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Formando equipes de alto desempenho, parte 4: A produtividade aparece

Postado por Alércio Bressano em 26 Abr 2012 |

Nesta quarta parte da série sobre equipes de alto desempenho, abordaremos como identificar os acontecimentos em uma equipe que sai da turbulenta fase de Conflitos e entra, então, na fase de Normatização. Na fase de Normatização a equipe evolui na maneira de trabalhar e melhores resultados começam a aparecer.

As pessoas que entram na fase de Normatização descobrem agora que a transparência, que antes foi uma fonte geradora de conflitos, serviu também para evidenciar a preocupação e o foco da equipe no resultado do trabalho. Com isso, a equipe percebe que as divergências devem ser resolvidas e que acabam contribuindo para um produto melhor.

Outro avanço conquistado na fase de Normatização é a dedicação da equipe às cerimônias Scrum. Vejamos como:

Foco nas entregas

Na reunião de planejamento (Sprint Planning), a equipe começa a perceber que é fundamental a atenção de todos no entendimento do produto. A equipe determina que precisa registrar as informações mais importantes e consolidar uma visão clara sobre como poderá construir a demanda. Cada membro, desta forma, passa a estimar melhor o esforço de desenvolvimento, pois conhecem o desempenho uns dos outros e o quanto é possível realizarem juntos.

Com o planejamento feito a equipe passa para a execução do sprint e procura explorar melhor as reuniões diárias (daily meeting) para a microgestão do projeto. É na reunião diária que se observa o progresso das atividades e se as metas propostas ainda são válidas e alcançáveis.

Chegando o momento da entrega dos resultados do sprint (Sprint Review), todos definem a melhor forma de homologar o produto com o cliente. A equipe está preparada para ouvir os feedback do trabalho realizado, que podem ser tanto comentários positivos quanto negativos, recebendo as críticas de forma construtiva e como uma oportunidade para entender melhor as expectativas do cliente.

O elogio é visto como o reconhecimento da dedicação e do esforço conjunto, pois, como o resultado é único, a valorização é coletiva.

Na retrospectiva do sprint finalizado (Sprint Retrospective), principalmente quando a equipe atingiu a fase de Normatização no processo de formação de equipes, busca-se ouvir e refletir sobre o que cada membro acredita ter sido positivo e o que tem sido danoso ao progresso dos trabalhos. É uma oportunidade de avaliar se as ações definidas na retrospectiva passada foram executadas e se surtiu o efeito desejado. A equipe percebe que as diferenças de pensamento e atitudes são úteis para a evolução do trabalho em equipe.

Resultados aparecendo...

O gráfico abaixo apresenta o resultado de uma equipe em formação do sprint 008 até o sprint 018. O gráfico apresenta o percentual entre o que foi planejado e o que foi entregue tendo no sprint 008, por exemplo, 89% entregue do que fora planejado.

Podemos observar que a variação de resultados do sprint 008 ao 013 demonstra que a equipe está no estágio 2, que é a fase em que se descobre a forma ideal de entregar o que foi combinado. No sprint 014, a equipe conseguiu entregar 100% do prometido e os resultados seguintes (até o sprint 018) demonstram uma assertividade maior entre o que foi planejado e o que foi entregue.

No sprint 015 acontece até mesmo um fato curioso: a equipe entregou mais do que tinha sido planejado. A equipe coloca "em xeque" a Lei de Parkinson que diz que "o trabalho se expande até preencher todo o tempo disponível".

Portanto, durante 5 ciclos, a equipe entrega o que foi combinado, demonstrando que as técnicas amadurecidas e a formação da equipe estão dando resultado e melhorando a produtividade. A satisfação com o trabalho, a valorização dos resultados percebida pelo cliente e a maior confiança na equipe, são alguns dos benefícios da fase de Normatização.

Conclusões

Podemos concluir que o estágio 3 de maturidade de uma equipe é caracterizado pela saída da fase de turbulência e conflitos e a entrada numa fase de produtividade conquistada através da sinergia obtida com as atividades realizadas em conjunto. Todos começam a perceber que o resultado depende da iniciativa de cada um e da execução coletiva.

Na próxima e última parte desta série, será discutido de que forma a equipe chega ao estágio máximo de produtividade (estágio 4 de maturidade), quais são as evidências que demonstram a chegada nesse último estágio e de que forma o líder deve conduzir o processo tirando a equipe de uma aparente zona de conforto.


Sobre o autor

Alércio Bressano (@alercio) é consultor e coach em Agile, Professor Universitário e Mentor em Produtividade Pessoal. É Diretor de Marketing e Comunicação do chapter do PMI em Sergipe, e desde 1999 trabalha com projetos de tecnologia. Atua como Gerente de Projetos e/ou Scrum Master em empresas de diversos ramos de negócio, fornecendo coaching na implementação de métodos de gerenciamento de projetos e formação de equipes.

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