop de inovação ágil. Esse workshop pode ser usado por líderes sênior e equipes de desenvolvimento de produtos, para resolver problemas essenciais de negócio. O workshop, que recebeu o nome de "Estufa" (Hothouse), combina a abordagem construir-medir-aprender do Lean Startup, com as restrospectivas e as revisões de sprints do Agile:

A Estufa ocorre normalmente por dois ou três dias. Durante o workshop, são formadas até três equipes pequenas de Sprint para trabalharem em problemas específicos de negócio, em uma série de Sprints Criativas que normalmente duram três horas cada (respeitando-se o máximo de quatro e o mínimo de duas horas e meia). No intervalo de cada Sprint Criativa, há uma revisão do projeto (Design Review), em que as equipes apresentam os resultados alcançados em seu último sprint para os líderes sênior, que fornecem um feedback construtivo e útil às equipes. As equipes aproveitam o feedback recebido na próxima Sprint Criativa.

A equipe de negócio, juntamente com a de desenvolvimento, elabora soluções para um pequeno conjunto de problemas essenciais ao negócio:

As equipes recebem material de apoio para cada problema de negócio: ex. uma pesquisa existente do cliente, a experiência atual do usuário, requisitos de negócios, protótipos, mapas arquiteturais etc. - todos esses são usados como entradas da Estufa. Os resultados esperados dependem dos problemas a serem abordados e os objetivos específicos da Estufa, mas podem ter a forma de um protótipo refinado e aprovado, requisitos de negócio priorizados ou histórias, ou ainda da avaliação de impactos do sistema, estimativas de entrega de alto nível, até mesmo um plano de comunicação de marketing.

Shardul resume os benefícios desses workshops de inovação:

  • Aceleração de tomada de decisões;
  • Envolvimento da liderança sênior;
  • Aumento de alinhamento entre interessados e equipes (esse alinhamento serve como linha base para o projeto após sua saída da estufa);
  • Mais rapidez na definição, desenvolvimento e entrega de produtos.

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